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Perdas de água: 90 milhões de euros desperdiçados por ano

Por falta de manutenção das condutas, há entidades gestoras que falham em evitar a perda de 180 milhões de metros cúbicos de água. Macedo de Cavaleiros e Peso da Régua estão entre os piores exemplos.

  • Dossiê técnico
  • Antonieta Duarte
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
25 junho 2019
  • Dossiê técnico
  • Antonieta Duarte
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
perdas agua

Inspirart e Nuno Semedo

 

Um pouco por todo o País, assiste-se impunemente à perda de milhares e milhares de litros de água anuais, no armazenamento, no transporte e na distribuição. A Norte, mais concretamente em Trás-os-Montes, mora o pior caso ao nível nacional. Em Macedo de Cavaleiros, são 642 litros de água perdidos por ramal e por dia. Em Santo Tirso e Trofa, situa-se o melhor exemplo: 13 litros perdidos, por ramal e por dia. Entre um e outro, vai um mar desperdiçado. Na cidade transmontana, a contabilização é astronómica: as perdas anuais chegam a uns inimagináveis 2 352 058 metros cúbicos de água. Os dados são da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR).

Globalmente, perdem-se, por ano, 179 722 877 metros cúbicos de água em 258 municípios, o que corresponde a 197 piscinas olímpicas por dia. E muito mais água se perderá para além deste valor, tendo em conta os 20 municípios que desconhecem o volume desperdiçado. Contas feitas, anualmente, perdem-se mais de 180 milhões de metros cúbicos de água, o que corresponde a deitar fora cerca de 90 milhões de euros.

A importância de um indicador como as perdas de água não precisa de mais argumentos. A DECO considera que uma quantia tão elevada não deve repercutir-se na fatura cobrada ao consumidor, o que contraria a ideia sustentada pela ERSAR. Para um município obter boa avaliação, as perdas de água não devem ser inferiores a 100 litros por ramal e por dia. Um limite, porém, largamente ultrapassado em muitos municípios.

 
 
Esta lista tem como base o indicador de perdas de água da ERSAR. Com números de 2017, reflete os 15 piores casos em Portugal Continental. Mas, além destes 15 municípios, 91 têm perdas acima do aceitável e 20 nem responderam sobre o volume perdido. 

 

A reabilitação de condutas com mais de dez anos é insatisfatória em 200 municípios. E o facto de as entidades gestoras não renovarem as condutas mais “antigas” poderá levar ao colapso das mesmas, dando origem a avarias e a perdas de água da rede.

Do ponto de vista ambiental e social, a água perdida ao longo do transporte, em condutas e ramais, até chegar às habitações, é o reflexo do uso ineficiente de um recurso natural. Além do mais, referimo-nos a água já tratada. Por essa razão, há um duplo impacto negativo. Primeiro, pelo facto de se tratar de um recurso escasso e,segundo, por haver uma perda económica para a entidade gestora, dado já ter investido no tratamento.

 

 

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