Notícias

Filtros inúteis para quem tem água da rede pública

20 julho 2015
filtros

20 julho 2015

Em 13 casas que visitámos, apenas 1 precisava realmente de um filtro de água, por ser abastecida por um furo. Os filtros são dispensáveis se tiver água da rede pública. Até podem potenciar o desenvolvimento de microrganismos indesejáveis.

Início

São várias as empresas que destacam o mundo puro e de qualidade superior da água filtrada com aparelhos domésticos, face à água da torneira. Mas omitem que a água da rede pública já é de boa qualidade. No caso dos filtros Brita, nem sempre fica claro que não servem para tratar a água potável.

O sabor é o principal motivo para os consumidores instalarem um filtro. “Dá-me muito mais prazer beber água filtrada”, afirma Leonor Casanova, de Lisboa, uma das consumidoras que aceitou o desafio e participou no nosso teste. “O café fica muito melhor. Ao cozinhar, os grelos ficam mais verdes”, reforça, louvando os efeitos do filtro que comprou por 140 euros na Leroy Merlin. Há também o cuidado com a qualidade: “tenho a preocupação em retirar alguns químicos da água”.

Mas, salvo raros exemplos, a água da rede pública cumpre os critérios de qualidade definidos por lei. Além disso, é muito mais barata. Se beber 2 litros de água da torneira por dia, ao fim de um ano gasta € 1,75 euros. Ao usar um filtro de torneira, o custo dispara para € 343 anuais. Os filtros portáteis, para jarros, são mais em conta, € 59 por ano. Mas não tornam apta a água imprópria para consumo, embora reduzam alguns componentes responsáveis pelo cheiro, aspeto e sabor.

Para a água da rede, considerámos o preço em Lisboa. O preço dos filtros foi dado pelos voluntários e inclui o custo de manutenção e da água.
Para a água da rede, considerámos o preço em Lisboa. O preço dos filtros foi dado pelos voluntários e inclui o custo de manutenção e da água.

A água da rede pública deve ser incolor, inodora e insípida, e os consumidores tendem a recusá-la e a desconfiar quando algum destes parâmetros falha. Raramente há razão para tal. Mesmo assim, há quem desconfie e opte pelos filtros.

Deslocámo-nos à casa de 13 consumidores que pretendiam avaliar se os filtros que tinham comprado - alguns acima dos € 2 mil - funcionavam. Recolhemos água antes e após a passagem pelo filtro. Verificámos e quantificámos a presença de microrganismos, sódio, cálcio, nitratos, ferro, dureza, cloro residual livre, alumínio, chumbo e trihalometanos, entre outros. Averiguámos os motivos da compra do filtro, a loja, o preço e o tipo de assistência prestada pela marca. Conheça os resultados do estudo.


Imprimir Enviar por e-mail