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Pagar pelo lixo produzido: o projeto de Guimarães

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O que paga pelos resíduos depende do que consome da água. Uma ligação sem sentido. As duas até podem vir na fatura da água, mas apresentamos um exemplo de como podem e devem ter cálculos independentes.

17 novembro 2017
água não é lixo

Fotos: José Pedro Tomaz

A gestão de resíduos que preconiza que o poluidor paga o lixo indiferenciado que produz designa-se de Pay-as-you-throw (PAYT). Um princípio que separa a água do lixo, ao contrário do que acontece na maioria dos municípios do País. Se ainda não reparou, está na hora de o fazer. A fatura da água contempla o custo, não só da água e do saneamento, mas também dos resíduos. Esta “proximidade” facilitou um cálculo infundado: o que paga pelos resíduos tem como base a quantidade de água que gasta. É uma alínea que passa despercebida aos mais distraídos. Descubra mais pormenores na nossa ação em www.lixosemagua.pt.

conhecer a ação lixo sem água

 

No centro de Guimarães, num projeto-piloto semelhante a outros de vários países europeus, o utilizador paga a tarifa em função dos resíduos que produz. Este modelo, contudo, ainda é uma exceção em Portugal. Existem outros projetos-piloto do PAYT (Cascais, Maia, Óbidos e Portimão), mas ainda sem reflexo na fatura. Não existe uma relação linear entre o lixo que produzimos e a água que gastamos, mas essa dependência continua a ser efetiva na fatura da água. O cálculo da tarifa de resíduos surge na falta de uma metodologia mais apurada. Uma solução fácil, mas injusta. Uma família que consome muita água, mas coloca os resíduos recicláveis nos ecopontos, produz pouco lixo indiferenciado. Deveria, por isso, ser compensada do ponto de vista económico. O princípio vigente é injusto para o cidadão que separa os resíduos e os encaminha para a reciclagem.

De acordo com uma análise que realizámos, o resultado é o mesmo em 74% dos 308 municípios que avaliámos: o cálculo do valor dos resíduos incide sempre na quantidade de água gasta todos os meses. Nos restantes concelhos, o cálculo dos resíduos também não tem em conta a adesão dos consumidores à separação do lixo para reciclagem.


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