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Cidadãos debatem a chegada dos veículos autónomos à estrada

Os carros que “andam sozinhos” começam a ser uma realidade nas nossas estradas. Mas os cidadãos têm preocupações a que as seguradoras, políticos e forças de segurança devem dar resposta.

  • Texto
  • Diana Pedro Tavares e Nuno César
12 dezembro 2019
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  • Diana Pedro Tavares e Nuno César
Rosário Macário e Paulo Matos Martins da IASA promovem debate sobre condução autónoma

4See/Rodrigo Cabrita

No debate “Amanhã, as nossas vidas com veículos autónomos”, 30 cidadãos reuniram-se para partilhar opiniões e preocupações sobre esta tecnologia na Nova School of Business and Economics, em Carcavelos, no final de novembro. Esta sessão faz parte de um projeto que já percorreu cidades em todo o mundo, apoiado pela Comissão Europeia e promovido pela Associação IASA – Institute for Advance Studies and Awareness

O termo “carros autónomos” designa quaisquer veículos terrestres com capacidade de se deslocarem sem terem os controlos operados por um condutor humano. Funcionam através de um conjunto de tecnologia que agregam sensore e sistemas de controlo para monitorizar o ambiente que rodeia o veículo para manipular os controlos. A programação do software determina as melhores opções e age da forma que considera a mais segura e fiável.

Rosário Macário, professora no Instituto Superior Técnico e presidente da IASA, explica que a iniciativa procura sensibilizar para a presença destes transportes e perceber as dúvidas que podem suscitar nos consumidores. A segurança é, pela sua experiência, o tema mais abordado. “Estamos com uma máquina que não é controlável, fala sozinha, toma decisões sozinha. Dá-nos uma certa insegurança. Estamos habituados a controlar as máquinas, faz parte do prazer de conduzir”.  Estes transportes funcionam através do uso de inteligência artificial e sistemas conectados pela Internet das Coisas. A pirataria informática é um risco para o uso dos veículos com más intenções. 

Os dois debates da associação IASA contaram com 86 cidadãos. 
Os dois debates da associação IASA contaram com 86 cidadãos.

Rosário Macário, professora no Instituto Superior Técnico e presidente da IASA, é o rosto principal da iniciativa. 
Rosário Macário, professora no Instituto Superior Técnico e presidente da IASA, é o rosto principal da iniciativa.
Ricardo Martins, estudante de engenharia eletrotécnica, participou para informar-se sobre esta questão. E pergunta o “que vamos fazer em relação aos acidentes que vão acontecer mesmo com veículos autónomos?”. Fora da rede, a adaptação terá de ser feita pelas seguradoras e pela criação da legislação apropriada. “É preciso ainda muito trabalho do ponto de vista legal”, explica Rosário Macário, “quer do ponto de vista de formação dos juristas, quer de legislação, por exemplo, relativa aos seguros. É uma das áreas que vai sofrer maior impacto”. 

Ricardo Martins, estudante, gostava que os governantes como prioridade a legislação e o que fazer em caso de avaria ou acidente. 
Ricardo Martins, estudante, gostava que os governantes como prioridade a legislação e o que fazer em caso de avaria ou acidente.
A evolução da automação dos carros também requer observação do ponto de vista ético, dado que são as probabilidades que determinam quem o veículo protege primeiro (criança ou animal, criança ou idoso, etc.). “É necessário introduzir no cérebro do veículo estas questões de carácter ético, e ainda têm bastante trabalho para ser feito. E a cibersegurança do veículo. Há um salto muito grande com a introdução do 5G”, afirma a presidente da IASA. 

Além da questão informática, os estudos da OCDE avisam que a ideia de que 90% dos acidentes podem ser reduzidos com estes transportes é um mito. Os transportes autónomos não terão apenas de conviver com condutores humanos, mas também com estradas a precisar de arranjo, peões com comportamento inseguro, animais que podem entrar nas estradas, entre outros exemplos. “Erros” que vão continuar a existir apesar da automação do carro. 

Carros amigos do ambiente

Não se pode falar de futuro sem abordar a luta contra as alterações climáticas. Importa estudar e saber qual será o impacto ambiental desta tecnologia. A professora no Instituto Superior Técnico defende que estes transportes têm um papel “muito positivo”, pois parte da transição passa pelo uso dos modelos elétricos. 

Maria Hipólito, outra participante no debate promovido pela IASA recordou as perguntas sobre emissões poluentes como motivo para participar. “Uma das minhas preocupações era a poluição. Será que vamos ter em circulação menos veículos, com menos emissões poluentes? Se assim for, traz imensas melhorias. Deve ser a nossa preocupação atual”. Maria também alerta para a necessidade de legislação preparada. “Que desenvolvessem políticas para facilitar a implementação de todas as infraestruturas que isto vai implicar”. 

Maria Hipólito, outra participante no debate, destacou as vantagens para o ambiente. 
Maria Hipólito, outra participante no debate, destacou as vantagens para o ambiente.
No total, as duas atividades de debate realizadas em Portugal pela IASA contaram com a presença de 86 cidadãos. A iniciativa passou por 25 cidades em três continentes e os resultados obtidos já foram apresentados à Comissão Europeia, em Bruxelas. Outra garantia: este projeto vai continuar a sensibilizar os cidadãos até 2021.

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