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Brigada CSI: DECO ensina a reduzir pegada ecológica

12 janeiro 2011 Arquivado

12 janeiro 2011 Arquivado

Provas recolhidas pelos peritos são claras: gastamos mais recursos do que precisamos. Os alunos da Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa, reconhecem os erros.

O projeto CSI: Europa – Consumo Sob Investigação arrancou a 11 de Janeiro na Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa. Os jovens do 2º e 3º ciclo foram sensibilizados, através da animação “O Atentado ao Urso Polar”, para os efeitos dos maus hábitos no aquecimento global e na perda de biodiversidade.

Até Março, mais 19 escolas das capitais de distrito e regiões autónomas dos Açores e Madeira vão receber a ideia da DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, com o apoio da Comissão Europeia e a parceria da Associação Cultural e Grupo de Teatro Absurdo. Valter Sousa, do gabinete de Novas Iniciativas da DECO, revela que o objetivo “é incentivar os jovens a adotar comportamentos sustentáveis para reduzir o impacto no ambiente”.

Valter Sousa, do gabinete de Novas Iniciativas da DECO   Assistência com os alunos da Escola Secundária D. Pedro V
Valter Sousa, do gabinete de Novas Iniciativas da DECO, incentiva os alunos da Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa, a adotar comportamentos sustentáveis

Alvo: Pés “de chumbo”
O enredo é a tentativa de homicídio de um urso polar. A Agência Eco-Europa instala o centro de operações nas escolas portuguesas, identifica os alunos como suspeitos e chama a Brigada CSI para investigar. Estes são especialistas em comportamentos de consumo prejudiciais ao ambiente. As provas são incriminatórias: os jovens consumidores contribuem para a degradação do mundo.

O tenente Mégret, líder da brigada, e o detective Sardini, seguem a pista principal, a pegada ecológica. Trata-se do impacto do estilo de vida sobre o Planeta. Uma medida que avalia se a nossa forma de viver respeita a capacidade do mundo de disponibilizar e renovar os recursos naturais, assim como absorver os resíduos. Os vestígios revelam o perfil do suspeito: “não desliga as luzes, deita o lixo para o chão, desloca-se de carro, desperdiça comida e toma longos banhos de imersão”. Todos se riem da descrição. Todos se identificam com ela.

Mégret e Sardini desvendam más práticas que, indiretamente, derretem o gelo do Árctico e prejudicam espécies em extinção como o urso polar. A temperatura média tem aumentado, devido aos transportes, à produção de energia e de alimentos, entre outros. Estas práticas contribuem para a emissão dos gases com efeito de estufa para a atmosfera e causam o aquecimento global.

Inspetores CSI   Inspetores CSI
Os inspetores CSI averiguam como os maus hábitos de consumo dos alunos prejudicam o ambiente e põem em risco a sobrevivência do urso polar

Pequenos gestos, grandes resultados
 “Se reduzirmos em 25% o tempo que as luzes estão acesas, ao fim de um ano evita-se a emissão de 400 kg de dióxido de carbono”, ensina o detetive Sardini. Usar os aparelhos elétricos só quando é necessário. As lâmpadas incandescentes também são de evitar. Pouco eficientes e duram menos que as economizadoras porque convertem a maior parte da eletricidade em calor e uma percentagem reduzida em luz. A União Europeia já aprovou a sua retirada das lojas.

Jessica Neves, 15 anos, surpreendeu-se com o desperdício deste tipo de iluminação: “agora percebo porque os meus pais não as têm”. Pelo contrário, Catarina Santos, da mesma idade, está bem informada, mas confessa “ainda restarem algumas em casa”. Para já, fica a promessa de “desligar mais vezes a luz”.

Os animadores incentivam a reciclar. “Se separarem os resíduos domésticos e colocarem o plástico, o papel e o vidro no ecoponto, estima-se que reduzam a quantidade de lixo para aterros ou incinerado em 70%”, argumenta Sardini. Todos garantem cumprir, mas Jessica Neves declara que a reciclagem é feita “de vez em quando por não haver um balde apropriado”. 

Tolerância zero com desperdício
Os inspetores CSI são implacáveis com outras rotinas, como o uso do carro para pequenas deslocações e o desperdício de água. Martim Pereira, 14 anos, tem uma moto 4 e usa-a muito nas férias. “Gasto 50 euros em gasolina nesse mês”, anuncia. Depois de ouvir os especialistas, fica a pensar no assunto, apesar de custar-lhe mudar. “Até à praia ainda são 5 quilómetros e canso-me”, conclui.

O “atentado” de Tomás Henriques, 13 anos, é outro: “Sou rápido no banho quando a minha mãe está em casa porque ela ralha, mas se estou sozinho demoro meia hora”. Inês Saraiva, da mesma idade, também se “distrai com facilidade”. Ambos os alunos ficam surpreendidos com o esbanjamento de comida. Afinal, cada português come 70 kg de carne, por ano, quando apenas 36,5 kg são suficientes. Inês desconhecia que “comia assim tanto” e Tomás notou que deita “muitos alimentos fora”.

Projecto CSI  
O projecto CSI nas escolas alerta contra os desperdícios

Plataforma on-line para breve
No final de cada animação, os alunos são convidados a assumir um compromisso num mural, onde escrevem os comportamentos que querem mudar. As melhores mensagens vão ser colocadas no sítio on-line. Têm acesso ao trailer promocional, à fotogaleria das iniciativas e podem avaliar o desempenho ambiental.

No sítio anuncia Valter Sousa, “é possível obter o guião da animação, pelo que qualquer estabelecimento pode reproduzi-la para os seus estudantes”. “A associação visitou 700 escolas em 2 anos com outras ações” e confia que “a disponibilização on-line possa ter um efeito multiplicador”. Em Março, a DECO vai incentivar as escolas a promover a educação sobre consumo sustentável, com workshops dirigidos a professores e dinamizadores.

A DECO tem em marcha a Plataforma de Escolas Energeticamente Eficientes, ferramenta on-line que vai “alojar conteúdos informativos e materiais didácticos sobre o tema”, revela Valter Sousa. “Depois de lançarmos as bases nestes 2 anos em que percorremos o ensino, queremos estimular as escolas a promoverem ações sobre eficiência energética”.

Alunos da Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa   Um de vários comportamentos a mudar
Os alunos aceitaram o compromisso de colocar no mural os comportamentos a mudar

 

Execução: Financiamento: Parceria:
Deco Jovem
Comissão Europeia Centro de Informação Europeia Jacques Delors
O CIEJD enquanto Organismo Intermediário no quadro da Parceria de Gestão estabelecida entre o Governo Português e a Comissão Europeia, através da sua Representação em Portugal
Absurdo

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