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Colchões "anti-escaras": o que são e para que servem

As escaras ou úlceras por pressão são um problema recorrente em pessoas temporária ou permanentemente acamadas. Descubra as superfícies de apoio que podem ajudar e os cuidados a adotar para prevenir o desenvolvimento de escaras.

Colchão anti-escaras

iStock

Uma escara ou úlcera por pressão é uma lesão que surge na pele ou nos tecidos subjacentes cuja localização está associada às proeminências ósseas e à posição do corpo quando sentado ou deitado. Pode afetar várias camadas de pele, músculos e ossos. As regiões do sacro, dos calcanhares, dos cotovelos e das omoplatas são áreas consideradas de risco elevado.

O desenvolvimento de uma úlcera por pressão resulta da influência de três fatores: pressão, deformação e fricção. Estes elementos impedem o fornecimento de sangue àquela área específica, o que se traduz numa deficiente irrigação sanguínea com ocorrência de lesão e morte dos tecidos.

A influência de determinados fatores fisiológicos — como o aumento de idade, défice nutricional, desidratação, existência de doenças sistémicas (por exemplo, doenças cardiovasculares, anemia, diabetes mellitus, entre outras), alterações da mobilidade e sensibilidade, aumento de humidade associada à incontinência e à transpiração, aumento da temperatura corporal — podem aumentar a predisposição e o risco de desenvolvimento de úlceras por pressão.

Quais as categorias de escaras ou úlceras por pressão?

De acordo com a classificação da EPUAP (European Pressure Ulcer Advisory Panel), as úlceras por pressão podem ser classificadas em:

  • categoria 1 (eritema não branqueável): a pele mantém-se intacta, apresentando rubor não branqueável quando é aplicada pressão.
  • categoria 2 (perda parcial da espessura da pele): apresenta-se como uma ferida superficial ou como uma flitena aberta ou fechada com líquido seroso.
  • categoria 3 (perda total da espessura da pele): existe lesão do tecido subcutâneo sem exposição dos ossos, tendões ou músculos.
  • categoria 4 (perda total da espessura dos tecidos): lesão com exposição óssea, dos tendões ou dos músculos.
  • inclassificável: perda total da espessura dos tecidos, com a base da lesão coberta por tecido desvitalizado – a profundidade real não é visível porque a lesão se encontra coberta por fibrina ou tecido necrosado.
  • suspeita de lesão nos tecidos profundos: área vermelho-escura ou púrpura localizada em pele intacta - pode também ser uma flitena hemática.

Como prevenir escaras ou úlceras por pressão?

Estima-se que cerca de 95 por cento das escaras ou úlceras de pressão sejam evitáveis através da identificação precoce do grau de risco. A sua prevenção é essencial e existem vários passos que devem ser considerados.

Identificar os doentes em risco

Qualquer pessoa pode desenvolver uma úlcera por pressão, mas os doentes idosos, acamados, paralisados e desnutridos correm um risco mais elevado.

A identificação de indivíduos que correm o risco de desenvolverem úlceras por pressão e o início das medidas preventivas são passos importantes para a redução deste tipo de lesões.

A avaliação deve ser feita por um profissional de saúde qualificado, com recurso a ferramentas de avaliação de riscos (por exemplo, escala de Braden) e o mais precocemente possível.

Avaliar e cuidar a pele

Além da avaliação de risco, o profissional de saúde deve proceder a uma rigorosa avaliação da pele e da sua integridade, para identificar precocemente os possíveis sinais de lesão. Para prevenir o desenvolvimento de escaras, deve adotar alguns cuidados.

  • Observe a pele, no mínimo, uma vez por dia.
  • Mantenha a pele seca.
  • Limpe a pele sem friccionar, com água à temperatura corporal e detergente neutro.
  • Utilize toalhas macias e cremes hidratantes para serem massajados até estarem absorvidos.
  • Em caso de incontinência, deve limpar e secar a pele, bem como utilizar uma proteção que não a irrite.
  • O aparecimento de uma zona vermelha na pele pode ser um sinal de ferida. Contacte imediatamente um profissional de saúde e não posicione o seu familiar sobre essa zona avermelhada ou qualquer outra ferida, nem massaje essas zonas.
  • Os tratamentos às feridas devem ser feitos sempre por um profissional de saúde qualificado.

