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Hyundai Kauai electric e Renault Zoe com nota máxima nos testes Green NCAP

A mais recente ronda de testes do Green NCAP confirma os carros elétricos como os grandes vencedores. A próxima etapa é considerar o ciclo de vida completo dos veículos. Só assim podemos revelar os mais amigos do ambiente.

  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão
  • Texto
  • José Macário e Nuno César
29 janeiro 2021
  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão
  • Texto
  • José Macário e Nuno César
cabo a carregar carro elétrico

iStock

Depois de uma completa reorganização, os testes do Green NCAP (que avalia o desempenho ambiental dos carros vendidos em solo europeu) regressaram em força. Na mais recente bateria de testes, foram submetidos 24 automóveis ao olhar atento dos técnicos, na busca daqueles que mais respeitam o ambiente. Os carros 100% elétricos venceram esta etapa numa demonstração de força.

Ver consumos e emissões reais dos carros

Durante os últimos seis meses, os especialistas do Green NCAP reviram os protocolos de teste, com o intuito de os tornar ainda mais rigorosos. Ao abrigo do programa GVI (Green Vehicle Index) foram criados novos métodos, contemplando todos os tipos de sistemas de propulsão. Além de combinar as rigorosas medições em laboratório e em ambiente real de condução, o novo esquema de testes acrescenta a análise à emissão de gases com efeito de estufa. Passam a ser três as categorias de avaliação: poluição emitida; eficiência energética e a emissão de gases com efeito de estufa, o que permite ter informação mais completa sobre os carros.

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Testámos o desempenho ambiental de 24 automóveis

Escrutinámos um total de 24 modelos. Dois carros 100% elétricos, outros tantos híbridos a gasolina e igual número de modelos movidos a gás natural comprimido. Passaram também pela bateria de testes oito modelos a gasolina e dez a gasóleo. As tipologias foram também o mais ecléticas possível. De utilitários a carrinhas, sem esquecer os familiares e os cada vez mais populares SUV.

Num protocolo que testa apenas as emissões em marcha, os veículos 100% elétricos foram os melhores. E por uma margem confortável. Tanto o Hyundai Kauai como o Renault Zoe obtiveram o número máximo de pontos nas três categorias em análise, garantindo a classificação final de cinco estrelas. A seguir aos modelos 100% elétricos, o Toyota C-HR conseguiu a melhor pontuação. O carro nipónico beneficia do motor elétrico para minorar as emissões, uma estratégia usada também pelo Honda CR-V, ainda que com menor eficácia. O CR-V perde para o compatriota na emissão de gases com efeito de estufa e na eficiência energética.

É interessante notar que nenhum dos dois modelos híbridos testados possuía um sistema de tratamento dos gases de escape. Tal falta pode também ser interpretada como um sinal de que os construtores entendem a eletrificação como motivo para deixar de equipar os modelos com sistemas tão necessários quanto estes.

Quanto maior o carro, pior para o ambiente

Os resultados obtidos pelos motores a combustão são muito piores do que os dos modelos elétricos. Destaque negativo para as duas estrelas conseguidas pelo Audi A4 CNG, que peca pela ausência de um sistema de tratamento de gases de escape.

Entre as motorizações mais convencionais, a regra de “menos é mais” aplica-se na perfeição. Todos os utilitários obtiveram três estrelas. Os SUV não foram além das 2,5 estrelas, com a prestação do Suzuki Vitara a ser afetada pelos resultados na poluição emitida pelo escape. A marca japonesa já reagiu e prometeu que a variante híbrida do motor 1.0 EcoBoost deverá obter melhores resultados.

Entre os carros familiares, o Mercedes-Benz C220d consegue o melhor resultado, com três estrelas. Esta variante, equipada com uma caixa 9G-Tronic, consegue 7 pontos em 10 na categoria da poluição do ar, pecando apenas na emissão de gases com efeito de estufa. BMW 320d e Volkswagen Passat 2.0 TDI recebem 2,5 estrelas cada um, provando que um bom design e um sistema eficaz para o tratamento dos gases de escape podem fazer a diferença.

