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Preço dos carros novos pode aumentar até 2500 euros em setembro

Em setembro, o mercado automóvel pode sofrer um aumento de 10% com a adoção da nova norma de emissões poluentes. No top 50 dos carros mais vendidos, estima-se um aumento de € 93 a € 2 520 de imposto sobre veículos.

  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão e António Souto
  • Texto
  • Nuno César
16 julho 2018 Arquivado
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  • Alexandre Marvão e António Souto
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  • Nuno César
precos carros

iStock

A Comissão Europeia pediu aos Estados-membros para evitar mais impostos com a adoção do novo ciclo de medição das emissões poluentes WLTP (teste global harmonizado para veículos ligeiros) na homologação dos carros. Mas as associações do setor receiam o pior e nada está garantido. Adivinha-se uma maratona com vários obstáculos no próximo Orçamento do Estado.

Talvez já se tenha cruzado com anúncios de preços únicos e imperdíveis para aproveitar agora em pleno verão. Algumas marcas tentam convencer os consumidores de que este é o momento certo para poupar. A aplicação direta das tabelas de imposto resultará no aumento significativo dos preços. Estima-se, em setembro, que o mercado automóvel possa sofrer um aumento de 10% com a adoção do valor de correção. Simulámos o novo imposto sobre veículos (ISV) e o imposto único de circulação (IUC) para carros no top de vendas.

O impacto será imediato: aumento de € 93 a € 2520 de ISV para os carros do top 50 das vendas. A partir de janeiro de 2019, caso nada mude, o aumento pode ser colossal e, segundo estudos internacionais, disparar para 15 a 25% em relação ao preço atual. Em 2019, no Peugeot 208 1.2 Puretech Style a gasolina, a fatura final aumenta de 324 a 932 euros. Já para o Mercedes GLC 250 4-Matic a gasóleo, o aumento no preço final será de 3921 a 6773 euros.

Mas as despesas não acabam aqui. Fizemos contas ao IUC para dois modelos, que implicam a mudança de escalão, dado que a taxa é única: Fiat Punto 1.2 Easy e Audi A3 Cabrio 2.0, ambos a gasolina. No primeiro custará mais € 30 e no segundo aumenta 104 euros.

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Algumas marcas tentam tudo para fechar negócio, antes da tempestade de impostos.

O que "esconde" este aumento

O novo método de medição entra em vigor a 1 de setembro. A introdução do ciclo WLTP na homologação terá como resultado a publicação oficial das marcas de valores mais realistas de consumos e emissões poluentes para todos os carros.

Em Portugal, o valor das emissões é, e bem, um dos principais fatores que determinam os impostos. Urge saber e perceber o impacto financeiro desta mudança. Informação clara e fiável é uma exigência antiga dos consumidores, mas não pode servir como argumento para carregar nos impostos.

Consumidores e marcas temem a possibilidade de um aumento duplo, no preço dos automóveis novos, em poucos meses – primeiro já em setembro, com as emissões dos carros homologadas através do WLTP, mas com os valores de emissões convertidos para NEDC (novo ciclo de condução europeu), chamado NEDC2, e, em janeiro, com a imposição definitiva dos valores de emissões WLTP.

Na primeira fase, entra em vigor um ciclo de medição transitório a que se atribuiu o nome de NEDC2 e, a partir de janeiro, entra em ação a norma WLTP por inteiro. O efeito imediato é o aumento significativo do preço dos carros novos, devido à tabela do imposto sobre veículos (ISV).

Como se não bastasse a elevada idade do parque automóvel português (mais de 12 anos), esta mudança ocorre num momento que o mercado mostra sinais fortes de uma recuperação consistente com a introdução de carros menos poluentes e mais seguros. Alertamos desde 2015 para este choque fiscal. A Associação Automóvel de Portugal avisou recentemente que o agravamento nas emissões pode representar uma subida de “40% ou 50%” no imposto, sobretudo nos segmentos de automóveis de maior cilindrada. A Comissão Europeia recomenda que os consumidores não tenham de pagar mais impostos devido à mudança. Foram sugeridas adaptações para que os consumidores não sejam afetados. Governo e partidos devem garantir isso mesmo e trabalhar na criação de alternativas. Aguardamos pela resposta do governo português no Orçamento do Estado para 2019 e prometemos acompanhar este dossiê até ao último cêntimo.

 

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