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Carro a gasolina, gasóleo, híbrido ou elétrico? Comparámos custos e tecnologias

Automóvel a gasolina, gasóleo, híbrido, híbrido plug-in, elétrico e hidrogénio: explicamos como funciona e revelamos os prós e contras de cada tecnologia. Se tiver mesmo de comprar, o carro elétrico é o melhor negócio.

  • Dossiê técnico
  • António Souto e Alexandre Marvão
  • Texto
  • Nuno César
05 novembro 2021
  • Dossiê técnico
  • António Souto e Alexandre Marvão
  • Texto
  • Nuno César
Holograma da frente de um automóvel

iStock

Aceitam-se apostas para a data de extinção dos carros a gasolina, exceção para os modelos de coleção. Indispensável do ponto de vista ambiental, pretende-se que a transição ocorra nas próximas décadas de modo suave e confortável, com mais e melhores condições de carregamento elétrico e renovação natural do parque automóvel. O motor a combustão vai desaparecer, e a Comissão Europeia apressou-se a anunciá-lo.

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Algumas marcas já se posicionam e lideram a corrida da eletrificação, alterando linhas de produção. A União Europeia avançou com um prazo de validade para os motores de combustão: a proposta visa proibir, a partir de 2035, a venda de carros novos com motor a gasolina ou gasóleo. Mesmo com alguma componente de eletrificação, estes veículos têm sentença de morte.

Vendas de carros elétricos cresceram 41% em setembro

As vendas disparam todos os meses. E, em tempo de férias, a mobilidade elétrica não abrandou. Em setembro, as vendas de veículos elétricos (100% elétricos ou híbridos plug-in) registaram um crescimento homólogo de 41 por cento. E foi batido o recorde mensal de vendas de carros 100% elétricos em Portugal. Por sua vez, os veículos com motores de combustão interna registam quedas pelo terceiro mês consecutivo, segundo a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE).

Nos três anos em exame (2019, 2020 e 2021), e com a interferência da covid-19, o dado mais relevante é o aumento significativo das vendas de veículos elétricos. Nos carros plug-in, foram nove meses consecutivos a superar os números dos anos anteriores.

Híbrido plug-in? Só se carregar a bateria com regularidade

Nalgumas cidades, já há zonas onde não podem circular veículos de combustão interna com motores de certas idades. Aliás, várias urbes europeias proíbem a sua entrada. A limitação aplica-se a carros híbridos e híbridos plug-in, movidos também por gasolina ou gasóleo.

Ao volante de um carro híbrido, pode poupar combustível com uma condução cuidada, beneficiando ao máximo da regeneração. Esta categoria inclui ainda os recentes mild hybrid: modelos com um motor elétrico modesto, que serve apenas para auxiliar o motor a combustão, dando uma sensação de maior potência instantânea. A veia eletrizante dos híbridos plug-in esconde várias limitações. Ambos os motores funcionam, com momentos de poupança de combustível fóssil. E, com cuidado ao volante, consegue poupanças significativas, quer no período de condução elétrica, quer através do funcionamento simultâneo dos motores. Mas é essencial fazer o carregamento regular das baterias e aproveitar ao máximo o período de regeneração. De contrário, o consumo dispara, ficando muito acima do registado por um carro idêntico de combustão interna. Bem usado, com o carregamento regular da bateria e o aproveitamento da condução em modo 100% elétrico, no cálculo do custo de utilização e posse para a maioria dos utilizadores, o híbrido plug-in a gasolina fica quase tão vantajoso quanto o elétrico. Mal utilizado, ou seja, sem nunca carregar a bateria, é uma das piores opções.

Comprar um carro elétrico já é a solução mais vantajosa. Os elétricos do segmento pequeno e médio comprados hoje em Portugal são a solução mais interessante ao longo da vida do veículo. A poupança é significativa para quem é proprietário de um elétrico em segunda e terceira mão: menor desvalorização e máximo benefício dos baixos custos de energia e manutenção. Para os primeiros donos, a economia com a eletricidade torna-se muito apetecível, se conduzirem mais de 25 mil quilómetros por ano. Mas, nalguns cenários, mesmo para baixa quilometragem anual (até cinco mil), já é possível obter vantagens. Por exemplo, para condutores que rodem mais de 25 mil quilómetros ao ano e mantenham o carro durante seis anos, um elétrico do segmento médio permite uma economia de 12 600 euros e 6300 euros, em comparação com um modelo a gasolina e a gasóleo, respetivamente.

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Veículo de combustão interna

Veículo convencional com motor interno de combustão, movido a combustíveis fósseis: gasolina, gasóleo, GPL ou GNV. Para cumprir os limites impostos pelas mais recentes normas relativas a emissões, é preciso criar soluções de grande complexidade.

Automóvel de combustão interna

Autonomia 600 a 800 quilómetros.

Manutenção regular Custos elevados.

Eficiência do motor 13%.

Fiscalidade Paga ISV e IUC  por inteiro. Veículos a gasóleo sujeitos a uma sobretaxa.

