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Qual o impacto ambiental de maçãs e peras?

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Analisámos o impacto ambiental do transporte de maçãs e peras. Conclusão: quanto mais próxima a sua origem, melhor. Prefira as nacionais, para ser mais sustentável. 

  • Dossiê técnico
  • Fábio Aparício
  • Texto
  • Ricardo Nabais e Filipa Nunes
02 junho 2021
  • Dossiê técnico
  • Fábio Aparício
  • Texto
  • Ricardo Nabais e Filipa Nunes
caixa de maçãs a indicar "origem Portugal"

iStock

Tão comuns na mesa dos consumidores, estes frutos têm pegada ecológica: prefira os que apresentam origem mais próxima, nacional se possível. O transporte tem um impacto no ambiente que nem deve imaginar. Para chegarem às mesas urbanas - a maioria dos consumidores vive nas cidades -, são transportados por camião. Em alguns casos, têm de cruzar o Atlântico, de barco ou de avião.

Analisámos o peso ecológico do transporte de maçãs e peras em vários cenários, e a conclusão é sempre a mesma: se puder certificar-se de onde vêm antes de comprar, o ambiente agradece. E, claro, se a origem for nacional, melhor.

Como seguir uma alimentação mais sustentável

No caso das maçãs, o nosso cenário considerava quatro países de origem: Portugal, Espanha, Itália e Argentina. Medimos o impacto ambiental por quilo de CO2 equivalente, unidade de medida utilizada para o potencial de aquecimento global. E, se tentou adivinhar quem leva a palma das emissões maiores, e foi pelo óbvio, ou seja, pelo país mais distante (a Argentina), enganou-se. As maçãs provenientes de Itália, por camião, percorrem milhares de quilómetros, num veículo que produz mais emissões por cada quilo transportado do que o barco que traz maçãs argentinas.

Na verdade, as últimas também seguem de camião da província de Neuquén, no interior, até ao porto de Bahia Blanca. Chegadas a Lisboa, fazem novo trajeto por terra, em quatro rodas, até ao Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), no âmbito do nosso cenário. Mas a distância das duas viagens por camião é de cerca de metade da percorrida pelas suas congéneres italianas. Contas feitas, as maçãs transalpinas têm um impacto de 155 quilos de CO2 equivalente, enquanto as argentinas “ficam” pelos 84 quilos. Seria necessário, no caso italiano, plantar sete árvores para compensar as emissões anuais deste cenário. Tudo mudará, claro, se as maçãs sul-americanas vierem por avião: o impacto, neste caso, será 13 vezes maior do que se chegarem por mar. A conclusão é óbvia, mas a diferença pode ser assustadora: as maçãs nacionais, vindas de seis pontos do País no nosso cenário (o mais longínquo, a mais de 300 km) representam 9 quilos de CO2 equivalente. É fácil escolher.

A pegada ecológica das peras

No nosso estudo, uma vez que vem da Europa, a pera chega sempre por terra. Comparámos as que percorrem distâncias nacionais com as provenientes de Espanha, França e Holanda. Neste caso, é fácil: quanto maior o trajeto, por exemplo, dos Países Baixos até Lisboa (emissões de 141 quilos de CO2 equivalente), pior para o ambiente. Mas pode não ser tão evidente. A idade dos camiões usados na Holanda é, no geral, menor do que a dos veículos de outros países mais próximos, como Itália. Por isso, poluirão menos. Logo, a preferência do consumidor deve recair pelo que está próximo. O que é nacional é mesmo bom, neste caso.

Contas para a fruta nacional e importada

Sabemos, instintivamente, que comprar maçãs e peras nacionais terá menos impacto sobre o ambiente do que preferir as importadas. Mas as contas que fizemos ajudam a compreender melhor: podemos evitar a emissão de vários quilos de CO2 equivalente, ao optarmos pelos produtores mais próximos. Criámos um cenário em que nos abastecemos de 1 kg de maçãs por semana, durante um ano, de cada um dos produtores. Para as peras, seguimos a mesma regra: 1 kg por semana, durante um ano, de frutos comprados a cada um dos produtores.

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