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Dieselgate: 45% denunciam que o carro ficou pior após reparação da Volkswagen

Dieselgate: Governo tem de explicar

Muitos proprietários não sujeitam o carro a qualquer intervenção. O medo de que o automóvel fique pior é o mais referido, sendo eleito por 50% dos inquiridos. O aconselhamento a não reparar colheu frutos em 22% destes casos. Metade dos proprietários que ainda não atualizaram o software revelam também que não receberam qualquer notificação da marca.

E, quando receberem, estes consumidores ficarão a braços com uma escolha difícil: cumprir ou não cumprir? Será melhor obedecer ao que foi imposto pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes e arriscar ficar com o carro pior? E, caso o façam e o pior aconteça, quem garante que o ónus da reparação não recai sobre o consumidor, duplamente enganado?

A experiência destes consumidores aponta para que, por enquanto, o melhor seja mesmo estar quieto. Pela nossa parte, não o faremos, e temos já várias ações preparadas para ajudar os consumidores a navegarem através desta nuvem de fumo do grupo Volkswagen.

Já comunicámos os dados e as conclusões deste inquérito ao Governo, que tem de se pronunciar sobre a lógica da obrigatoriedade da intervenção. Os rumores e os depoimentos nas redes sociais sobre os resultados desastrosos da intervenção obrigatória não podem ser ignorados. Desenvolvemos este inquérito para perceber se estávamos perante um problema residual ou um falhanço total da garantida ausência de efeitos negativos da intervenção obrigatória, como afirmava a Volkswagen

Questionámos o Governo sobre a racionalidade de obrigar os consumidores a submeterem os carros a uma intervenção da qual, com muita probabilidade, podem resultar problemas graves para os seus carros. O Ministério da Economia, que coordenou o grupo de trabalho sobre o problema, tem de dar explicações públicas.

Vamos reforçar, com outras organizações europeias de defesa dos consumidores, a necessidade de o regulador da indústria automóvel na Alemanha (a KBA) apresentar publicamente a fundamentação técnica que a levou a aprovar a intervenção proposta pela Volkswagen. Também vamos questionar o Instituto da Mobilidade e dos Transportes sobre a obrigatoriedade da intervenção sob pena de cancelamento de matrícula. 

Para os consumidores portugueses, defendemos o estudo de uma solução, tal como foi aplicada nos Estados Unidos da América, podendo ver o automóvel retomado pelas marcas. Acreditamos numa retoma global dos carros afetados (e sem vínculo temporal). Se desta intervenção resultam tantos problemas, seria bom que os consumidores europeus, por uma vez, fossem tratados em plano de igualdade com os americanos.