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Dieselgate: 45% denunciam que o carro ficou pior após reparação da Volkswagen

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Mais consumo, menos potência e aumento do ruído do motor são as alterações apontadas no inquérito a 10 584 consumidores. Os portugueses que tiveram de voltar à oficina pagaram € 957 para reparar os problemas causados pela atualização de software.

19 janeiro 2018
volkswagen

Thinkstock

Depois de rebentar o escândalo Volkswagen, o gigante alemão comprometeu-se a corrigir o problema gratuitamente e iniciou um processo de reparação, obrigatório em Portugal, dos carros afetados. Para conhecermos a experiência com a atualização do software, enviámos, em novembro de 2017, um questionário a proprietários de carros do grupo Volkswagen afetados pelo problema das emissões. O mesmo foi feito pelas nossas associações congéneres de Espanha, Itália e Bélgica. Recebemos 10 584 respostas válidas, das quais 1859 de proprietários portugueses.

“É pior a emenda que o soneto.” O desabafo de Bocage ilustra na perfeição o que está a acontecer com a atualização do software do grupo Volkswagen na Europa. Quase dois anos depois, o problema continua. A intervenção deixa os carros com mais problemas. Já sabíamos da ineficácia da reparação da Volkswagen ao nível da redução dos níveis de óxido de azoto. Agora, 10 584 respostas ao inquérito confirmam este cenário negro: 45% dos consumidores que já submeteram o automóvel à intervenção registam uma alteração para pior no comportamento do veículo.

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Inquiridos denunciam problemas menos de um mês após a intervenção.
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Nenhuma marca do grupo escapou aos problemas depois da reparação.

Entre as alterações notadas após a intervenção, as mais referidas são o maior consumo (55%), a perda de potência (52%) e o aumento do ruído do motor (37 por cento). Alguns consumidores também se queixam de problemas mecânicos ou erros no computador de bordo, entre outros. E não é preciso esperar muito para sentir os efeitos: a maioria dos problemas é detetada menos de um mês depois.

Volta à oficina

Dos proprietários inquiridos, 13% voltaram à oficina para reparar danos provocados pela atualização do software. Outros 10% ainda não o fizeram, apesar de terem sentido essa necessidade. As segundas intervenções incidem maioritariamente sobre a válvula do sistema de recirculação dos gases de escape (34%), os injetores (23%) e o filtro de partículas (22 por cento).

O desespero é tal que 13% dos inquiridos portugueses confidenciaram terem reinstalado o software original para reporem o carro como era antes, algo que só pode ser feito recorrendo a canais não oficiais.

Consumidores pagam fatura que não é sua

Regressar à oficina para resolver o problema está a revelar-se custoso. Em média, os portugueses inquiridos que tiveram de voltar à oficina pagaram € 957 para reparar os problemas causados pela atualização.
 
Quando detetam irregularidades, os consumidores procuram a marca para pedirem responsabilidades. Dos quatro países que participaram no inquérito, os portugueses são os que mais se queixam: 64% contactaram uma das marcas do grupo Volkswagen, o que pode ser explicado com o facto de, no nosso país, a atualização de software ser obrigatória. Ainda assim, apenas em 36% dos casos o concessionário pagou a totalidade das reparações. No inquérito, em 6% das ocasiões, o concessionário admitiu a culpa, mas recusou-se a pagar o respetivo conserto.

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