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Automóveis elétricos mentem sobre a autonomia da bateria

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Depois do escândalo das emissões, chegou a vez da autonomia real dos carros elétricos. Testámos 10 modelos. Os construtores não exibem informação fiável sobre a autonomia. A maior diferença chega aos 52% no BMW i3 e no VW e-Golf.

27 novembro 2017
eletricos

Nissan

O avanço tecnológico acabou com o medo de ficar parado na estrada sem carga e já existem carros que anunciam autonomias de 600 quilómetros. Mas entre o que as marcas publicitam nos sites e as medições que realizámos, há uma discrepância média de 31 por cento.

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Veja no vídeo os resultados do nosso teste à autonomia dos carros elétricos.

Factos eletrizantes

A 1 de setembro de 2017, tornou-se obrigatório homologar os novos veículos segundo o ciclo WLTP, que substituiu o ciclo NEDC, considerado pouco representativo das condições reais de condução.

Todos os modelos homologados antes da entrada em vigor do novo ciclo anunciam os dados de consumos e emissões resultantes dos testes NEDC, que, como já se viu em mais de 15 anos de testes a carros com motor de combustão interna, não é fiável. Analisámos os resultados dos nossos testes – com ciclos de carga mais realistas – e encontrámos valores bem diferentes dos anunciados. Por exemplo, o Volkswagen e-Golf e o BMW i3 acusam uma discrepância de 52% entre a autonomia anunciada e a real, ou seja, os modelos alemães não cumprem metade dos 300 km prometidos. Ainda assim, estas propostas têm carga suficiente para mais de 90% dos trajetos diários.

A autonomia depende de vários fatores – do estilo de condução ao tipo de trajeto utilizado, passando pela temperatura. Isso mesmo é explicado nos sites de alguns construtores, uma tentativa louvável de dar mais informação. Algumas marcas vão mais longe. A BMW, por exemplo, menciona os 300 km de autonomia medidos com o NEDC, mas alerta que o consumidor deve esperar não mais de 200 km “reais”. Ainda assim, bem mais do que os 145 km que medimos. O melhor exemplo é o da Renault, que disponibiliza, na página do Zoe, um simulador para prever com exatidão o que esperar das novas baterias.

Das duas, uma: ou as marcas fornecem dados mais próximos da realidade ou o negócio “perde carga”. As marcas devem ser mais precisas na autonomia real e não se podem escudar com metodologias fora de moda.

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