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Sonambulismo nas crianças: o que é e como se trata

O sonambulismo, em geral, passa com a idade e não tem significado ao nível da saúde. Uma boa higiene do sono pode ajudar a reduzir os episódios.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Fátima Ramos
15 fevereiro 2019
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Fátima Ramos
sonambulismo

iStock

Ao fim de uma hora de sono, a criança pode sentar-se, gatinhar em redor da cama ou percorrer a casa ao mesmo tempo que mexe ou colide com objetos domésticos. Há relatos de casos em que os sonâmbulos se colocam em perigo inadvertidamente, ao caírem de escadas ou ao exporem-se ao frio de uma noite invernosa. Pode haver rubor facial e transpiração, mas na manhã seguinte a criança não tem memória do sucedido.

Esta perturbação é mais comum na idade pré-escolar e diminui gradualmente de frequência ao longo da primeira década de vida. Parece não haver maior predisposição de meninos ou meninas para estas ocorrências. No entanto, estudos revelam que há influência genética. Isto significa que, se um dos pais teve sonambulismo na infância, é provável que um dos filhos mantenha a “tradição”.

O sonambulismo não precisa de tratamento farmacológico, mas, se os episódios se tornarem regulares (por exemplo, uma ou duas vezes por mês) pode pedir uma avaliação ao pediatra. Se a frequência for maior, provavelmente o médico irá recomendar um estudo do sono (polissonografia) para descartar (ou não) a possibilidade de a criança sofrer outros problemas de saúde, como epilepsia, ataques de pânico ou ansiedade e apneia do sono, entre outros.

Este estudo do sono pode combinar um eletroencefalograma (que regista a atividade cerebral) com exames que medem a atividade cardíaca respiratória e muscular e movimentos oculares, entre outros. Na grande maioria dos casos, não se verifica nenhuma associação.

Apesar de, em geral, não implicar nenhum prejuízo para a saúde, o sonambulismo pode ser incómodo e predispor a criança a acidentes. Se esta costuma andar pela casa, convém trancar portas e janelas e guardar objetos que possam magoá-la. Uma boa higiene do sono, diminui o risco de ocorrerem novos episódios. Assim, é importante:

  • estabelecer uma rotina para a hora de deitar e de levantar, incluindo ao fim de semana;
  • não fazer refeições “pesadas” antes de se deitar;
  • assegurar-se de que o ambiente no quarto é propício ao sono: sem ruído, nem luz, e com a temperatura amena. Se a criança tiver medo do escuro, use uma luz de presença;
  • relaxar, antes de dormir. Tomar um banho, ouvir música ou ler podem ajudar. Atividades enérgicas, como guerras de almofadas, são desaconselhadas;
  • à noite, reservar o quarto apenas para dormir. Televisores, computadores, telemóveis e consolas de jogos não devem estar por perto;
  • manter os animais de estimação fora dos quartos;
  • incentivar as crianças a praticar exercício físico todos os dias e a apanhar luz solar logo de manhã (de forma moderada, claro). O sol ajuda o nosso relógio biológico a “reiniciar” diariamente.
 

 

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