Melhorar a nutrição

É estimado que exista uma relação direta entre a malnutrição e a gravidade ou incidência de escaras. Recomenda-se que todos os doentes que estejam em risco de as desenvolver sejam alvo de uma avaliação nutricional. É importante manter um regime alimentar equilibrado e uma hidratação regular.

Mudar de posicionamento

O reposicionamento é muito importante para a prevenção e o tratamento de escaras. Isto permite reduzir a duração e a magnitude da pressão exercida sobre as áreas mais vulneráveis do corpo, enquanto promove a perfusão tecidular normal. 

A frequência do reposicionamento deve ser definida por um profissional de saúde e ajustada às características individuais de cada um (por exemplo, de acordo com o seu grau de inatividade, de imobilidade ou de capacidade para se posicionar).

Utilizar superfícies de apoio

São consideradas superfícies de apoio qualquer colchão (vulgarmente chamados de “colchões anti-escaras”), sistema de cama integrada, colchão de substituição ou almofada de cadeira, que visem contribuir para a prevenção de escaras ao reduzirem ou minimizarem o efeito da pressão nos tecidos.

Há uma grande variedade destes dispositivos disponíveis no mercado. O seu desempenho depende de vários fatores, por isso, deve conhecer todas as suas características antes de escolher o mais indicado. Algumas das características e das necessidades individuais a considerar na escolha de uma superfície de apoio são:

  • nível de imobilidade e de inatividade;
  • tamanho e peso do indivíduo;
  • número, gravidade e localização de úlceras por pressão existentes;
  • risco de desenvolvimento de novas úlceras por pressão;
  • facilidade de uso;
  • impacto nos cuidados de enfermagem;
  • opinião dos utentes e dos prestadores de cuidados.

Lembre-se de que a escolha de qualquer superfície de apoio deve ser analisada caso a caso, com o auxílio de um profissional de saúde qualificado, uma vez que não existe nenhuma opção que seja adequada para todos os utentes.

Que tipos de superfícies de apoio existem?

Esta grande variedade de dispositivos pode classificar-se, consoante a sua natureza, em:

  • superfícies estáticas: caracterizam-se pela redistribuição da pressão sobre uma área grande. Quanto maior for a superfície de contacto, menor será a pressão a suportar. As superfícies de apoio estáticas podem ser constituídas por ar, água, gel sólido, espuma de poliuretano, espuma de poliuretano viscoelástica, microcânulas de silicone e polímeros de proteção.
  • superfícies dinâmicas: distinguem-se pela variação de pressão através de meios mecânicos, enquanto reduzem a duração da pressão aplicada em pontos diferentes do corpo. Procuram redistribuir continuamente a pressão sobre os tecidos que são expostos a alta e a baixa pressão.
  • superfícies mistas: incorporam características das superfícies dinâmicas e estáticas. Incluem uma base de sensores barocetivos que transmitem a informação da pressão exercida pelo indivíduo. Possuem um software de computador que interpreta as informações e que altera a pressão de inflação das células consoante os dados recebidos.

Que tipos de almofadas existem?

A EPUAP (European Pressure Ulcer Advisory Panel, painel científico que emite recomendações para evitar úlceras de pressão, ao nível europeu) recomenda que os indivíduos em risco de úlcera por pressão nos calcanhares ou com úlcera por pressão de categoria 1 e 2 devem elevar os calcanhares com recurso a um dispositivo de suspensão específico para o calcanhar ou uma almofada (recomendação baseada num nível de evidência moderada ou baixa).

Os preços destas almofadas podem variar. Os modelos básicos de algodão e de espuma custam a partir de 20 euros. As almofadas de espuma viscoelástica, que são as mais comuns, podem custar a partir de 40 euros. E os modelos de ar, que são semelhantes aos colchões anti-escaras de ar, custam a partir de 100 euros.

Como escolher um colchão para prevenir escaras?

Antes de tomar uma decisão, a orientação de um profissional de saúde qualificado é essencial, para ajudar a escolher o tipo de colchão mais adequado, tendo em conta as necessidades do paciente em questão. Deve ainda explicar como utilizar o equipamento e considerar o orçamento disponível.

A EPUAP recomenda o uso de colchões de espuma de uma camada, preferencialmente com uma espuma reativa de alta especificidade, em indivíduos em risco de desenvolver úlcera por pressão (esta recomendação é baseada num nível de evidência moderado ou baixo).

