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Standes fora da lei na venda de usados

30 junho 2015 Arquivado
Standes fora da lei na venda de usados

30 junho 2015 Arquivado

A venda sem garantia, a exclusão de peças e as limitações de quilometragem são infrações graves. Muitos standes falham também na informação obrigatória.

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“Preço sem garantia”, “com garantia, acresce € 1000”, “1 ano ou até 15 mil quilómetros”, “€ 9500 com garantia de 12 meses e € 10500 para 24 meses”, “garantia para motor e pouco mais”, “só cobre motor e caixa de velocidades”: estas são algumas das pérolas mais originais que a DECO PROTESTE descobriu nos standes inspecionados.

Oito anos depois do primeiro estudo, nada mudou. Falta de informação obrigatória, propostas de venda sem garantia e garantias com condições ilegais compõem o retrato de um negócio em que os atropelos à lei estão à vista em muitos standes. Um carro em segunda mão pode ser uma boa opção, mas exige cautelas redobradas quanto ao seu estado, garantia e, se for caso disso, financiamento. Sendo um bem que não se encontra no estado original, é essencial ter uma ideia da qualidade geral, do preço justo e das garantias, antes de comprar. Oito anos depois do primeiro estudo, a PROTESTE voltou à estrada para investigar 100 standes de carros usados.

Manobras perigosas
No terreno, a equipa de investigação da PROTESTE verificou a presença do preço, da data de matrícula e da garantia. Dos 100 standes visitados, apenas 62 cumpriam a lei ao indicarem os três dados em todos os carros expostos. No extremo oposto, nove standes não exibiam qualquer desta informação em nenhum carro. Se considerarmos apenas o carro no qual os colaboradores mostraram interesse, 27 standes estavam em falta, falhando pelo menos na informação sobre a garantia.

O mercado antecipa-se à negociação permitida pela lei entre vendedor e comprador e impõe de modo unilateral o prazo de garantia de 1 ano. Dos standes com a informação afixada, só cinco anunciavam o prazo de 2 anos e outros três indicavam que a garantia era de 1 ou 2 anos, por acordo entre as partes. Nos restantes casos, a prática da casa é o prazo de 12 meses.

Quando questionados, apenas oito vendedores indicaram uma garantia de 2 anos e sem limitação de quilómetros e que o preço afixado correspondia a essa condição. Fisacar e Emiclaucar propuseram um desconto, respetivamente, de € 500 e € 900, se a venda fosse feita com redução do prazo para 1 ano.

Em sentido contrário, 86 vendedores apressaram-se a apontar 1 ano e destes só 25 admitiram a extensão para 2 anos, em geral, com o pagamento de um valor adicional. Pior foi a proposta de cinco standes como opção: vender sem garantia, apresentando um preço com garantia e outro, mais baixo, excluindo-a. Os standes Car Out (Caldas da Rainha) e Miguel Car (Varge Mondar, Sintra) afixavam um preço com garantia de 12 meses e outro preço (mais baixo) se fosse vendido sem garantia. No stande Reino Automóvel (Valongo), sem referência à duração da garantia, o automóvel exibia “por mútuo acordo, com garantia acresce 1000 euros”.

Quando confrontados sobre a garantia, apresentaram logo preços distintos. No Car Out, o vendedor referiu que “sem garantia o carro custava € 7500, que a garantia de 12 meses custava € 500 mais IVA e, portanto, o preço com garantia era 8115 euros”. Já no Espaço Queluz, Miguel Car e Reino Automóvel, disseram que o preço indicado não incluía garantia. Com garantia, teríamos de pagar um valor adicional, respetivamente, de 750, 600 e 1000 euros. No Deriva Fórmula, teríamos de pagar mais € 500 por 1 ano de garantia ou € 1000 para 2 anos. Outros 13 standes não fizeram uma proposta nesse sentido, mas, quando questionados admitiram vender sem garantia, com um desconto.

Auto-Simpatia: preço com 1 ano de garantia e preço sem garantia.
Auto-Simpatia: preço com 1 ano de garantia e preço sem garantia.
4rodas: cartão de visita mais “sofisticado”, mas o compromisso é sem garantia.
4rodas: cartão de visita mais “sofisticado”, mas o compromisso é sem garantia.