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Escândalo Volkswagen: teste revela que intervenção da marca é inútil

07 julho 2016
escândalo VW

07 julho 2016
Um estudo realizado em Itália comprova a inutilidade da intervenção da Volkswagen nos carros com emissões falsificadas. Aguardamos respostas da marca alemã para definirmos novos caminhos de ação.
Depois do escândalo de falsificação de consumos e emissões, a chamada à oficina para reparar os veículos. A Volkswagen prometeu que a intervenção eliminava o mecanismo fraudulento e reduziria as emissões de óxidos de azoto sem alterar os consumos e desempenho. Faltava o teste independente ao “antes e depois”, que comprovasse a eficácia das alterações. 

Teste revela intervenção inútil

Teste em 3 atos
Uma das decisões tomadas pela Volkswagen, em conjunto com as autoridades dos vários países, foi proceder à eliminação do mecanismo fraudulento nos veículos, garantindo ao mesmo tempo que todos os parâmetros de desempenho, com influência sobre as emissões, se deveriam manter (ou até diminuir, no caso dos óxidos de azoto) para cumprir as condições de homologação. Com este objetivo, está a ser efetuada a chamada dos carros afetados às oficinas da marca. Os primeiros resultados desta intervenção técnica são dececionantes.

Na primeira fase do teste em Itália, o Audi Q5 de um consumidor foi testado em laboratório e em estrada. Com os números do teste, seguiu-se a reparação proposta pela marca. O procedimento demorou menos de uma hora e não avançaram grandes explicações ao cliente. Após a intervenção, o carro voltou ao laboratório para comprovar a eficácia.

Nos valores das emissões de óxido de azoto, a única alteração detetada em laboratório é o seu aumento em mais de 13% face aos valores medidos antes da intervenção realizada nas oficinas da marca alemã. Ou seja, o problema inicial não é corrigido. As emissões de óxidos de azoto medidas excedem em cerca de 25% os limites máximos admissíveis para que um veículo possa ser homologado como Euro 5, o que suscita graves interrogações relativamente à homologação destes veículos e à sua circulação no espaço europeu.

Vamos questionar os Ministérios da Economia e do Ambiente. A Volkswagen tem também de esclarecer os consumidores sobre a finalidade da sua intervenção.

Consumidores de primeira e de segunda
Nos Estados Unidos, as autoridades locais não aceitaram o mero pedido de desculpas dos responsáveis da marca alemã e levaram a cabo investigações que podem resultar em multas elevadas. A Volkswagen decidiu indemnizar os consumidores enganados nos EUA.

Já na Europa, a marca recusa qualquer pagamento. Durante os últimos dez meses, a DECO aguardou pelo bom senso da Volkswagen e acompanhou ações mais musculadas de associações congéneres de outros países.

Acreditámos que a Volkswagen perceberia que os consumidores europeus não podem ser discriminados e que seriam indemnizados por iniciativa da marca.

Fazemos um último apelo público à Volkswagen para que corrija o caminho tomado na Europa e que trate igualmente todos os consumidores. Aguardamos pelas respostas da marca e por um desfecho equilibrado e justo.