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Lesados da Volkswagen em discurso direto

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Quem já levou o carro à oficina voltou com avarias. E quem ainda não foi não quer fazê-lo. Os proprietários de carros afetados pelo dieselgate estão revoltados com os efeitos colaterais de uma intervenção ineficaz da Volkswagen.

28 março 2018
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Arrependimento e angústia: este é o estado de espírito de Vânia Oliveira, proprietária de um carro do grupo Volkswagen afetado pelo escândalo das emissões. Instalado o novo software e pouco depois de sair da oficina, o veículo sucumbiu e “nunca mais funcionou da mesma forma”. Um problema que o nosso inquérito pôs a nu: quase metade dos consumidores que submeteram os carros à intervenção notou alterações para pior.

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Vânia Oliveira, professora de dança, 31 anos, Maia: “Após a reparação, voltei à oficina três vezes”.

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Joel Sousa, professor, 38 anos, Faro, cliente desde 2005: “Volkswagen: nunca mais”.

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Hélder Gomes, bancário, 37 anos, Santa Maria da Feira: “Enquanto não for notificado por uma entidade estatal, não faço a reparação”.
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Paulo Carmo, engenheiro informático, 42 anos, Lisboa: “Fui notificado duas vezes para a reparação, mas não vou”.
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Ricardo Santos, professor, 37 anos, Guimarães: “Adiei a reparação por medo. Não acredito na solução”.

Os consumidores que entrevistámos são a voz do protesto e as principais vítimas. Todos estão na linha da frente da batalha: lançaram uma petição, ponderam criar uma associação e não excluem ações legais. A DECO PROTESTE não atira a toalha ao chão. Pressionámos a Comissão Europeia para obrigar a Volkswagen a cumprir todas as promessas feitas a milhões de consumidores europeus. Exigimos o esclarecimento das questões que continuam sem resposta do Governo e da marca há mais de 350 dias.

Notificada pela marca em dezembro de 2016, Vânia levou à oficina a carrinha Seat Ibiza ST 1.6, em abril do ano passado, mas voltou lá três vezes para reparar avarias sucessivas. Nos primeiros dias após a intervenção, esta professora, da Maia, notou “instabilidade no funcionamento do motor, ralenti incerto e um cheiro estranho”. Voltou à oficina, no Porto, e perdeu uma manhã de trabalho. Sem o carro, não consegue trabalhar, pois dá aulas em várias escolas e infantários.

Foi sol de pouca dura. Os sintomas reapareceram: “Parecia um trator e não tinha a mesma potência.” Quando, em outubro, regressou à oficina, outro diagnóstico: era preciso substituir as válvulas injetoras do motor, que a Seat comparticiparia a 100% na condição de ser feita uma revisão completa, a qual custaria 360 euros. Vânia não hesitou: “Disse-lhes que não pagaria um cêntimo e que resolvessem o problema.” Enviou uma reclamação escrita à marca, e a reparação foi autorizada sem custos.


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