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Automóveis híbridos plug-in não são todos iguais nos testes Green NCAP

O Green NCAP testou, pela primeira vez, automóveis híbridos plug-in. Nascer híbrido plug-in não garante um melhor desempenho ambiental. Foram avaliados 25 novos carros, entre modelos apenas com motores a combustão, elétricos, híbridos plug-in, e nem o Hyundai Nexo movido a hidrogénio escapou.

  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão e António Souto
  • Texto
  • Nuno César
05 abril 2021
  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão e António Souto
  • Texto
  • Nuno César
Botão power híbrido

iStock

O facto de um carro ser híbrido plug-in não lhe garante um melhor desempenho ambiental. O Green NCAP avalia o desempenho ambiental dos carros vendidos na Europa. Está para o desempenho ambiental como o Euro NCAP está para a segurança automóvel. O Volkswagen ID.3 e o Hyundai Nexo foram os únicos a conquistar a nota máxima de cinco estrelas. Quando se trata do ambiente, os carros 100% elétricos superam a concorrência.

Ver consumos e emissões reais dos carros

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O primeiro carro elétrico da Volkswagen, o ID.3, passa com distinção.
Mitsubishi Outlander híbrido plug-in reprovou no desempenho ambiental. 
Mitsubishi Outlander híbrido plug-in reprova no desempenho ambiental.
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Hyundai Nexo não consegue igualar o ID.3 em eficiência energética.

Nos últimos meses, os híbridos plug-in foram alvo de ataques ao nível dos valores reais de consumos e emissões. O Green NCAP examinou a fundo três modelos desta categoria: o Kia Niro, o Mitsubishi Outlander e a versão PHEV do Toyota Prius. Não há dois híbridos plug-in iguais. Os resultados variam muito. O Toyota Prius Plug-in, por exemplo, conseguiu uma excelente classificação de quatro estrelas, batendo a concorrência, exceto os elétricos. O Kia Niro PHEV não fica longe do Prius, mas o desempenho do Mitsubishi Outlander deixou muito a desejar, com apenas duas estrelas. Alguns dos mais recentes carros a gasolina ou gasóleo de acordo com a norma Euro 6 conseguem resultados melhores do que o eletrificado Outlander. Motivo: a baixa autonomia elétrica, a reduzida eficiência e o nível de gases emitidos do motor de combustão interna.

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“Os consumidores exigem informação transparente e independente sobre o impacto ambiental dos carros. Muitos acreditam que, por comprarem um carro com o título de plug-in e mantê-lo sempre carregado estão a ajudar o ambiente, mas estes resultados demonstram que pode não ser o caso”, alerta o Green NCAP. Grande e pesado, o Mitsubishi Outlander acusa uma autonomia limitada. Por sua vez, a Toyota, com longa experiência nos motores híbridos, fez um trabalho notável, e o Prius, quando bem usado, consegue garantir um transporte limpo e eficiente. Impressiona com uma classificação de 4 estrelas. Na verdade, todos os PHEV têm de ser conduzidos o máximo possível com recurso à bateria para atingirem todo o seu potencial.

Entre os outros automóveis avaliados, destacamos as três estrelas e meia do também híbrido, mas não plug-in, Toyota Yaris. O Toyota Yaris Hybrid realça a experiência da marca no campo da eletrificação com uma classificação respeitável de 3 estrelas e meia. Mas é igualado por dois carros com motor convencional, o Škoda Octavia Break 2.0 a gasóleo e o Volkswagen Golf 1.5 a gasolina, que conquistam os melhores resultados de sempre entre os carros não eletrificados.

Škoda Octavia Break 2.0 a gasóleo conquista o melhor resultado de sempre entre os carros não eletrificados. 
Škoda Octavia Break 2.0 a gasóleo conquista o melhor resultado de sempre entre os carros não eletrificados.

Modelos a combustão acima dos híbridos

A tecnologia PHEV é muito apreciada pelos fabricantes que procuram assim cumprir a nova legislação das emissões. Os construtores comercializam-nos como oferecendo “o melhor dos dois mundos” (energia elétrica limpa e autonomia de um carro com motor de combustão), mas nem todos os híbridos são iguais. Entre os modelos Kia Niro, Mitsubishi Outlander e Toyota Prius, os híbridos oferecem “benefícios ambientais” diferentes.

O Hyundai Nexo, um carro com célula de combustível de hidrogénio, demonstra que esta tecnologia em desenvolvimento é promissora. O Hyundai Nexo alcançou cinco estrelas: provou ser tão limpo como um elétrico a baterias e quase tão eficiente ao nível energético. Com uma tecnologia que converte hidrogénio em eletricidade, o Nexo emite apenas água no tubo de escape e oferece uma autonomia incomparável a qualquer veículo elétrico, além de o abastecimento ser tão rápido e fácil como num carro convencional. Este resultado mostra o enorme potencial da tecnologia. Mas estes carros só poderão ser uma opção quando existir uma rede robusta de postos de abastecimento de hidrogénio. A norma Euro 6 começa a mostrar serviço. Pela primeira vez, estamos a ver no mundo real carros com enormes avanços nas emissões.

Toyota Yaris híbrido, Mazda CX-30, Mini Cooper, Volvo XC60 e Hyundai Tucson são algumas das principais estreias e novidades nos testes mais recentes do Green NCAP, que classifica os carros até 5 estrelas e revela tudo sobre as provas mais exigentes.

Híbridos e versões plug-in sem desconto no imposto sobre veículos

Benefício fiscal com benefício ambiental se paga. O Orçamento do Estado de 2021 traz restrições para os veículos híbridos e híbridos plug-in no acesso a descontos no imposto sobre veículos (ISV). Acaba com o desconto sobre os veículos híbridos e limita o acesso aos veículos híbridos plug-in, que só podem beneficiar do mesmo se respeitarem duas regras, a chamada regra dos 50/50: emissões de CO2 inferiores a 50 g/km e autonomia em modo elétrico igual ou superior a 50 quilómetros. Estas regras foram alvo de polémica e confusão no debate da transição para a mobilidade elétrica. Mas, como demonstra este teste, não basta ser híbrido para um carro ser amigo do ambiente. E, como não basta parecer, é preciso ser. Logo, as regras devem ser objetivas. O setor já não vive uma fase embrionária da implementação de tecnologia. Impõe-se fixar critérios sobre os resultados efetivos na atribuição de benefícios.

O novo contexto do ISV para 2021 exige critérios ambientais que justifiquem o benefício fiscal. É preciso garantir que os veículos híbridos trazem benefícios ao ambiente, antes de contar com isenções ou incentivos. É isso que a nova fórmula de cálculo visa fazer: beneficiar os veículos que respeitam um limite de emissões e garantem um nível mínimo de autonomia em modo 100% elétrico, proporcionando uma maior possibilidade de utilização no modo mais amigo do ambiente e que fora disso, por distância ou utilização incorreta, mesmo assim apresenta um nível de emissões reduzido. Estas ferramentas fiscais devem ser objetivas, transparentes e trazer vantagens para todos, incentivando as melhores opções.

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