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Reutilizar água: recicle 60% em casa

22 fevereiro 2016

22 fevereiro 2016

A água reaproveita-se: da banheira para o autoclismo ou do reservatório de água da chuva para lavar pavimentos e regar. Escoar água de um sítio para outro é simples e evita desperdícios.

Quando toma duche, ao invés de deixar escorrer a água pelo ralo da banheira, pode reaproveitá-la para substituir as descargas do autoclismo. Em média, gastamos cerca de 80 litros de água por duche. Ora, 10 litros podem ser descarregados de cada vez que usa o autoclismo. Só estas ações significam mais de 60% do consumo total de água em cada lar. Trata-se de um ciclo de reaproveitamento e de retenção de milhares de litros das chamadas águas cinzentas. Basta reutilizar a água dos duches e dos lavatórios. Outra via é reaproveitar as águas residuais urbanas e de chuva.

Autoclismo é o maior gastador
Considerando uma família portuguesa de 3 pessoas, o consumo diário de descargas de autoclismos ronda os 124 litros, se cada elemento pressionar 4 vezes o botão da descarga de um modelo com 10 litros. Assim, só o autoclismo representa, por ano, 45 mil litros de água, que cabem numa piscina com 5 metros de comprimento, 4,5 de largura e 2 de altura.

A adaptação a este cenário requer a instalação de reservatórios para armazenar aquelas águas, além de também poderem servir para reter a água da chuva. Na maioria dos casos, os grandes depósitos podem ser subterrâneos, mas os mais pequenos, para abastecer os autoclismos podem ser embutidos numa das paredes da casa de banho ou colocados no armário do lavatório. Estão excluídas as águas, originárias de sanitas, lava-loiças e máquinas de lavar.

Águas pluviais
Os sistemas de captação de água da chuva variam, desde os mais simples e baratos, até aos complexos e caros. Em geral, consistem em tubos de escoamento (sarjetas, algerozes e reservatórios).

A água da chuva serve para lavar pátios, automóveis e abastecer os autoclismos.

A que não se infiltra no solo escoa até ser captada pela rede de drenagem de águas residuais ou por um curso de água.

Telhados, pátios, calçadas e outras superfícies impermeáveis também podem ter um papel ativo no seu aproveitamento.

Há que projetar os edifícios e paisagens para maximizar a área de recolha.

É essencial uma cisterna para armazenar coberta de modo a minimizar a evaporação. Um reservatório subterrâneo aproveita a chuva, incluindo a que escorre no pavimento: para elevar a água desde o reservatório até ao local de uso precisa de uma bomba. Um reservatório enterrado não ocupa espaço acima do solo, mas os custos de instalação são superiores. O volume calcula-se em função da área a regar.

Águas residuais domésticas
A reutilização destas águas é interessante para fins não potáveis, com o máximo de aproveitamento em moradias, dadas estas terem, em geral, usos exteriores que prescindem de água potável. Não implica a duplicação total da rede predial, se o objetivo for, por exemplo, a descarga de autoclismos, a rega de jardim ou a lavagem de espaços próximos do edifício.

Incluem as dos lavatórios, duches, banheiras e bidés e contêm uma reduzida concentração de poluentes orgânicos e patogénicos. O melhor fim é reutilizá-la em descargas de autoclismo, rega de relvados e rega superficial de plantas não comestíveis.

O sistema de aproveitamento de águas residuais domésticas deve ser implementado em fase de projeto e de construção ou de reabilitação do edifício, contribuindo para reduzir a procura de água potável nas habitações. Seria desejável que a legislação e regulamentação nacional pudessem ser adaptadas para permitir implementar, de forma alargada, sistemas de reciclagem destas águas.