Notícias

E as embalagens, são mesmo recicláveis? Em Portugal, quase todas

Em cooperação com a Consumers International, e com outros oito países, avaliámos o potencial de reciclagem de 11 embalagens. Em Portugal, a quase totalidade é passível de ser reciclada.

  • Dossiê técnico
  • Elsa Agante e Fábio Aparício
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
22 abril 2021
  • Dossiê técnico
  • Elsa Agante e Fábio Aparício
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
símbolo da reciclagem (três setas encadeadas num círculo)

iStock

Portugal, Austrália, Brasil, França, Hong Kong, Índia, Malásia, Nova Zelândia e Reino Unido uniram-se, em colaboração com a organização internacional de consumidores, Consumers International, num único estudo: determinar a percentagem de reciclabilidade de 11 embalagens de produtos tão diferentes como café solúvel e chocolate, passando por água com gás e gel de duche, até batatas fritas e comida para gato. Para o nosso país, as notícias são boas: 90% do peso total das embalagens pode ser reciclado, à semelhança do que acontece em Hong Kong. É um resultado que põe Portugal à frente de outros países europeus, como França e Reino Unido.

A desigualdade em termos de reciclagem é bastante acentuada entre os participantes no estudo. Os 1800 milhões de consumidores dos nove países (selecionados tendo em conta a representatividade em várias regiões do mundo e a capacidade de integrarem um estudo em plena pandemia) têm ao dispor hipóteses bem diversas ao nível das escolhas sustentáveis. 

Seja um consumidor sustentável

Nescafé Original em frasco de vidro, chocolates M&M, Toblerone, KitKat e chocolate para barrar Nutella, Coca-Cola de lata em pack, batatas fritas Pringles, ketchup da Heinz, água com gás San Pellegrino em garrafa de plástico, gel de duche Dove e comida para gato da Whiskas foram escrutinados (e escolhidos por pertencerem a oito das 30 maiores empresas de alimentos e bebidas do mundo). À exceção da Pringles, as embalagens são quase totalmente recicláveis em Portugal. A Coca-Cola, o gel de duche Dove e a água San Pellegrino são os três produtos com maior potencial de reciclabilidade, em todos os países. Já os que apresentam menos possibilidades são as Pringles, o KitKat e os M&M. Contudo, em Portugal, as duas últimas embalagens podem ser recicladas.

 
Analisámos 11 embalagens para determinar em que medida eram recicláveis.

Medimos a percentagem de peso da embalagem que, na prática, é passível de reciclar, bem como a percentagem da própria embalagem que pode sê-lo. Analisámos ainda o rótulo, confrontando a sua informação com aquilo que, na prática, os materiais da embalagem permitem fazer.

Quão difícil é reciclar a embalagem toda?

Percentagem de embalagem não passível de ser reciclada. 

Embalagens recicláveis: cada país, sua sentença

Nenhum dos 11 produtos consegue ser totalmente reciclado nos nove países envolvidos no estudo. Em média, mais de um terço do peso é difícil de reciclar. Quanto aos vários componentes que integram a embalagem, em média, entre um terço e metade não podem ser reciclados. Uma combinação entre fracas infraestruturas de reciclagem, em muitos países (o que não se verifica em Portugal), e embalagens não adequadas falham as expectativas dos consumidores nas suas opções sustentáveis. Além disso, os rótulos, por vezes, são confusos e não são percetíveis para qualquer consumidor. Por exemplo, um rótulo com símbolos europeus pode não ser compreendido por um australiano ou por um neozelandês.

Portugal encontra-se muito bem posicionado no que se refere à possibilidade de reciclagem das embalagens. Apenas as batatas fritas Pringles falham nesse aspeto, um problema igualmente verificado noutros países. O Brasil e a Índia foram a exceção à regra. 

Existem alguns componentes das embalagens, que, devido ao seu tamanho, podem não ser reciclados em Portugal. Pequenos invólucros, cuja função é selar o conteúdo e ajudar a conservar a qualidade do produto, uma vez separados da restante embalagem, dificilmente serão recuperados nas estações de triagem, pelo que provavelmente não serão reciclados. Outra limitação no nosso país são os diferentes materiais que convivem na mesma embalagem. Por exemplo, os boiões de vidro do Nescafé e da Nutella apresentam uma tampa em plástico, além do invólucro para selar o conteúdo, que poderá não ser possível separar do restante vidro no momento da triagem.

Embalagens: percentagem de peso reciclável

 

As embalagens analisadas em Portugal são quase todas passíveis de serem recicladas. Todos os países que colaboraram no estudo da Consumers International analisaram os mesmos produtos.  

Rótulos com omissões ou incorreções

A informação disponibilizada nos rótulos apresenta omissões. Com exceção do gel de duche Dove, não há nenhuma indicação quanto à existência de material reciclado na produção das embalagens. Do mesmo modo, na maioria dos produtos analisados, falta informação sobre o local correto para colocar a embalagem, após a utilização. Encontrámos ainda incorreções nos rótulos. Nas embalagens dos M&M e do KitKat, pode ler-se que devem ser depositadas no lixo indiferenciado. No entanto, estas embalagens são recicladas em Portugal, pelo que o símbolo utilizado é incorreto. Em Portugal, mas também em Hong Kong, a informação nos rótulos é insuficiente, quando comparada com a dos outros países.

As marcas dos produtos selecionados apresentam um elevado compromisso ao nível da sustentabilidade, e a maioria integra o News Plastics Economy Global Commitment (Nova Economia do Plástico), cujo compromisso é aumentar o uso do plástico reciclado em embalagens em mais cinco vezes, em 2025. É o equivalente a manter, por ano, 25 milhões de barris de petróleo no solo. Porém, o desempenho das empresas é diferente em cada país envolvido nos testes.  

Reconhecemos o esforço que tem vindo a ser desenvolvido pelas empresas na conceção de embalagens que possam ser efetivamente recicladas. No entanto, apesar dos bons resultados, é ainda necessário realizar um trabalho conjunto entre as empresas e as entidades envolvidas na reciclagem das embalagens, para eliminar pequenos componentes que correm o risco de se perderem antes de chegarem ao reciclador.  

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.