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Lesados da Volkswagen em discurso direto

Intervenção desastrosa da Volkswagen

Cinco dias depois de levantar o carro, o primeiro grande susto. “Ao levar o filho à escola, senti um estouro”. O carro “apagou-se” e foi rebocado. Ao fim de dois dias, voltou a funcionar “miraculosamente”. Vânia Oliveira nunca soube qual foi o problema. “Pedi um relatório sobre a intervenção, mas nunca mo deram. É como ir ao médico e vir sem diagnóstico”, critica. Nunca mais confiou no carro: “Sinto-me defraudada. E estou com o coração nas mãos... Quem me garante que não se repete? Nunca mais fiz viagens longas, por exemplo”.

Esta consumidora teme que “outros componentes se ressintam e não sejam assegurados” pela marca. A medida de reforço de confiança, instituída pelo grupo Volkswagen, prevê a substituição de alguns componentes durante dois anos, após a ação de serviço e para carros com menos de 250 mil quilómetros e sujeitos a manutenção na marca.

Marta Santos também usufruiu desta espécie de garantia, mas teve de reclamar. O litígio começou em março do ano passado, quando submeteu o Seat Leon 1.6 à ação de serviço, ao fim de duas notificações da marca. Grávida de oito meses, só a partir do verão, quando passou a ir de carro para o trabalho e para o hospital, é que esta massagista, de 36 anos, se apercebeu dos danos.

A viatura “perdia potência, passou a fazer um consumo absurdo de combustível e emitia um cheiro de plástico queimado”. Em dezembro, Marta ficou parada na A1: “O carro entrou em save mode, não passava dos 20 quilómetros por hora. Cheguei à oficina com os quatro piscas ligados”. Diagnóstico: válvula EGR avariada. Na altura, desconhecia a medida de reforço de confiança e pagou 880 euros. “A oficina sabia que tinha direito, mas omitiu-o”, lamenta. E o problema piorou: “Ruído no motor, regenerações constantes e um gasto de combustível maior”. Enviou uma reclamação para a marca (que a informou sobre a medida de reforço de confiança), esperou alguns dias, até que, a 12 de janeiro, lhe foi restituída a quantia. Hoje, admite Marta, não teria feito a intervenção: “Não confio no carro, que foi avaliado em 9 mil euros, apesar de só ter 44 mil quilómetros.”