Existem colchões normais de espuma viscoelástica que são capazes de auxiliar, de modo provisório, na movimentação das pessoas imobilizadas. Se procura um colchão adequado que possa continuar a utilizar após a recuperação da doença, consulte o nosso comparador de colchões para escolher entre dezenas de modelos.

Se um “colchão anti-escaras” for recomendado para a situação do paciente, existem várias opções disponíveis. Estes colchões são projetados para proporcionar um alívio de pressão nos tecidos, enquanto protege os seus utilizadores do desenvolvimento de úlceras.

Estes modelos oferecem suporte para a cabeça e para o corpo, enquanto distribuem o peso da pessoa e reduzem a pressão aplicada em qualquer área do corpo. 

Que colchões anti-escaras existem?

Colchões anti-escaras de espuma viscoelástica

Pontos fortes

  • Moldam-se ao corpo do paciente, enquanto proporcionam uma boa área de apoio.
  • Reduzem o risco de deformação de zonas do corpo devido ao movimento.
  • Aliviam a pressão ao longo do tempo, ao distribuir o peso uniformemente sobre uma grande superfície.

Pontos fracos

  • Não aliviam ativamente a pressão.
  • Costumam reter o calor do corpo e podem ficar quentes demais para dormir.
  • Não são adequados para pacientes com alto risco de desenvolvimento de escaras ou para pacientes com úlceras de pressão mais profundas.

Colchões anti-escaras de baixa perda de ar

Pontos fortes

  • Adequados para o tratamento de quaisquer úlceras de pressão.
  • Oferecem uma superfície mais fria para maior conforto.
  • Ajustam automaticamente a pressão sem ter de reposicionar o paciente (por exemplo, durante o sono).
  • Mantêm a pele mais seca, o que é fundamental para evitar a rutura da pele.

Pontos fracos

  • Precisam de estar sempre ligados a uma fonte de alimentação.
  • Fazem barulho, o que pode perturbar o sono.

Colchões anti-escaras de pressão alternada

Pontos fortes

  • São programáveis.
  • Acalmam as dores musculares.
  • Evitam a rutura da pele.
  • São fáceis de usar e limpar.
  • Minimizam a quantidade de humidade que se acumula ao redor do corpo.

Pontos fracos

  • Têm um maior custo devido ao consumo de energia.
  • Fazem barulho, o que pode perturbar o sono.

Colchões anti-escaras de baixa perda de ar com pressão alternada

Pontos fortes

  • Reúnem as vantagens dos colchões de baixa perda de ar e de pressão alternada.
  • Previnem e tratam lesões causadas por pressão na pele.
  • Permitem que a pressão seja bem distribuída na superfície.
  • O modo estático permite o tratamento sem interrupção da terapia de alívio de pressão.

Pontos fracos

  • São apenas indicados para camas hospitalares, pois não cabem numa cama convencional.
  • Devem estar sempre ligados a uma fonte elétrica.

4 fatores a considerar na escolha do colchão

  • Tamanho: considere as dimensões do estrado da cama no momento da compra do colchão para que este fique bem acomodado.
  • Capacidade de peso: algumas pessoas imobilizadas tendem a ganhar peso devido à falta de exercício e de movimento. Antes de comprar o colchão, verifique a capacidade de peso e tenha em consideração o possível ganho de peso do paciente. Por exemplo, se a pessoa pesa 70 quilogramas, escolha uma superfície que suporte 20 quilogramas a mais, no mínimo.
  • Qualidade: os colchões de baixa qualidade são mais baratos, mas deve considerar a utilização que o produto terá. Se a pessoa usar o colchão durante 24 horas por dia e sete dias por semana, ou se os danos no corpo forem significativos, o colchão deve ser extremamente confortável e integrar todas as funcionalidades necessárias.
  • Ruído: certos modelos (por exemplo, colchões de baixa perda de ar) contam com um soprador para bombear o ar a toda a hora. Algumas pessoas conseguem ignorar o ruído de fundo, mas outras podem achar desconfortável durante o sono.

Após ter realizado a sua escolha, não se esqueça que o colchão selecionado dever ser alvo de uma revisão regular, de forma a garantir que funciona corretamente, que se mantém dentro do seu período de vida útil e que permanece adequado às características do utente.

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