Notícias

Perdas de água: 85,5 milhões de euros desperdiçados

Em 2018, perderam-se 172 milhões de m3 de água, o que corresponde a um prejuízo de 85,5 milhões de euros. Macedo de Cavaleiros, Terras de Bouro e Chaves são os piores municípios.

  • Dossiê técnico
  • Antonieta Duarte
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
02 março 2020
  • Dossiê técnico
  • Antonieta Duarte
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
rotura de água num cano

iStock

 

Macedo de Cavalheiros continua a encabeçar, em Portugal Continental, a lista das perdas reais de água, um dos indicadores em que se baseia a avaliação da qualidade do serviço prestado pelas entidades gestoras. Só naquele município, em 2018, a quantidade de água que se perdeu ao longo dos ramais e das condutas traduziu-se em 1,94 milhões de m3 (ou 778 reservatórios médios de abastecimento de água por ano com capacidade para 2500 m3). Embora tenha havido uma melhoria (em 2017, foram 2,35 milhões de m3), o município transmontano surge em primeiro lugar há anos consecutivos no relatório da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), elaborado com base na informação facultada pelas entidades.

Os números mais recentes são de 2018, e é com base neles que se traça um diagnóstico. E estamos a falar da perda da água já tratada que circula nas condutas e está preparada para entrar nas torneiras de nossas casas. Em 2018, tal como no ano anterior, 21 entidades não responderam à ERSAR. Ou seja, não conseguiram precisar a quantidade desperdiçada de um recurso escasso como a água, e que podem ser valores muitíssimo elevados. 

Na fase da distribuição, as perdas de água dão sinais positivos nuns municípios, mas negativos noutros. Alcochete e Alvito, por exemplo, de 2017 para 2018, melhoraram, perdendo menos 143 553 m3 e 15 981 m3, respetivamente. O desperdício não é uma fatalidade. A ação necessária para tentar estancar as fugas passa, sobretudo, pela reabilitação e manutenção das condutas que transportam a água até às habitações e que em Portugal Continental perfazem quase 103 mil quilómetros. A criação de cinco agregações no final de 2019, envolvendo 35 municípios, parece corresponder a uma tentativa de melhorar a gestão dos serviços de águas.

 
  
Um município com insatisfatório tem perdas reais de água superiores a 150 litros por ramal e por dia, de acordo com os parâmetros da ERSAR. No total, são 80 os concelhos com nota negativa.
 

Entre 2017 e 2018, as perdas reais de água diminuíram ligeiramente. Em 2017, mais de 180 milhões de m3 de água dissiparam-se, o que corresponde a esbanjar cerca de 90 milhões de euros. Um ano depois, o balanço é um pouco mais animador, mas insuficiente: as perdas reais de água desaceleraram para 172 milhões de m3, o que corresponde a desperdiçar à volta de 85,5 milhões de euros. As falhas na gestão e no empenho das entidades gestoras explicam, em grande parte, o facto de os valores de 2018 se manterem muito similares aos do ano anterior.

 
 

O impacto da fraca reabilitação de condutas pode ser significativo. Avarias, falhas e perdas reais de água produzem efeitos negativos nas entidades gestoras, com o aumento dos custos de investimentos em reparações não planeadas. Mas também os consumidores e a comunidade envolvente podem ser lesados, pela possibilidade de haver acidentes provocados por rutura de condutas. Neste cenário, corre-se o risco de as perdas se associarem aos tarifários pagos pelos clientes.

A recuperação dos custos incorridos pelas entidades gestoras não deve ser refletida diretamente no preço cobrado na fatura da água. É necessário, pois, um mecanismo de correção que garanta a harmonização tarifária nas regiões e nos municípios e que impeça que os custos de ineficiência recaiam sobre o consumidor que, neste complexo enquadramento, é o elo mais fraco. Nesse sentido, o Regulamento Tarifário dos Serviços de Água, ainda por aprovar, é um instrumento que pode ter um papel determinante na definição das tarifas a cobrar.

 

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.