Notícias

O desporto tem impacto ambiental

Sabia que o impacto do desporto ao nível mundial pode ser equivalente às emissões de um país da dimensão de Espanha? Como podemos marcar pontos pelo planeta?

05 julho 2022
impacto ambiental no desporto

iStock

Os fãs do ténis tiveram uma prenda especial na edição deste ano do Roland Garros, um dos principais torneios da modalidade, disputado em Paris. Foram quatro horas e doze minutos de rasgos de génio, um Nadal versus Djokovic que ficará para a História. 

Mas, se o desporto é fundamental para a nossa saúde, pode não ser nada benéfico para o ambiente. Essa ameaça ao planeta traduz-se no consumo de recursos, emissões para a água, solo e para a atmosfera, aqui apresentadas na unidade de CO2 equivalente: sabia que, nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, 100% da neve teve de ser gerada artificialmente? E que os campos de golfe do Algarve consomem 15 milhões de metros cúbicos de água, quase 20% do consumo urbano na região? Voltando ao nosso exemplo do ténis, já pensou na pegada ecológica do transporte de milhares de adeptos à capital francesa, no aparato tecnológico utilizado para transmitir esta partida épica para o mundo, na quantidade de energia consumida no recinto? É fácil deduzir o impacto causado. E até algo aparentemente tão inofensivo quanto o número de bolas usadas no jogo pode ter consequências. Todos os anos são produzidas 300 milhões de bolas de ténis em todo o mundo. Tendo em conta a curta durabilidade e o facto de não serem reutilizadas ou recicladas, são um problema para o ambiente. Até porque demoram cerca de 400 anos a decompor-se. 

Visite o nosso Portal Mais Sustentabilidade

O mesmo é válido para um desporto "parente" e muito em voga nos últimos anos, o padel — uma caixa de três bolas não dura mais do que três partidas. Haveria forma de as reciclar se houvesse um local onde deixar as bolas que já não usamos para as separar do lixo comum. Mas, neste caso, estes locais não existem em larga escala.

Futebol ao ataque em impactos ambientais

Se o ténis ou o padel têm este impacto, que dizer do desporto mais admirado em todo o mundo, o futebol? A prática é quase inócua para o ambiente, já que basta andar a correr atrás de uma bola durante hora e meia, mas a popularidade é trágica para o ambiente. A preservação do planeta perde, e por goleada: o Mundial de 2010, na África do Sul, foi responsável pela emissão de mais de 2,8 milhões de toneladas de CO2, enquanto a edição de 2014, no Brasil, emitiu 2,7 milhões de toneladas. Por outro lado, em 2018, na Rússia, as emissões não passaram das 2,2 milhões de toneladas de CO2. A maioria delas, cerca de 1,6 milhões de toneladas, tiveram origem indireta, por estarem associadas ao transporte de mais de cinco milhões de fãs, jogadores e staff. 

Duas rodas contra o ambiente

Outras atividades físicas aparentemente inócuas, mas bastante trendy, também deixam o seu rasto de emissões. Andar de bicicleta alia, e com razão, a saúde física à sustentabilidade: quem assim se desloca poupa a atmosfera aos gases que saem dos tubos de escape dos automóveis. No entanto, quando entramos noutro nível, o da competição a duas rodas, aumenta o impacto ambiental associado à organização das provas nacionais e internacionais, que se junta às emissões devidas à produção destes simpáticos veículos. 

A Deceuninck – Quick-Step, uma equipa de ciclismo world tour (uma das principais ao nível mundial) estudou o seu impacto ambiental durante o ano de 2020 e chegou à conclusão de que as emissões que produziu seriam equivalentes a 179 voltas ao mundo de carro: se somarmos as deslocações dos atletas para todos os lugares onde se disputam as provas, o facto de a competição em si ser acompanhada por automóveis de apoio... 

Mas é evidente que não podemos, nem devemos, deixar de praticar desporto. Por isso, é crucial que o Governo crie todas as condições necessárias para tornar obrigatória a recolha seletiva, não só dos têxteis (já prevista para 2025), como também dos restantes resíduos gerados durante a prática de desporto, como bolas. Já existem algumas soluções, falta a recolha. Será pedir muito?

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.