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Segurança automóvel: ajudámos a salvar 78 mil vidas em 20 anos

23 fevereiro 2017 Arquivado
20 anos de crash-test

23 fevereiro 2017 Arquivado
Em 20 anos de testes de colisão, gastámos 160 milhões de euros para destruir 1800 veículos. Hoje, 9 em cada 10 automóveis têm uma avaliação de segurança. Antes, só existia a palavra do fabricante.

Entrevista ao secretário-geral do Euro NCAP

Michiel van Ratingen, secretário-geral do Euro NCAP, revelou os principais eventos do 20.º aniversário e traçou metas ambiciosas para o futuro da segurança automóvel.

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O secretário-geral do Euro NCAP acusa: a segurança ainda não é uma prioridade para alguns construtores.

Quais foram as maiores conquistas ao longo de 20 anos de testes?

Gosto de destacar o impacto inicial ao convencer os fabricantes a entrar na corrida em busca das 5 estrelas e a introdução bem-sucedida do sistema de avaliação global em 2009, que nos permitiu combinar a segurança passiva e ativa e exigir mais dos construtores para melhorar a proteção de todos os passageiros, desde sempre com atenção às crianças e mais recentemente dos peões e dos novos equipamentos eletrónicos de segurança.

Como pretendem marcar o 20.º aniversário de testes de colisão?

Em setembro, num evento especial em Antuérpia (Bélgica), vamos reunir todos os organismos da Global NCAP, construtores automóveis, parceiros e meios de comunicação. Estamos focados nos planos de testes até 2025. Na mesma semana, segue-se a conferência internacional IRCOBI 2017, um encontro de especialistas em segurança automóvel e investigadores de biomecânica das lesões.
 

Como explicar o facto de em pleno século XXI ainda existirem carros a reprovar?

Os nossos testes continuam a evoluir, porque no mundo real as prioridades também mudam. Ao mesmo tempo, assistimos à introdução de novas tecnologias de segurança que não existiam há 10 e 20 anos. Os consumidores precisam de saber se estes sistemas são úteis e uma mais-valia real. O Euro NCAP baseia-se na comparação entre carros. Logo, a melhor avaliação recai no carro que apresenta a melhor segurança e oferece a tecnologia de série. Muitas vezes, os fabricantes escolhem, por razões económicas, não oferecer algumas tecnologias ou não disponibilizá-las como equipamentos ou sistemas de série. Ainda descobrimos construtores que preferem fazer atalhos e não investem tempo nem dinheiro para melhorar o desempenho dos seus carros nos vários cenários do teste. No fim, estas anomalias saltam à vista.

A condução autónoma já é uma certeza. Como pretendem testar estas tecnologias?

A condução autónoma é uma etapa crucial da estratégia para o futuro, mas envolve um dossiê complexo. Para muitos, afastar o condutor dos comandos pode ter um efeito muito positivo no número de acidentes. Isso até pode ser verdade na teoria. De facto, 9 em cada 10 acidentes ocorrem por erro humano. Contudo, esta perspetiva assume que a máquina é perfeita e capaz de conduzir melhor do que os humanos, o que ainda não é verdade hoje. Impõe-se garantir que a primeira geração de veículos autónomos, onde ainda é exigido algum envolvimento do condutor, seja tão segura quanto possível. O nosso foco será explicar o que pode ou não esperar dos vários tipos de funções autónomas (estacionamento automático, condução em cidade ou em autoestrada, por exemplo).