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Emissões dos transportes: ajudar está nas suas mãos

14 fevereiro 2012 Arquivado

14 fevereiro 2012 Arquivado

Os transportes contribuem em maior escala com a emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera. A mobilidade precisa de uma lufada de ar fresco.

Utilizar o carro para o trajeto entre a casa e o trabalho pode ser confortável mas não é sustentável, sobretudo se viajar sozinho. Em Portugal, os transportes são o setor que produz mais emissões de gases com efeito de estufa relacionados com o consumo de energia. A par destes, também são emitidos outros poluentes que prejudicam a saúde de várias formas, a começar pela degradação da qualidade do ar que respiramos.

Segundo a Agência Europeia do Ambiente, muitos objetivos relativos à qualidade do ar ficaram por cumprir: em 2009, os valores-limite anuais para o dióxido de azoto (NO2), que pode provocar asma e outros problemas respiratórios, foram ultrapassados em 41% das estações de controlo do tráfego. Ainda em 2009, o valor-limite diário das partículas (PM10) provenientes dos transportes, que também provocam graves problemas de saúde, foi ultrapassado em 30% dos pontos de trânsito dos 27 Estados-membros.

Quase 100 milhões de pessoas estiveram expostas a níveis médios de ruído considerados perigosos a longo prazo, provocados pela circulação de veículos rodoviários em estradas de grande movimento. Tudo isto aconteceu num ano em que, a nível europeu, a recessão económica provocou uma quebra global nas emissões de 7 por cento. Depois da indústria, foram os transportes que mais contribuíram para esta redução.

Emissões em Portugal
Por cá, as emissões de gases com efeito de estufa provenientes dos transportes também diminuíram em 2009, mas este continua a ser o setor que mais contribui em termos de emissões.

Segundo o mais recente relatório da Agência Europeia do Ambiente, esta quebra esteve relacionada com a diminuição da procura, resultado da contração económica, e de algumas melhorias em termos de eficiência. Por exemplo, os automóveis novos, em 2010, consumiram cerca de 20% menos combustível do que em 2000.

Mas estas melhorias são relativamente modestas e facilmente ultrapassáveis se a procura voltar a aumentar, como aconteceu entre 1990 e 2009, época em que o setor cresceu quase um terço e as suas emissões aumentaram em 27 por cento.

Os Estados-membros da UE são obrigados a reduzir os gases com efeito de estufa provenientes dos transportes em 60%, até 2050, comparativamente aos níveis de 1990. Tendo em conta que as emissões aumentaram 27% entre 1990 e 2009, a UE tem de efetuar uma redução global de 68%, entre 2009 e 2050.

Use a cabeça e os pés
É frequente os momentos de crise oferecerem oportunidades de mudança e, quando tanto se fala da re-estruturação do setor dos transportes públicos, é urgente haver uma política que torne a mobilidade mais sustentável e prepará-la para os anos de retoma.

Enquanto cidadãos, podemos e devemos exigir que sejam implementadas políticas que tornem os transportes um setor mais sustentável. A crise tem levado cada vez mais pessoas a trocar o carro pelos transportes públicos, pena que a articulação entre vários operadores numa rede de transportes públicos não seja prioridade.

O aumento do número dos parques de estacionamento chamados “dissuasores”, localizados junto das principais interfaces (estações de comboio, terminais rodoviários e principais estações de metro), seria também essencial para tornar o transporte público mais atrativo para os cidadãos.

Mas existem outros contributos. Por exemplo, dar mais importância à eco-condução durante a aprendizagem, tanto nas aulas teóricas, como nas práticas e no exame, permite formar condutores mais moderados e conscientes do impacto das deslocações em automóvel. Saiba mais em Mobilidade e ambiente: 8 conselhos ecológicos.


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