Notícias

Controle a energia gasta na tarifa bi-horária durante a covid-19

Estar em casa o dia todo aumenta os consumos de água e energia. Quem tem tarifa bi-horária de eletricidade pode ver a sua fatura subir 25 euros mensais.

  • Dossiê técnico
  • Pedro Silva
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
20 março 2020
  • Dossiê técnico
  • Pedro Silva
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
tarifa bi-horaria

iStock

A 17 de março, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) definiu medidas excecionais para evitar cortes no abastecimento dos serviços públicos essenciais de eletricidade, gás natural e gases de petróleo liquefeito (GPL) canalizados. O prazo de pré-aviso para a interrupção de fornecimento para os clientes domésticos foi alargado por 30 dias, além dos 20 dias já existentes. Quem usufruir deste período alargado tem ainda direito ao pagamento fracionado das dívidas que surjam durante esse tempo, sendo que o prazo pode ser aumentado, se a ERSE considerar necessário.

O pagamento fracionado também pode ser pedido pelos consumidores que fiquem com dívidas, por dificuldades em pagar a fatura. Não irão ser cobrados juros de mora por parte das empresas, durante um período de 30 dias.

Mas, tratando-se de serviços públicos essenciais, é necessário que sejam tomadas as medidas necessárias para garantir, por um lado, que o fornecimento se mantém, e, por outro, que o orçamento familiar não se vai ressentir demasiado, sobretudo quando muitos consumidores podem ver os seus rendimentos mensais mais reduzidos.

Tarifa bi-horária deixa de compensar

Estas medidas são importantes, mas não são suficientes para aliviar a fatura dos consumidores, em especial quem tem tarifa bi-horária. Esta implica diferentes tarifas consoante se gasta eletricidade nas horas de vazio (com custo mais baixo) ou nas horas fora de vazio (de custo mais elevado).

Fizemos os cálculos para um casal e dois filhos, com uma potência contratada de 6,9 kVA e que tinham o cuidado de ter 40% dos consumos nas horas de vazio. Ao estimarmos que, não só deixa de ser possível manter 40% do consumo nas horas de vazio, como a família irá gastar mais eletricidade diariamente (cerca de 20% mais), constatámos que a fatura pode subir 25 euros por mês.

Se só existisse transferência de consumo para fora de vazio, a fatura subiria cerca de 10 euros. Mas como se acaba por lavar mais vezes a loiça, ter mais luzes acesas, abrir-se com maior frequência o frigorífico, por exemplo, irá haver um aumento no consumo total que estimamos que se possa traduzir em cerca de 25 euros mensais.

Para não penalizar quase um milhão de famílias que aderiram à tarifa bi-horária, propomos que, durante este período de crise, se estabeleça a possibilidade de estes consumidores pagarem como se tivessem a tarifa simples.

Mesmo os consumidores com tarifa simples irão sentir o aumento na fatura. Uma família com uma potência contratada de 3,45 kVA e um consumo anual de 1900 kWh, irá pagar mais cerca de 6 euros mensais, com um aumento de 20% do consumo.

Maior despesa também no gás

O consumo de gás, natural ou de botija, também irá aumentar porque, por exemplo, haverá mais refeições a serem feitas em casa e um maior número de banhos. Se o consumo de gás natural subir 20%, a fatura mensal de um casal que gaste 138 m3 anuais (de Lisboa e com tarifa regulada) aumentará cerca de 2 euros. Já no caso de um casal com dois filhos com consumo anual de 292 m3 e a mesma tarifa, a fatura, subirá 4 euros. Uma solução para aliviar o orçamento, passa por esticar o limite do primeiro escalão até aos 500 m3 por ano, atingindo o segundo escalão: uma medida que ajudaria mais de 90% das famílias.

Ao aplicarmos o mesmo aumento de 20% no gás de botija, uma família que precise de uma garrafa de butano por mês, irá precisar de comprar uma segunda, antes do final do mês. Pode traduzir-se numa despesa adicional de 5 euros mensais. Para podermos monitorizar os preços, aconselhamos que os comuniquem na plataforma "Poupe na Botija". Ao acompanharmos a evolução dos preços, conseguimos estar atentos a eventuais aproveitamentos por parte dos operadores. Claro que é fundamental que a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) se mantenha atenta e atue caso haja aumentos de preços. Afinal, numa altura em que o petróleo está a desvalorizar, qualquer aumento é pura especulação.

Para já, fica a recomendação de, sempre que possível, comunicar as leituras do contador, por telefone ou outros meios digitais disponíveis. Deste modo, não só se evita a deslocação do técnico à habitação como o cálculo por estimativa. 

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

Num Mundo complexo e com informação por vezes contraditória, a DECO PROTESTE é o sítio certo para refletir e agir.

  • A nossa missão exige independência face aos poderes políticos e económicos. 
  • Testamos e analisamos uma grande variedade de produtos para garantir que a escolha dos consumidores se baseia em informação rigorosa. 
  • Tornamos o dia-a-dia dos consumidores mais fácil e seguro. Desde uma simples viagem de elevador ou um desconto que usamos todos os dias até decisões tão importantes como a compra de casa.
  • Lutamos por práticas de mercado mais justas. Muitas vezes, o País muda com o trabalho que fazemos junto das autoridades e das empresas. 
  • Queremos consumidores mais informados, participativos e exigentes, através da informação que publicamos ou de um contacto personalizado com o nosso serviço de apoio.

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Faça parte desta comunidade.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.