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Consumos e emissões automóveis ultrapassam valores da publicidade

23 setembro 2014 Arquivado

23 setembro 2014 Arquivado

O BEUC, Organização Europeia dos Consumidores, da qual a DECO faz parte, reforça o apelo para a atualização rápida do modelo de teste dos consumos e emissões, que torne o programa de ensaios mais realista.

Os fabricantes anunciam que os seus modelos consomem entre 18% e 50% menos combustível do que a realidade: um novo estudo italiano vem reforçar as conclusões da nossa análise divulgada em 2013.

Veja o vídeo com as conclusões da nossa análise e as exigências dos consumidores.

Por ano, nalguns casos, podemos pagar o dobro em combustível do que planeamos ao comprar o carro. A discrepância saltou à vista em 500 automóveis, quando comparámos a diferença entre os valores de consumo e de emissões de dióxido de carbono que a marca anuncia e os dados dos nossos testes a mais de 5 mil veículos, com condições de teste mais próximas da experiência na estrada.

As medições das marcas assentam em condições pouco realistas. Os fabricantes refugiam-se nas condições obrigatórias fixadas pela New European Driving Cycle (NEDC), sistema de homologação europeu. A principal falha da NEDC são os ciclos de condução usados nos testes, pouco representativos da realidade. 

As marcas aplicam ainda vários recursos tecnológicos para tirar proveito das limitações do teste e obter valores mais reduzidos: aumentam a pressão dos pneus para oferecer menos resistência ao rolamento ou cobrem superfícies salientes do carro para melhorar a aerodinâmica, por exemplo. É também o fabricante que escolhe a versão do automóvel para ser submetida às medições (normalmente, a versão mais leve e menos equipada). A marca fornece ainda alguns dados de desempenho determinantes nos cálculos.

Teste mais realista é urgente
Para aproximar os números publicitados dos efetivos, a União Europeia já tem um programa de ensaios mais realista, o Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure (WLTP), que deve substituir o NEDC.

A União Europeia está a ser pressionada pela indústria automóvel para atrasar a entrada em vigor do novo programa. A DECO, em conjunto com outras associações europeias de consumidores, já apelou ao Parlamento Europeu para que a implementação se faça até 2017, no máximo. 

Até lá, as tabelas de cálculo do Imposto Automóvel e do Imposto Único de Circulação com base nas emissões de dióxido de carbono devem ser adaptadas, para não sobrecarregar os consumidores de forma injusta. Medições mais realistas acarretam maiores valores de emissões poluentes nos automóveis. Para cada método de medição do dióxido de carbono (NEDC ou WLTP), deverão existir tabelas diferentes de cálculo dos impostos. Se nada for feito, a legítima informação dos consumidores pode ser aproveitada para aumentar o nível de impostos, já muito elevado no mercado automóvel português.


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