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Automóveis: queremos modelos mais seguros para todos

09 outubro 2015 Arquivado
Automoveis seguros

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As imagens que se seguem impressionam os mais sensíveis. É a primeira reportagem no epicentro dos testes de colisão com um automóvel à venda na Colômbia e no Brasil. Vítima: Renault Duster, como lhe chamam no outro lado do Atlântico, Dacia Duster na Europa.

Menos seguros no Brasil, porquê?

Em muitos países da América do Sul, o nível de proteção dos ocupantes adultos e crianças ainda está abaixo dos padrões mínimos de segurança. Mas os últimos testes de colisão do Latin NCAP já mostram grandes progressos, sobretudo nos carros vendidos no Brasil. A lei é mais exigente: obriga, por exemplo, a incluir 2 airbags frontais (condutor e passageiro) e ABS. O contributo da Proteste, a nossa congénere do outro lado do Atlântico, tem sido decisivo. Ainda assim, no último mês, o Renault Duster só conseguiu 4 estrelas na proteção de ocupantes adultos.

A versão básica, fabricada e comprada na Colômbia, é vendida só com airbag para o condutor. Obteve apenas 4 estrelas para a proteção do ocupante adulto e 2 estrelas para a proteção das crianças. Este modelo oferece uma proteção marginal para o peito dos adultos. A cabeça do passageiro pode embater contra o painel, já que esta versão não traz airbag para o acompanhante.

O manual do carro indica que há uma versão com Isofix. Contudo, a unidade testada não o tinha. Vendido como Dacia, este modelo proporciona dupla proteção frontal e lateral, Isofix e controlo eletrónico de estabilidade de série na versão mais básica na Europa. Fica a pergunta de João Dias Antunes, membro da Direção do Latin NCAP: “deixaria os seus filhos viajar num carro que não proporciona uma boa proteção?” E dispara em várias direções: “E por que razão o fabricante vende o mesmo carro com versões de segurança diferentes, adequando-se à falta de lei nos países? Só visam um objetivo, o lucro.” A crítica aumenta de tom: “E as seguradoras, por que não impõem aos fabricantes maiores níveis de segurança? Simples, a resposta está no custo da vida humana. Por exemplo, na América Latina, o valor máximo é de 20 mil dólares, idêntico ao custo de um carro novo, enquanto nos países desenvolvidos o valor é 5 a 6 vezes maior. É triste, mas é a realidade crua e dura”, remata João Dias Antunes.

Alejandro Furas, secretário-geral do Latin NCAP, denuncia: “É dececionante ver modelos iguais com menos equipamento na América Latina do que na Europa”.
Alejandro Furas, secretário-geral do Latin NCAP, denuncia: “É dececionante ver modelos iguais com menos equipamento na América Latina do que na Europa”.
Alejandro Furas não hesita: “a proteção das crianças é muito fraca. Esta deve ser uma das principais prioridades para os fabricantes.”
João Dias Antunes, membro da Direção do Latin NCAP, destaca ”o esforço de alguns fabricantes na melhoria da segurança dos carros à venda na América Latina”.
João Dias Antunes, membro da Direção do Latin NCAP, destaca ”o esforço de alguns fabricantes na melhoria da segurança dos carros à venda na América Latina”.

“Infelizmente, uma grande parte dos carros, como o Renault Duster, mostram que a luta por um elevado padrão de segurança tem de continuar”, aponta João Dias Antunes. A avaliação do Duster foi feita com base nos requisitos mínimos da ONU para um crash test. No próximo ano, o Latin NCAP adotará um sistema mais exigente e idêntico ao já praticado na Europa pelo Euro NCAP.

“É urgente que os governos adotem os regulamentos da ONU e tornem obrigatório o seguro contra terceiros com valores atualizados, e não como no Brasil onde o DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres) é obrigatório, mas as coberturas não são compatíveis com a realidade do país. Os valores são muito baixos. Só assim as seguradoras passarão a exigir maior segurança passiva nos carros e através do prémio cobrado, em função do equipamento de segurança do carro”, explica João Dias Antunes.

Em setembro último, a Toyota New Hilux foi a 1.ª pick-up aprovada com 5 estrelas para ocupantes adultos, pelo Latin NCAP. A estrutura é robusta e os três airbags com os cintos de segurança protegeram corretamente os ocupantes no impacto frontal. A Hilux também proporcionou boa proteção no impacto lateral.

Jeep Renegade e Toyota Hilux: estreias de sucesso no teste.
Jeep Renegade e Toyota Hilux: estreias de sucesso no teste.
Lifan 320 e Chery IQ: reprovados sem nenhuma estrela.
Lifan 320 e Chery IQ: reprovados sem nenhuma estrela.
Em julho último, o Jeep Renegade atingiu a nota máxima: foi o 1.º modelo produzido no Brasil a conseguir 5 estrelas. Pelo contrário, o Chery IQ não recebeu qualquer estrela. A versão básica do Chery IQ, produzido na China, é vendido na América Latina sem airbags, exceto no Brasil.