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Estudo aos combustíveis: DECO reafirma conclusões e esclarece dúvidas

29 novembro 2012 Arquivado

29 novembro 2012 Arquivado

Reunimos as principais dúvidas e pedidos de esclarecimento sobre o estudo que apresentámos, no qual concluímos que gasóleo low-cost, regular ou premium é tudo igual ao litro.

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O estudo aos combustíveis originou pedidos de esclarecimento de consumidores, causou perplexidade e alguma reserva e desconfiança. Reações normais de quem recebeu informação contrária durante anos através das petrolíferas. Voltamos ao assunto para esclarecer por que afirmamos que o preço é a única diferença visível entre os combustíveis testados.

O mesmo motivou um abaixo-assinado que vamos entregar ao ministro da Economia. O apoio dos consumidores é essencial para acabar com a falta de transparência no setor. Para subscrever, visite www.igualaolitro.pt até 10 de dezembro.

1. “Marcas testadas são pouco representativas (estudo só incide sobre a Galp e poucas low-cost)”
Para este estudo, selecionámos o gasóleo, o combustível mais vendido no País e, depois, os líderes de mercado para este segmento: o Jumbo e o Intermarché, cujo gasóleo é designado por low-cost, e a Galp com os seus dois produtos, o gasóleo regular denominado Hi-Energy, e o premium Gforce. Com estes representantes, abrangemos praticamente 50% da quota de mercado.

Não foi possível incluir mais marcas. Tivemos de comprar e preparar um carro novo em exclusivo para cada gasóleo em teste, de forma a rodar em condições totalmente controladas durante um mês e perfazer 12 000 quilómetros. No abaixo-assinado reivindicamos que seja constituída uma entidade reguladora independente para realizar estes testes em permanência a todo o mercado. Compete ao Estado assegurar a transparência do setor e não permitir que os consumidores sejam enganados com falsas alegações.

2. “Não há comparação possível entre o combustível premium e o low-cost. Nota-se a diferença na prestação do carro: ruído, emissões, potência e quilómetros...”
O nosso estudo não encontrou diferenças significativas que justifiquem a diferença de preço entre as marcas. Esta conclusão é suportada pelas condições em que o estudo foi realizado: além do combustível, não há outros fatores a influenciar o desempenho do carro. Só assim se consegue um estudo objetivo com metodologia válida.

Um estudo válido deve assegurar a não influência de diversas variáveis: o volume e tipo de tráfego, as condições atmosféricas, o tipo de condução e até o que parece um pormenor - a pressão dos pneus. A simples alteração da pressão dos pneus pode influenciar em mais de 5% o consumo de combustível. Quaisquer conclusões sem garantir estas premissas não podem ser comparadas com o rigor e a exatidão de análises e medições laboratoriais. Além disso, é preciso avaliar o desgaste real dos componentes internos do motor, parâmetro considerado no estudo. Também eliminámos da análise o conhecimento a priori do combustível utilizado, dado que pode influenciar significativamente a perceção. Por isso, no estudo, optámos por um teste às cegas (ou “blind test”, em inglês). Todos os dias, cada piloto conduziu um carro diferente sem saber as marcas de gasóleo em teste.

3. “Combustível aditivado da Galp é mais caro e de qualidade inferior ao da BP ou da Repsol. Não vale a pena arriscar por uns euros a menos”
O nosso estudo não inclui as marcas BP e Repsol, pelo que não nos podemos pronunciar sobre a sua qualidade ou efeito. Mas exigimos que o mesmo estudo seja replicado a estas marcas por uma entidade independente. É uma das razões que originou o nosso abaixo-assinado em www.igualaolitro.pt.

4. “Sofri avarias no carro por abastecer com combustível low-cost”
Os combustíveis no mercado nacional devem cumprir a legislação que regula as suas características de base, para garantir o correto funcionamento dos motores.

Os veículos à venda no País estão adaptados para as especificações dos combustíveis nacionais. As marcas de automóvel não valorizam os combustíveis ditos premium, sendo a única exigência apontada a utilização de combustíveis que respeitem a legislação.
Não há nenhuma razão para que um veículo que abasteça num posto de abastecimento, legalmente aberto ao público, tenha problemas a curto ou a longo prazo. Fica de fora o combustível adulterado ou mal armazenado.

Os combustíveis utilizados no estudo foram adquiridos anonimamente em vários postos de abastecimento das marcas consideradas, de Lisboa a Sines, passando por Alcácer do Sal e Setúbal. Garantimos que os combustíveis utilizados são exatamente iguais aos que qualquer consumidor dispunha naquele dia e hora.

5. “DECO deveria fazer o mesmo estudo à gasolina”
Concordamos e reivindicamos que o estudo seja realizado a todos os combustíveis à venda no mercado nacional. É esse o objetivo do abaixo-assinado, disponível em www.igualaolitro.pt.

6. “DECO tem interesses escondidos para apresentar este estudo agora”
A DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor guia a sua atividade pela independência e rigor. O nosso único objetivo é a defesa dos interesses dos consumidores. É assim desde 1974 e assim se manterá. A DECO, organização da sociedade civil de utilidade pública, trabalha para todos os consumidores, mas é suportada apenas pelos seus associados e subscritores das publicações. Não depende do Estado, nem de empresas (não aceita publicidade, patrocínios ou donativos).

Este estudo começou a ser planeado muito antes de qualquer notícia sobre a imposição de comercialização de combustíveis low-cost. Aliás, face aos resultados do estudo, não há diferenças, pelo que só o preço distingue os apelidados de low-cost ou premium. É tudo igual ao litro.


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