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Segurança automóvel: ajudámos a salvar 78 mil vidas em 20 anos

23 fevereiro 2017 Arquivado
20 anos de crash-test

23 fevereiro 2017 Arquivado
Em 20 anos de testes de colisão, gastámos 160 milhões de euros para destruir 1800 veículos. Hoje, 9 em cada 10 automóveis têm uma avaliação de segurança. Antes, só existia a palavra do fabricante.

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Até fevereiro de 1997, quem quisesse comprar um automóvel contava apenas com a palavra dos fabricantes sobre a segurança. A homologação dependia de requisitos mínimos legais, cujos resultados dos testes não eram publicados, o que nos impedia de comparar a segurança. No nosso teste a mais de 200 automóveis, já pode ver o veredicto com a qualidade global, onde incluímos a segurança.

Tudo mudou com a publicação dos primeiros resultados do Euro NCAP, o Programa Europeu de Avaliação de Carros Novos, um organismo independente que assumiu a missão de dar aos milhões de consumidores do Velho Continente a informação e a confiança para escolherem o automóvel mais seguro. A DECO PROTESTE, através do ICRT (International Consumer Research and Testing), faz parte dos fundadores deste organismo, a par da Federação Internacional do Automóvel e dos governos sueco e do Reino Unido.

 

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Dentro do Rover 100, em cima, ninguém sobrevivia depois do embate.

 

 

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Rover 100 vs. Honda Jazz: é muito fácil descobrir as diferenças.
Os primeiros testes do Euro NCAP denunciaram falhas em automóveis familiares no top das vendas no mercado europeu e obrigaram a indústria a repensar o modo como os veículos eram desenhados. Muita da tecnologia de segurança que hoje é de série em todos os automóveis vendidos em solo europeu (como airbags, controlo de estabilidade ou fixações Isofix) era, à data da publicação dos primeiros resultados, inexistente ou apenas equipamento opcional.

 

 

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Ford Fiesta, Renault Clio e VW Polo foram dos primeiros a experimentar.
Em 20 anos, o Euro NCAP gastou 160 milhões de euros em testes, excluindo o custo dos automóveis, um investimento que serviu para mudar o paradigma da segurança e potenciar a diminuição da sinistralidade. As mais de 630 classificações atribuídas pelo Euro NCAP, resultantes dos 1800 veículos testados nestas duas décadas, levaram a que fossem estimadas em mais de 78 mil as vidas salvas de acidentes, com base nos dados do Conselho Europeu para a Segurança Rodoviária. 

 

Resistência à mudança

Em 1997, os resultados dos testes chocaram consumidores e construtores de toda a Europa. A Rover retirou o modelo 100 de produção, um ano depois de reprovar no teste com uma estrela, o que levou à queda das vendas.

Esta mudança de paradigma não foi bem aceite pelos construtores, que atacaram os testes, afirmando que eram tão severos que seria impossível um automóvel atingir a nota máxima, fixada em quatro estrelas. Contudo, cinco meses depois, o Volvo S40 conseguiu: foi o 1.º modelo a conquistar este marco. Pouco depois, os automóveis com boas classificações nestes testes independentes viram as vendas aumentar. O Euro NCAP começou a merecer a atenção dos construtores. Com a chegada do protocolo de testes do Euro NCAP, todos os construtores ficaram em pé de igualdade. Conscientes disso, os patrões começaram a trabalhar com vista aos testes mais exigentes e hoje toda a indústria apoia o desenvolvimento de novos requisitos para garantir a maior segurança.

Evolução contínua

Há 20 anos, o protocolo de testes do Euro NCAP contemplava um impacto frontal a 64 km/h, um impacto lateral a 50 km/h e testes de segurança para peões. Ao longo dos anos, os testes passaram a incluir a segurança das crianças e os sistemas que evitam acidentes e apoiam a condução, acompanhando a evolução tecnológica.

Para garantir a qualidade e a fiabilidade dos testes, o protocolo é atualizado com regularidade e são acrescentados novos testes. Todos os anos, os peritos calibram os requisitos para atribuir as estrelas, tornando cada vez mais difícil alcançar um resultado elevado, o que faz com que a segurança dos veículos melhore de forma contínua. A maior prova é a recente inclusão de testes a sistemas de travagem de emergência, o que mudou substancialmente a atribuição de estrelas. A classificação também evoluiu ao longo do tempo. A classificação máxima passou de quatro para cinco estrelas e, desde 2016, os veículos testados podem receber duas classificações: uma classificação-base, que reflete apenas o nível de segurança do modelo de entrada de gama, e uma segunda classificação, que reflete a inclusão de um pacote de segurança proposto como opcional. Esta dupla classificação permite ao consumidor ver as melhorias de segurança que pode conseguir ao optar por estes sistemas adicionais.

O Euro NCAP promete continuar a inovar. Em 2018, começaremos a testar os sistemas que reconhecem a presença de ciclistas e intervêm para evitar acidentes com os mesmos, sendo esta uma das alterações do plano de inovação e melhoria dos testes, traçado até 2025.
 

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