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Automóveis: consumo, emissões e impostos, um triângulo muito perigoso

24 setembro 2015 Arquivado
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24 setembro 2015 Arquivado

A crise na Volkswagen reforça os resultados dos nossos testes: os fabricantes recorrem a práticas desonestas para transmitir aos consumidores informação errada sobre emissões e consumos. Exigimos a entrada em vigor do novo protocolo de teste mais realista.

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A Volkswagen está a ser investigada nos Estados Unidos por alegadamente usar um software que altera os resultados dos testes de emissões poluentes em vários modelos a gasóleo. 

Não estamos admirados: no caso do consumo, por exemplo, há vários anos que os nossos testes a automóveis demonstram, de uma forma consistente, que o consumo real é muito superior aos números oficiais anunciados pelas marcas. Na verdade, os modelos consomem mais 18% a 50% de combustível do que declaram. O BEUC, Organização Europeia dos Consumidores, da qual a DECO faz parte, reforça o apelo para atualizar o modelo de teste dos consumos e emissões.

Alerta dos consumidores sobre consumo, emissões e impostos dos automóveis

O segredo do negócio reside na forma como os testes são realizados. As nossas medições têm em conta condições realistas: percursos de rua, estrada, autoestrada e combinado. Já as medições das marcas assentam em condições que pouco têm a ver com a realidade. Os fabricantes refugiam-se nas condições fixadas pela New European Driving Cycle (NEDC), o sistema de homologação europeu. As principais falhas são os ciclos de condução pouco representativos e a possibilidade de manipulação de fatores que influenciam as medições.

As marcas socorrem-se de truques tecnológicos para tirar proveito e sacar valores mais reduzidos: no momento do ensaio, aumentam a pressão dos pneus para oferecer menos resistência ao rolamento ou cobrem superfícies salientes com fita adesiva para melhorar a aerodinâmica, por exemplo. O fabricante escolhe a versão do automóvel para submeter às medições (pode escolher a mais leve e menos equipada). A marca fornece ainda dados de desempenho decisivos nos cálculos.

A associação dos consumidores italiana Altro Consumo, que trabalha connosco, testou alguns dos artifícios num Fiat Panda e num Volkswagen Golf, para verificar como interferem nos resultados.

Marcas usam artifícios durante os testes para apresentar melhores consumos.
Marcas usam artifícios durante os testes para apresentar melhores consumos.
Os carros acusam números mais elevados do que os anunciados, com um custo pesado na nossa carteira. Por ano, nalguns casos, pagamos o dobro em combustível do que planeamos ao comprar o carro. A diferença saltou à vista em 500 automóveis, quando comparámos os valores de consumo e de emissões de dióxido de carbono que a marca anuncia com os resultados dos nossos testes, sempre mais próximos da experiência na estrada.