Para já, os protocolos de teste têm uma abordagem “tank-to-wheel”, ou seja, medem apenas o impacto ambiental do automóvel durante a utilização. Neste formato, é impossível bater os elétricos, que têm zero emissões em utilização. Os responsáveis prometem, no entanto, desenvolvimentos futuros no protocolo de testes. Numa primeira fase, a análise abarcará o chamado “well-to-wheel”, ou seja, os resultados terão em conta todo o processo de obtenção da energia necessária para animar os veículos. Está prometida para mais tarde outra revisão do protocolo, que passará a ter em conta todo o ciclo de vida. Enquanto não for assim, as comparações entre diferentes sistemas propulsores pecam por falta de informação importante e por serem injustas. Apenas quando os testes tiverem em conta todo o ciclo de vida é que poderemos, com certeza, revelar os mais amigos do ambiente. Até lá, pode guiar a escolha com base no custo real por quilómetro.

Pandemia não trava testes em laboratório

Conseguiu-se aplicar uma nova metodologia de testes, apesar da complexidade das várias tecnologias de propulsão. Este é o primeiro passo para um futuro sustentável. Os resultados mais recentes representam mais uma etapa de consolidação no desenvolvimento de um índice de veículos verdes. O primeiro híbrido plug-in será incluído na próxima operação. A fasquia está alta e o Green NCAP não esconde a ambição: avaliar o ciclo de vida completo, considerando as emissões no fabrico de combustíveis e na geração de eletricidade. Destacamos os modelos que conseguiram os melhores resultados, por categoria, segundo o tipo de propulsão.

Suzuki Vitara, Peugeot 208 e Mercedes Classe C na prova da verdade. 
Suzuki Vitara, Peugeot 208 e Mercedes Classe C na prova da verdade.

Carro elétrico

Nota máxima em todas as categorias analisadas. Os dois elétricos a concurso não fizeram por menos e conseguiram as cinco estrelas de classificação no Green NCAP.

Hyundai Kauai electric 
Hyundai Kauai electric.
Renault Zoe R110 
Renault Zoe R110.

Carro híbrido

O híbrido nipónico conseguiu ser o melhor dos outros. Com boas notas nos índices de pureza do ar, eficiência energética e emissão de gases de estufa, atingiu as 3,5 estrelas.

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Toyota C-HR 1.8 Hybrid.

Carro a gasolina

Penalizado por não ter um sistema de tratamento de gases de escape, o utilitário alemão não convence na emissão de gases com efeito de estufa. Logo, foi impossível fazer melhor do que três estrelas.

Volkswagen Polo 1.0 TSI 
Volkswagen Polo 1.0 TSI.

Carro de gás natural comprimido

A solução espanhola movida a gás comprimido não convence nas emissões de gases com efeito de estufa, passando à justa no teste da eficiência energética. Os especialistas não deram mais do que três estrelas.

Seat Ibiza 1.0 TGI 
Seat Ibiza 1.0 TGI.

Carro a gasóleo

A variante com caixa 9G-Tronic não foi além das três estrelas, fruto de uma fraca prestação nas emissões de gases com efeito de estufa. O filtro de partículas garantiu uma boa classificação na pureza do ar.

Mercedes C 220d 9G-Tronic 
Mercedes C 220d 9G-Tronic.

Consumo e emissões poluentes reais do carro

Carro novo ou usado: decida com dados reais de consumo e emissões. Confirmar o valor real dos consumos ajuda a fazer uma compra com toda a informação essencial numa perspetiva ambiental. O consumo anunciado pelas marcas é bastante inferior ao real. Com base no sistema de homologação anterior, essa diferença chegou a ser de 39% em 2017. Para ajudar o consumidor, a União Europeia criou o projeto MILE21 (More Information Less Emissions ou, em português, Mais Informações, Menos Emissões), a que nos juntámos. É uma base de dados colaborativa: todos têm a oportunidade de registar os consumos e aceder ao valor médio de uma grande quantidade de carros novos e usados.

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