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Parar para pensar: teremos mais sustentabilidade depois da pandemia?

A segunda sessão de conferências online Parar para Pensar, parceria da DECO PROTESTE com o semanário Expresso, debateu a sustentabilidade após a covid-19. Há muito para mudar.

 

  • Texto
  • Ricardo Nabais e Filipa Nunes
23 junho 2020
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  • Ricardo Nabais e Filipa Nunes
Consumo sustentavel

A pandemia parece ser um desafio e o toque de partida num mundo em que a sustentabilidade passe a ocupar, de vez, o papel principal. Foi esta a ideia central da segunda sessão das conferências Parar para Pensar, uma iniciativa que junta a DECO PROTESTE ao jornal Expresso, que hoje teve mais uma sessão virtual, na conta do Facebook daquele semanário, com a moderação de Marta Atalaya, jornalista da SIC. 

Rita Rodrigues, responsável do departamento de relações institucionais da DECO PROTESTE, sublinhou o papel central dos consumidores nesta transformação que se pretende para um futuro diferente. “Foi por isso que colocámos o desafio: marcas, organismos públicos e privados e consumidores devem ter um objetivo comum. Daí termos lançado a campanha por um Dia Nacional da Sustentabilidade, a 25 de setembro”. “Acreditamos que os consumidores devem estar no centro desta transformação”, defendeu. Por isso, a organização lançou, ainda em tempo de pandemia, esta ação de mobilização dos consumidores, a pensar já na reconstrução pós-era covid-19.

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Na verdade, os comportamentos já indiciam alguma mudança. Um deles surpreendeu quem, há anos, se dedica a estabelecer uma ponte entre a recolha e reciclagem de resíduos, por exemplo. “Observámos padrões interessantes nos comportamentos das pessoas”, disse, a abrir a sessão, Ana Isabel Trigo de Morais, da Sociedade Ponto Verde. “Pensámos que iríamos ter uma grande quebra na reciclagem em Portugal. Mas não, vimos até um crescimento. O confinamento não faz parte dos nossos hábitos. As pessoas passaram a ir mais vezes ao ecoponto. Mantiveram e até reforçaram os seus hábitos de reciclagem”. Um bom sinal e, com a correta comunicação, um comportamento a manter no futuro. “As pessoas têm a noção de que o seu comportamento pode, de facto, fazer a diferença”.

Fiscalidade atenta

Carlos Lobo, especialista na área da fiscalidade, não gosta, por seu lado, de pensar que as melhorias sentidas na qualidade do ar e nos índices ambientais só possam ser alcançadas com uma paragem abrupta da economia. Se a pandemia nos obrigou a travar a fundo, a verdade é que não podemos parar o ritmo da transformação da sociedade num sentido mais amigo do ambiente. Mas também não podemos parar a atividade económica: “A chave está em conciliarmos o ambiente com a economia. Temos de adotar práticas de crescimento sustentável”. Para isso, recorda, os estados podem intervir através de impostos dirigidos a corrigir situações ambientalmente insustentáveis, como os que incidem sobre os combustíveis ou até taxas para desencorajar a utilização de sacos de plástico, por exemplo.  

A fiscalidade deve incentivar a economia circular, segundo Carlos Lobo. Deve ser mais amiga das atividades de reabilitação. Exemplos? “Todas as atividades de mão-de-obra intensiva para a reabilitação de determinados materiais não têm um sistema fiscal favorável”. Por isso, este especialista não acredita “em novos impostos, mas na alteração dos que já temos”.

Responsabilidade social

A responsabilidade social das empresas não escapou ao radar da conversa. Vanessa Romeu, do Lidl, lembra que aquela marca, cuja rede de supermercados já está presente em Portugal há vários anos, pretende fazer um esforço de transformação de hábitos de consumo. O sentido, defende, é o da sustentabilidade. “Esta paragem enorme, súbita, serviu para ver que é possível retroceder em alguns impactos ambientais negativos. Percebemos que se pode, de facto, fazer alguma coisa para garantir que a sustentabilidade se torne mainstream. Podemos, por exemplo, trazer sacos de casa, para as compras. Vendemos sacos de plástico reutilizáveis para as frutas e legumes. São reaproveitáveis. Dissemos que não, também, a um conjunto de descartáveis. Mas fazemos sempre com a perspetiva de dar uma alternativa ao consumidor”.

E como será o futuro do turismo, até ao ano passado um baluarte da economia nacional? Luís Araújo, do Turismo de Portugal tem, naturalmente, mais perguntas do que respostas sobre esta matéria. Mas acredita numa recuperação, até porque “nada do que nos caracteriza como um dos destinos preferidos do mundo deixou de existir”. É importante revitalizá-lo e os números são eloquentes a este respeito: “Nos últimos quatro anos, as receitas tinham crescido 60%. Crescemos mais em receitas do que em turistas, em zonas menos conhecidas e ao longo do ano. Mas a estratégia tem de ser alicerçada na sustentabilidade. Há lições que esta situação nos trouxe: o comportamento de viajar vai mudar. Aliás, consagrámos a sustentabilidade nas nossas metas, até 2027. Queremos que 90% das empresas desta área tenham medidas de gestão eficiente da água, da energia e dos resíduos”. 

Mas há mais, ainda mais a fazer. Sustentabilidade é também gestão do território, defende Carlos Lobo. “É um conceito que não tem só que ver com a vertente ambiental, mas também territorial e social. E ainda geracional. Por isso, a questão da luta contra a interioridade, o alargamento das áreas turísticas para essas zonas é excelente para uma maior coesão territorial, para podermos transportar riqueza para esses lugares. Não pode haver sustentabilidade sem coesão territorial”, conclui.

 

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A segunda conferência foi dedicada ao tema da Sustentabilidade. 

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