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Carros familiares vencem SUV da moda

Conforto e espaço são argumentos para escolher um SUV. Comparámos 10 modelos com o irmão familiar e descobrimos mais contras do que vantagens.

  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão e António Souto
  • Texto
  • Nuno César e José Macário
12 fevereiro 2020 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão e António Souto
  • Texto
  • Nuno César e José Macário
carros volvo v90 e volvo xc90  lado a lado

Na hora de escolher um automóvel novo, cada vez mais consumidores optam por adquirir um SUV. Em 2018, 27% dos portugueses que compraram carro não resistiram aos encantos dos SUV. Este valor é quase cinco vezes maior do que há menos de uma década. São um fenómeno de popularidade e prometem continuar a fazer furor.

Entre os argumentos dos consumidores, os mais utilizados são o acesso ao interior, o espaço de carga e na cabina, a visibilidade e uma posição de condução mais elevada. A tração integral não é um fator valorizado. Será uma compra racional ou emocional? Haverá vantagens em comprar um SUV ou estarão os consumidores valorizar o design mais atrativo destas propostas?

Comparámos 10 SUV com modelos equivalentes, do mesmo segmento, mas com outro tipo de carroçaria. Contemplámos todas as categorias, dos citadinos aos modelos de luxo, sem esquecer as energias alternativas, como o GPL ou a eletricidade. Escolhemos apenas carros submetidos aos nossos testes e tentámos que todos os duelos fossem entre carros da mesma marca: as duas exceções foram a dupla Seat Arona vs. Volkswagen Polo e Volkswagen Touareg vs. Audi A6 Avant. Em ambos os casos, as marcas pertencem ao mesmo grupo e os modelos usam os mesmos motores e caixas de velocidades, tornando-os comparáveis. A comparação é feita com base nas medições dos testes, tanto em matéria de segurança como de capacidades e desempenho ambiental, para garantir dados rigorosos e isentos.

Seat Ateca ou Seat Leon: o familiar leva vantagem com menor consumo. O SUV vale-se da melhor visibilidade e mais espaço na mala. Não chega para compensar o preço e o custo mensal. 
Seat Ateca ou Seat Leon: o familiar leva vantagem com menor consumo. O SUV vale-se da melhor visibilidade e mais espaço na mala. Não chega para compensar o preço e o custo mensal.

Hyundai Kauai electric ou Ioniq electric: o Kauai consome mais e é mais pesado. No espaço, empate técnico. 

Hyundai Kauai electric ou Hyundai Ioniq electric: o Kauai consome mais e é mais pesado. No espaço, o resultado é um empate técnico. 
Volvo XC90 ou Volvo V90: o SUV sueco é grande, pesado e espaçoso. Recebe até sete passageiros. A carrinha é mais eficiente. 
Volvo XC90 ou Volvo V90: o SUV sueco é grande, pesado e espaçoso. Recebe até sete passageiros. A carrinha é mais eficiente.
Volkswagen T-Cross ou Volkswagen Polo: o primeiro exibe um habitáculo muito espaçoso e banco traseiro deslizável. 
Volkswagen T-Cross ou Volkswagen Polo: o primeiro exibe um habitáculo muito espaçoso e banco traseiro deslizável.

Seat Arona ou Volkswagen Polo: mais peso e consumo no modelo espanhol, que oferece mais carga e uma posição de condução mais confortável. 

Seat Arona ou Volkswagen Polo: mais peso e consumo no modelo espanhol, que oferece mais carga e uma posição de condução mais confortável.  

SUV e crossover consomem mais

Na análise dos dados, salta uma verdade universal: se pretende um veículo ambientalmente sustentável e com baixo custo de utilização, opte sempre pelo mais pequeno e leve possível, sem deixar de responder à sua necessidade de espaço, não a excedendo em demasia. À luz deste princípio, os SUV raramente são uma boa opção. São sempre mais pesados do que os seus concorrentes do mesmo segmento, uma diferença que pode chegar aos 20%, cerca de 250 quilos.

Além do acréscimo de peso, possuem, devido ao design, uma maior altura ao solo e um quociente aerodinâmico desfavorável, quando comparados com modelos mais baixos. Maior peso e resistência ao ar equivalem a um maior consumo de combustível, que no caso dos modelos comparados pode ascender a uns assombrosos 31 por cento. Por exemplo, o Volvo XC90 D5 analisado gasta 7,7 litros de gasóleo por cada 100 km, face aos 6,9 l/100 km registados pelo Volvo V90 D4. Consumir combustível convencional ou ser alimentado por energias alternativas não muda os resultados. É uma questão de peso, mais massa e resistência, maior consumo. E menos dois pontos para os SUV.

Os resultados dos confrontos revelam também que os SUV custam mais a manter, ou seja, equacionando os custos de utilização, de manutenção e de desvalorização, sai sempre mais caro ser dono de um SUV, diferença que pode ir até aos 28%, como acontece na disputa entre o Mazda CX-3 e o Mazda2, com o SUV compacto da casa japonesa a obrigar a uma maior fatura mensal.

Mais espaço e mais bagageira

O SUV não perde para o carro convencional em toda a linha, oferecendo vantagens palpáveis, sobretudo nos segmentos mais pequenos, como os citadinos e compactos. Nestas categorias, o consumo do SUV é 10% mais elevado, mas oferece uma capacidade de carga bem acima dos concorrentes. Exemplo disso são os 29% de carga extra suportados pelo Ford EcoSport face ao Ford Fiesta ou os 12% de diferença entre o Seat Arona e o Volkswagen Polo, com vantagem para o SUV espanhol.

Além disso, pelo seu design e pela altura ao solo, oferecem uma maior facilidade na entrada e saída do habitáculo, bem como uma posição mais elevada, o que favorece o comando das operações e a visibilidade do espaço circundante, um fator a ter em conta quando consideramos a segurança.

Neste campeonato, importa desmistificar a ideia de que os SUV são mais seguros, sobretudo na proteção de peões. Por serem mais altos, os SUV não são menos nocivos em caso de embate com um peão. Com base nos dados do Euro NCAP, apenas dois SUV apresentam melhor prestação do que os antagonistas, com metade a perder a batalha. Na classificação geral dada por esta entidade, o empate é o resultado mais frequente. Apenas no confronto entre o Ford Ecosport e o Ford Fiesta há diferença entre o número de estrelas atribuído, com o SUV americano a receber quatro e o Fiesta a conseguir cinco.

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