Notícias

O grande labirinto dos testes automóveis

06 junho 2017 Arquivado
O segredo do negócio dos testes automóveis

06 junho 2017 Arquivado
Os consumidores exigem informação fiável e uma compensação financeira pela fraude Volkswagen. Governo e Comissão Europeia devem acelerar e tornar real o cenário ideal de testes.

Entrevista com Chris Carroll do BEUC

Um acordo ao nível europeu parece ser o único caminho para transformar o modo como os automóveis são testados. Chris Carroll, do BEUC, Organização Europeia dos Consumidores, explica como o papel dos governos dos Estados-membros é importante. Chris Carroll é coordenador do Departamento de Transportes Sustentáveis do BEUC e aponta críticas ao modo como os automóveis são testados.

Please fill the source and the alt text 
“É preciso que Portugal apoie a norma mais realista para testar carros”. 

Quais as mudanças desejáveis nos testes e na medição das emissões?

Quanto à forma como os carros são testados antes de serem vendidos e quando já estão a circular, precisamos de um acordo ao nível da União Europeia para fortalecer o sistema. Recentemente, o Parlamento Europeu pediu um melhor controlo aos Estados-membros, a desintegração das relações financeiras entre avaliadores e fabricantes, o acompanhamento mais apertado dos testes e uma melhor supervisão ao nível da União Europeia. Agora, precisamos que os Estados-membros apoiem o Parlamento no que seria uma mudança radical ao sistema atual. O Governo Português tem também de apoiar estas mudanças e ajudar a criar um sistema que previna de forma mais eficaz outro Dieselgate.

Que passos estão a ser dados para mudar a forma de testar os carros?

Adotaram-se novos testes para medir as emissões poluentes na estrada, através de uma condução realista. Este facto deveria incentivar os fabricantes a produzirem veículos menos poluentes na estrada, e não só no laboratório. Para avaliar o consumo de combustível, um novo teste de laboratório, conhecido como WLTP, também foi adotado. Tal deveria significar dados de consumo mais realistas. Porém, também precisamos de um verdadeiro teste de âmbito mundial para garantir que os números laboratoriais representam o desempenho real. Esperamos que, em breve, a Comissão Europeia proponha um teste desse género.

Quando pensa que a nova forma de testar será uma realidade?

Ainda vai demorar algum tempo até que os consumidores possam ter acesso a dados mais realistas. Por exemplo, a nova avaliação ao consumo de combustível será faseada e demorará alguns anos. Por isso, é provável que os números mais realistas sejam apresentados, na melhor das hipóteses, em setembro de 2018. Contudo, e porque cabe aos Estados-membros decidirem quando é que os consumidores serão informados, poderá demorar mais tempo. Mais uma vez, precisamos que o Governo Português apoie a implementação do protocolo WLTP, para que os consumidores tenham acesso a números mais fiáveis, o mais tardar no ano de 2019.

Preço e gama são os principais obstáculos para o consumidor? Ou será um problema de mentalidade?

O preço de um automóvel, seja a gasolina, a gasóleo ou elétrico, influencia o comportamento de compra. Nos carros elétricos, a autonomia da bateria é também um fator crucial. Os custos associados aos veículos são importantes, tal como verificámos em inquéritos. Há estudos que demonstram que muitos consumidores, sobretudo de baixo rendimento, valorizam a poupança no combustível. No futuro, esperamos que os fabricantes baixem o custo associado à condução. O nosso novo estudo sobre o impacto nos consumidores mostra que ter carros mais eficientes ao nível do combustível e da energia, entre 2020 e 2030, ajudaria a baixar os custos de forma considerável. Por exemplo, se tecnologias reconhecidas fossem introduzidas naquele período, os condutores poderiam poupar bastante.

Possuir automóveis a gasolina ou a gasóleo mais eficientes em 2025 pode implicar uma poupança de € 9400 ao longo do seu tempo de vida. Também se prevê que, por volta de 2020, um carro elétrico, em média, seja tão barato como um carro a gasolina. Tais desenvolvimentos, porém, não estão assegurados. Por isso, apelamos à União Europeia que trace metas de eficiência de consumo mais ambiciosas para 2025 e 2030, permitindo que o custo da condução seja mais económico.