Condução Binário aumenta com a aceleração, ganhando potência progressivamente. Menores consumos em autoestrada e maiores na cidade. Climatização do habitáculo sem grande impacto nos consumos.

Desempenho ambiental Emite gases com efeito de estufa e outros gases e partículas nocivos para o ambiente.

Prós Preço mais acessível. Maior oferta. Sem problemas de autonomia.

Contras Tecnologia com um futuro curto. Elevado nível de emissões diretas. Custo total de posse e utilização elevado.

Veículo híbrido

Veículo com ambas as tecnologias, motor a combustão e motor elétrico. O motor a combustão é a força principal de locomoção. Inclui um pequeno conjunto de baterias, carregado apenas pela regeneração. O modo de condução puramente elétrico só é possível a velocidade muito reduzida. O motor elétrico serve para apoiar o motor a combustão e poupar combustível.

Automóvel híbrido 

Autonomia 600 a 800 quilómetros.

Manutenção regular Custos elevados.

Eficiência do motor 15%.

Fiscalidade Paga ISV e IUC por inteiro. Veículos a gasóleo sujeitos a uma sobretaxa.

Condução Binário aumenta com aceleração, ganhando potência aos poucos. Ao entrar em ação, o motor elétrico compensa a menor potência a baixa rotação. Menores consumos em autoestrada e maiores na cidade.

Desempenho ambiental Gases com efeito de estufa e outros gases e partículas nocivos para o ambiente.

Prós Preço mais acessível. Maior oferta. Sem problemas de autonomia.

Contras Tecnologia com um futuro curto. Elevado nível de emissões diretas. Custo total de posse e utilização elevado.

Híbrido plug-in

Veículo com ambas as tecnologias: motor a combustão e elétrico. Possibilidade de carregar as baterias, que são de maior dimensão, mas muito inferiores às dos veículos 100% elétricos. Modo de condução puramente elétrico disponível apenas para percursos até 50 quilómetros.

Automóvel híbrido plug-in 

Autonomia 600 a 800 quilómetros com motor a combustão e 40 a 50 quilómetros só com motor elétrico.

Manutenção regular Custos elevados.

Eficiência do motor 17%.

Fiscalidade Desconto no ISV, se a autonomia for superior a 40 quilómetros. De contrário, os impostos são pagos por inteiro.

Condução Binário aumenta com a aceleração, ganhando potência aos poucos. Ao entrar em ação, o motor elétrico compensa a menor potência a baixa rotação. Menores consumos em autoestrada e maiores na cidade.

Desempenho ambiental Gases com efeito de estufa, outros gases e partículas nocivos para o ambiente.

Prós Maior oferta e sem problemas de autonomia.

Contras Além do custo de manutenção, o preço aproxima-se do preço do elétrico.

Elétrico a baterias

Veículo com a tecnologia elétrica e baterias. Grande unidade de baterias com sistema de carregamento. Modo de condução puramente elétrico. Com uma condução cuidada, aumenta a autonomia: basta aproveitar ao máximo os períodos de regeneração e adotar dicas para reduzir consumos.

Automóvel elétrico a baterias 

Autonomia 150 a 500 quilómetros.

Manutenção regular Custos reduzidos.

Eficiência do motor 73%.

Fiscalidade Por enquanto, isento de ISV e IUC.

Condução Binário máximo sempre disponível, dando a sensação de veículo com muita potência. Condução silenciosa. Maior consumo em autoestrada e menor na cidade. Climatização com grande impacto no consumo.

Desempenho ambiental Usa eletricidade. Não produz nenhum tipo de emissão direta para o ambiente. Mas, na sua produção, esta eletricidade tem emissões. Podem ser reduzidas com o aumento do recurso a produções renováveis.

Prós Custo total de posse e utilização mais reduzido. Sem emissões diretas.

Contras Tecnologia em desenvolvimento. Oferta limitada. Preço ainda elevado. Com menor autonomia, depende da rede de carregadores. Carregamento longo.

Elétrico a hidrogénio

Neste veículo elétrico, a bateria é substituída por hidrogénio, que é convertido em eletricidade através da pilha de combustível. Trata-se de um dispositivo eletroquímico, onde reagem dois elementos químicos para produzir eletricidade: o hidrogénio e o oxigénio.

Automóvel elétrico a hidrogénio 

Autonomia 500 a 700 quilómetros.

Manutenção regular Ainda não se sabe como se comporta neste ponto.

Eficiência do motor 22%.

Fiscalidade Por enquanto, isento de ISV e IUC.

Condução Binário máximo sempre disponível, dando a sensação de veículo com muita potência. Condução silenciosa. Maiores consumos em autoestrada e menores na cidade. Climatização com grande impacto no consumo.

Desempenho ambiental Usam eletricidade. Não produzem nenhum tipo de emissão direta para o ambiente. A produção do hidrogénio pode ser ecológica, se recorrer a fontes de energia renováveis.

Prós Melhor autonomia do que o elétrico puro. Sem emissões diretas.

Contras Custo total de posse e utilização. Não existem postos de carregamento. Preço do hidrogénio é elevado.

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