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Automóveis: queremos modelos mais seguros para todos

09 outubro 2015 Arquivado
Automoveis seguros

09 outubro 2015 Arquivado

As imagens que se seguem impressionam os mais sensíveis. É a primeira reportagem no epicentro dos testes de colisão com um automóvel à venda na Colômbia e no Brasil. Vítima: Renault Duster, como lhe chamam no outro lado do Atlântico, Dacia Duster na Europa.

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Depois de 48 horas a conhecer as novidades e as estreias mundiais do salão de Frankfurt, viajámos 380 km até Landsberg am Lech, na Alemanha, para ver pela primeira vez um teste de colisão ao vivo e a cores.

O teste não é uma novidade para a nossa equipa. De facto, todos os anos, destacamos os automóveis mais seguros e os vencedores de cada classe com desempenho exemplar. Testamos a segurança através do Euro NCAP e Latin NCAP, respetivamente Programas de Avaliação de Carros Novos para a Europa e América Latina. Estes realizam os testes de colisão, sob a égide da International Consumer Research and Testing, da qual somos parceiros desde o primeiro dia. Mas, ao vivo e com direito a tudo, foi a primeira vez que participámos num crash test a acompanhar os nossos parceiros, em prol da segurança na América Latina.

Cinco técnicos preparam o carro durante 3 horas para uma prova de 10 segundos.
Cinco técnicos preparam o carro durante 3 horas para uma prova de 10 segundos.
Operação de perícia ao milímetro. Antes do momento da verdade, verificamos todos os pormenores.
Operação de perícia ao milímetro. Antes do momento da verdade, verificamos todos os pormenores.

Aviso à navegação: depois de ler o trabalho dos nossos enviados especiais, nunca mais vai olhar para o seu carro da mesma maneira. O cheiro pesado do laboratório mete medo. O perfume do aço, das fibras expostas e da chapa quebrada, os sons do impacto de cada colisão, a força para abrir as portas a ferro e fogo marcam esta viagem ao centro de testes. É imediato: o som da batida frontal invade-nos o cérebro e bloqueia o movimento. Seguem-se minutos de um ziguezague silencioso, enquanto vemos o filme das vidas que se podem salvar ou perder em menos de um segundo.

Enquanto dominam os ecos daquele estrondo, ninguém se mexe, nem abandona o perímetro de segurança. Conseguimos registar os impactos, os danos e os movimentos em cada fração de segundo. Impressiona mesmo os consumidores mais destemidos.

Na avaliação, nada é esquecido. Depois do impacto a 64 km/h, o dummy e o carro não enganam.
Na avaliação, nada é esquecido. Depois do impacto a 64 km/h, o dummy e o carro não enganam.

Estamos num autêntico estúdio de televisão com super-iluminação e dezenas de câmaras de vídeo prontas a registar cada milímetro do impacto, mas com duas diferenças importantes: aqui, as pessoas não falam e há carros em colisão permanente. Silêncio absoluto: o carro vai entrar no ar.

Tememos pela nossa vida e pela vida dos dummies, os manequins de ensaio. Cada dummy custa 250 mil euros. O custo do teste por modelo é 6 a 10 vezes superior ao preço do carro. Perguntamos se podemos deixar as câmaras ali perto a gravar, mas ninguém se responsabiliza pelo estrago. Adotamos um plano alternativo e ficamos o mais perto possível do crash test.

“É inaceitável que carros vendidos no Brasil, Chile ou Colômbia possam ser menos seguros do que os modelos idênticos na Europa”, critica o secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, Christian Bach.
“É inaceitável que carros vendidos no Brasil, Chile ou Colômbia possam ser menos seguros do que os modelos idênticos na Europa”, critica o secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, Christian Bach.
Também testámos os sistemas de segurança ativa e experimentámos a mudança brusca de direção a 60, 70 e 80 km/h sem ajudas. As leis da física não perdoam.
Também testámos os sistemas de segurança ativa e experimentámos a mudança brusca de direção a 60, 70 e 80 km/h sem ajudas. As leis da física não perdoam.