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Incêndio no Festival Andanças: o que fazer se está entre as centenas de afetados

04 agosto 2016 Arquivado
incendio em festival

04 agosto 2016 Arquivado
Quem tem cobertura de incêndio no seguro automóvel, deve ativá-la de imediato. Se a sua apólice não a inclui, terá de aguardar pelo apurar de responsabilidades. Acordo entre seguradoras ou o pagamento pela organização são cenários possíveis.
A compensação dos afetados pode demorar até que a investigação das causas e a avaliação dos estragos provocados pelo incêndio no festival “Andanças”, em Castelo de Vide (Portalegre), estejam concluídas. Mais de 400 carros ficaram destruídos ou danificados.

Quem tem o seguro facultativo de "Danos Próprios" pode ativar a cobertura de incêndio de imediato e ser indemnizado. Este seguro paga os danos até ao limite do capital seguro (que corresponde ao valor comercial do veículo à data do acidente), quando não existe um terceiro responsável. Posteriormente, e uma vez apurado o responsável pelo sinistro, a seguradora poderá exercer o direito de regresso e exigir-lhe a compensação pela indemnização paga ao seu segurado.

A organização garantiu que possui um seguro de responsabilidade civil que cobre os danos. Para obter licença de utilização, a entidade promotora tem de contratar seguro de responsabilidade civil e um seguro de acidentes pessoais para os participantes e tem de obter um certificado de inspeção, a atestar que o recinto reúne as condições técnicas e de segurança necessárias para a realização do evento. Contudo, este tipo de seguros associados à licença para o evento não tem capitais mínimos exigidos por lei e o valor ainda não foi divulgado. Além disso, este seguro só será ativado se a investigação provar que houve responsabilidade por parte da organização (se o incêndio teve origem num curto-circuito no sistema de iluminação, por exemplo). Caso se prove que teve origem num cigarro mal apagado ou num veículo estacionado, a seguradora não vai assumir o pagamento da indemnização.

A confirmar-se que o incêndio teve origem num carro, o seguro obrigatório de responsabilidade civil do veículo só cobre danos materiais até um milhão de euros, o que será claramente insuficiente para o total, a menos que o dono tenha contratado modalidades superiores de capital. É possível contratar capitais até 50 milhões de euros.

A solução poderá passar por um acordo entre seguradoras. “À semelhança do que acontece num choque em cadeia, as seguradoras podem organizar-se e dividir os custos entre si”, explica Mónica Dias, a nossa especialista em seguros. Caso contrário, as averiguações para apurar a responsabilidade e os danos sofridos por cada condutor poderiam arrastar-se durante meses.

Se está entre os afetados e tem dúvidas, utilize os nossos contactos. Também pode formalizar a sua queixa na nossa plataforma Reclamar. Em caso de conflito e para evitar os tribunais, o Centro de Informação, Mediação, Provedoria e Arbitragem de Seguros (CIMPAS) é um centro de arbitragem específico para resolução de litígios relacionados com seguros automóveis, multirriscos e responsabilidade civil, que pode ser mais ágil a resolver.