Notícias

Automóveis: queremos modelos mais seguros para todos

Década da segurança

A Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa e a Global NCAP uniram esforços em prol da segurança dos carros. Cada teste é uma oportunidade para apelar à adesão de todos os países aos padrões de segurança das Nações Unidas no mundo inteiro. Todos os anos, dezenas de milhares de mortes e centenas de milhares de lesões poderiam ser evitadas se todos os países aplicassem as regras de segurança descritas nas normas da Organização das Nações Unidas e promovidas pelo fórum mundial para a harmonização de regulamentos sobre veículos.

Nos últimos anos, os resultados dos testes de colisão do Global NCAP demonstram que milhões de automóveis novos vendidos nos países em desenvolvimento não cumprem as normas da ONU ao nível das provas de impacto frontal e lateral. Resultado: os ocupantes destes carros enfrentam um sério risco de morte em caso de acidentes. O problema é mais inquietante na Índia, China e América do Sul, com uma taxa de mortalidade na estrada de 21 por cada 100 mil habitantes, o dobro da dos EUA e 4 vezes mais do que na União Europeia (5 por cada 100 mil, em 2014).

“É inaceitável que carros vendidos no Brasil, Chile ou Colômbia possam ser intencionalmente menos seguros do que os exemplares idênticos nos países desenvolvidos”, critica o secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, Christian Friis Bach, durante o último crash test, a que assistimos. Aproveitou ainda para incentivar a indústria automóvel a garantir a aplicação dos mesmos padrões elevados de segurança aos carros vendidos no mundo inteiro. Para atingir esta meta, é essencial que todos os membros da ONU ratifiquem e apliquem a “lei” da segurança rodoviária, sobretudo os regulamentos técnicos para a construção de automóveis. Christian Friis Bach convida todos os países construtores de automóveis a juntar-se ao fórum mundial e a participar de forma ativa na criação de regras.

David Ward, secretário-geral da Global NCAP, Felipe Laguens, presidente do Observatório Iberoamericano de Segurança nas Estradas e Christian Bach, a uma só voz, em prol da segurança.
David Ward, secretário-geral da Global NCAP, Felipe Laguens, presidente do Observatório Iberoamericano de Segurança nas Estradas e Christian Bach, a uma só voz, em prol da segurança.

David Ward, secretário-geral da Global NCAP, revela uma meta ambiciosa: “até ao final da Década de Ação, programa das Nações Unidas para a Segurança nas Estradas (2011-2020), pretendemos que todos os novos carros cumpram as regras básicas na proteção dos ocupantes em caso de colisão e as normas de referência para evitar acidentes.” Os veículos devem incluir na estrutura zonas de deformação, airbags e sistema de controlo eletrónico de estabilidade. Esta organização aponta 10 recomendações para respeitar este prazo. David Ward garante que “o calendário é realista e exequível”.

Números da verdade
É urgente acabar com as mortes na estrada. Os acidentes são a principal causa de morte nos jovens. Quase 1,3 milhões de pessoas do mundo inteiro morrem por ano devido a acidentes na estrada. 90% das mortes na estrada ocorrem em países em desenvolvimento.

Estima-se que o número de mortes por acidentes rodoviários aumente para 1,9 milhões de pessoas em 2020. Os acidentes na estrada podem ser evitados.