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Plástico reciclado usado em cada vez mais produtos em Portugal

O que têm em comum um cabide, uma camisola de lã e uma garrafa de água? Todos podem ser feitos de plástico reciclado.

03 junho 2022
reciclar plastico

iStock

Sabia que, para produzir um cachecol, são necessárias duas garrafas de plástico PET (de água ou refrigerantes, por exemplo)? Ou que uma t-shirt pode nascer a partir de três dessas garrafas? E que dizer de 60 embalagens de gel de banho para fazer nascer um regador? As embalagens de plástico que já não usamos, separamos em casa e que depois colocamos no ecoponto amarelo vão ter uma nova vida. Chegado à central de reciclagem, este material vai ser transformado para servir de matéria-prima para produtos tão diferentes quanto os que enumerámos. E para mais produtos diferentes. É a prova de que devemos manter e aumentar o nosso esforço de separação de resíduos em casa. Assim poderemos contribuir para uma significativa redução de resíduos depositados em aterro, reduzir a dependência de matéria-prima virgem e contribuir para a tão desejada economia circular.

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Portugal recicla mais

O nosso país tem aumentado os valores de reciclagem ano após ano: em 2021, mais de 435 mil toneladas de embalagens seguiram esse destino, o que equivale a um aumento de 6,4% face ao ano anterior. De todas as tipologias de embalagens que são recicladas, o destaque vai para o aumento de 14% na quantidade de embalagens de plástico que é reciclado. Os números são da Sociedade Ponto Verde. 

E quais são os plásticos que podem ser reciclados? Existem cinco grandes tipos diferentes deste material que podem, e são, aproveitados para gerar novos objetos de consumo. O mais icónico, no sentido em que é aquele cuja imagem aparece em inúmeras campanhas, é o PET, sigla do politereftalato de etileno. É o material das garrafas de bebidas como água ou refrigerantes, por exemplo. Não é por acaso: é um plástico versátil e bastante prático para acondicionar estes produtos. Depois de as embalagens saírem da estação de triagem, vão ser encaminhadas para o reciclador, onde serão novamente triadas: retiram-se alguns possíveis contaminantes que possam ter passado na estação de triagem e são separadas por cores, transparentes ou ligeiramente azuis para um lado, de qualquer outra cor para outro, ou ainda pelo conteúdo que antes conservavam (se continham óleo alimentar, por exemplo). Segue-se a trituração das embalagens em bocadinhos pequenos, para que possam ser trabalhados. 

Todas aquelas antigas garrafas transformam-se em flocos de pequenas dimensões. Vão entrar num circuito de lavagem, onde é utilizada soda cáustica para remover contaminantes, como gorduras e colas. O plástico será então seco e a humidade será eliminada. 

Segue-se um processo de nome complicado, a altura na qual estas pequenas partículas de PET vão ser expostas a elevadas temperaturas e pressões até se fundirem, a extrusão. E é aqui que surge a matéria-prima para novos objetos de consumo, que vai ser trabalhada de forma diferente, conforme o novo produto a fabricar. 

Se o destino dessas pequenas partículas for uma camisola, por exemplo, os filamentos de PET vão ser esticados ao máximo para serem depois frisados. O resultado é uma fibra de poliéster já semelhante a um tecido. Estas fibras são cosidas entre si ou com outro material (por exemplo, algodão) para ser produzido o tecido desejado para a camisola. 

Mas este mesmo material é também um excelente exemplo de como a economia circular pode funcionar. De uma garrafa usada pode nascer uma nova. Nesse caso, o PET seguirá o mesmo caminho até à fase de extrusão, passando depois por um processo de descontaminação mais eficaz para se tornar apto ao contacto alimentar. A partir daí, os fios de plástico serão cortados em pequenos grãos que vão depois gerar uma espécie de molde de garrafa. Esta pré-forma tem dimensões bastante mais reduzidas do que a embalagem a que irá dar origem, o que vai facilitar o transporte até ao local de enchimento, onde se torna uma garrafa com as características habituais.

A cada plástico, o seu processo

Outros tipos de plástico comum são os polietilenos de alta e de baixa densidade, o PEAD e o PEBD, respetivamente. O primeiro acondiciona champôs e detergentes, por exemplo; o segundo é o que constitui os chamados plásticos flexíveis, em geral sacos ou filme estirável. Também estas embalagens, ao chegarem ao reciclador, passam por um processo de descontaminação e são trituradas até resultarem numa espécie de granulado colorido, ou monocolor, de acordo com o que se pretende obter. Este material é depois lavado. O resultado final é versátil: gera produtos tão diferentes quanto tubagens, sacos do lixo ou regadores, por exemplo. 

Há ainda que contar com outros tipos de plástico, mais difíceis de trabalhar. É o caso da esferovite: é mais caro transportá-la, por causa de uma das suas características, o peso. Sabia que é 98% ar? A maior facilidade de preservar odores fortes é outro obstáculo. Mesmo assim, é possível transformá-la em objetos como cabides ou material isolante usado na construção civil. 

Mas o mais difícil de reciclar são os chamados plásticos mistos, para os quais até existem poucos recicladores no nosso país. Neste grupo são consideradas as restantes embalagens de outros materiais, ou que são constituídas por mais do que um tipo de plástico ou material, como por exemplo pacotes de batatas fritas, embalagens de iogurte sólido ou pacotes de manteiga. O desafio é grande, pois não têm um fluxo específico quando são encaminhados para os recicladores. Mas podem gerar bancos de jardim, por exemplo. O material é mais pesado do que a madeira.

Veja uma síntese do percurso destes materiais neste vídeo da Sociedade Ponto Verde:

Embalagens de metal são recicladas infinitas vezes

Latas de conservas ou de desodorizante são apenas alguns exemplos de embalagens feitas de alumínio. Algumas ainda são feitas em aço, embora este material tenha perdido terreno, por ser mais pesado. Tanto o alumínio como o aço podem ser reciclados vezes sem conta e o produto reciclado pode ser aplicado em praticamente qualquer setor de atividade. Por exemplo, uma lata de alumínio pode passar a fazer parte de uma bicicleta (para isso, na verdade, serão necessárias 700 latas de refrigerante, por exemplo). Já o aço, mas também o alumínio, poderão ser incorporados em ferrovias, infraestruturas e edifícios, peças de automóveis, eletrodomésticos ou até em novas embalagens.

Em Portugal são recicladas, por mês, embalagens de metal que dariam para produzir 15 milhões de talheres e, por ano, metal suficiente para fabricar peças para 58 mil automóveis.

Agora que já conhece um pouco da panóplia de produtos que podem ser fabricados a partir de embalagens usadas, e que já desmistificámos os principais argumentos  de quem não quer aderir a esta prática sustentável, não existem razões para não fazer a separação seletiva. A regra é sempre a mesma: temos de continuar a separar para reciclar, ou seja, para podermos dar nova vida a objetos que antes considerávamos lixo.

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