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Portugueses preocupados com impacto ambiental dos carros

Os portugueses concordam com a aplicação de medidas dissuasoras do uso de veículos nas cidades, para controlar a poluição, segundo o nosso inquérito.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
25 fevereiro 2021
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
Carro feito de folhas verdes em cima de um relvado

iStock

A grande maioria dos quase 1800 portugueses que responderam ao questionário indicaram ter alguma preocupação ambiental na altura de escolher e comprar uma viatura. Também revelaram cuidados na condução, como a adoção de comportamentos que ajudam a diminuir as emissões poluentes. Mas, embora concordem com certas medidas que visam diminuir a poluição nas cidades, não se consideram bem informados sobre várias questões ambientais. São exemplos a produção de componentes de baterias para automóveis, a quantidade de substâncias libertadas pelas viaturas e as políticas ambientais implementadas pelas autoridades.

Para ajudar os consumidores a saberem mais sobre o impacto ambiental dos automóveis, participamos em dois projetos: o GVI e o MILE21. Com o GVI (Green Vehicles Index), divulgamos os resultados dos testes realizados pelos especialistas do Green NCAP, que avaliam o desempenho ambiental dos automóveis vendidos na Europa. Com o projeto MILE21 (More Information Less Emissions), queremos ajudar os consumidores a descobrirem o consumo real dos automóveis. Para tal, basta acederem à base de dados colaborativa Mile 21. Aí, podem registar os consumos do seu automóvel e aceder ao valor médio de uma grande variedade de carros novos e usados.

Custos pesam mais na escolha do automóvel

O questionário visou obter informações sobre as preocupações ambientais dos portugueses. Sendo um projeto europeu, Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Itália realizaram o mesmo estudo, além de Portugal. Constatámos que, para um terço dos portugueses, o impacto ambiental influenciou a escolha do automóvel atual, valor que coloca o nosso país entre os que mais peso dão a este aspeto, dos seis que responderam ao inquérito.

Impacto ambiental influencia escolha do automóvel

impacto ambiental

Contudo, as vertentes financeiras relacionadas com o carro, como o preço e o valor de revenda, foram as que mais pesaram na decisão de compra — apontadas por 53% dos portugueses que responderam. Seguiu-se a marca do veículo, indicada por 11 por cento.

Impostos para carros poluentes

Mais de metade dos condutores nacionais optaram por um automóvel a gasóleo (53 por cento). Já 44% ficaram-se por um modelo a gasolina. As versões menos poluentes (híbridos, elétricos e a GPL) foram escolhidas por cerca de 1 por cento. Contudo, quando questionados sobre a motorização do próximo carro que ponderam comprar, cerca de 20% indicaram os híbridos ou os 100% elétricos. Na altura da escolha, procuram informar-se sobre diferentes aspetos.

Consideram muito importante saber, na compra de carro novo

importante saber

Cerca de um quarto dos portugueses referiu conhecer a quantidade de emissões nocivas produzidas pelos respetivos carros e indicou os valores. Mas, ao analisarmos as respostas, constatámos que a maioria não tem uma real noção do nível de poluição das viaturas. Ainda assim, mais de metade reconhece que as emissões são nocivas para a saúde, o clima e o ambiente. Daí que 70% dos portugueses tenham garantido que, se ficasse demonstrado que a qualidade do ar na zona onde vivem estava abaixo do nível aceitável, usariam menos o automóvel. Apesar de tudo, têm alguns cuidados durante a condução.

Adotam estas ações com frequência

adotam acoes

Algumas cidades europeias já adotaram medidas para diminuir a poluição do ar, permanentes e/ou temporárias. Quisemos saber se os inquiridos concordariam com a sua aplicação e verificámos quais seriam mais populares. Constatámos que 60% dos portugueses que responderam concordam com a cobrança de impostos proporcionais às emissões poluentes dos carros e 53% com o fecho parcial das ruas ao trânsito (ao fim de semana, por exemplo).

Concordam com a aplicação de medidas para controlar a poluição nas cidades

concordam aplicação

Problemas de estacionamento devido à quantidade de carros

Segundo 61% dos inquiridos, as cidades não estão adaptadas ao crescente tráfego automóvel. Por esta razão, consideram que a infraestrutura na sua localidade, como ruas ou locais de estacionamento, não é adequada à quantidade de veículos em circulação. Dos que têm esta opinião, 48% indicaram que o cenário se devia ao facto de haver muitos carros.

As situações descritas acabam por ter implicações nas cidades. Segundo os portugueses que participaram no estudo, o estacionamento é o aspeto mais afetado, com 61% a queixarem-se de haver poucos lugares e 51% a apontarem a presença de carros parqueados em zonas não destinadas a este uso. Quase metade também se queixou de passeios insuficientes ou estreitos, devido à presença de automóveis (45 por cento).

Falta informação sobre ambiente

Como será que o trânsito afeta o dia-a-dia dos portugueses? Ruído na rua foi a principal queixa, apontada por 42 por cento.

Apercebem-se, com frequência, das seguintes situações

apercebem-se

A poluição originada pelos automóveis também tem implicações na saúde. Para os inquiridos, as doenças respiratórias são as mais comuns, referidas por 48 por cento.

Consideram que a poluição automóvel origina vários problemas de saúde

poluicao auto

De uma forma geral, os portugueses não consideram ter as informações necessárias sobre diferentes questões ambientais. Cerca de um terço realça que as tem em relação ao aquecimento global.

Estão bem informados sobre os seguintes aspetos ambientais

bem informados

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Inquérito feito em cinco países

Em janeiro e fevereiro de 2020, enviámos um questionário em papel e online a uma amostra representativa da população portuguesa entre os 25 e os 75 anos. No total, recebemos 1759 respostas válidas. Os resultados espelham as opiniões e a experiência dos inquiridos. Procedimento idêntico foi seguido pelas associações de consumidores nossas congéneres na Alemanha, na Bélgica, em Espanha, em França e na Itália.

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