Dicas

Filtro de partículas de gasóleo: mais avarias em condutores de cidade

21 março 2014

21 março 2014

O nosso leitor Jaime Carvalho, de Portimão, pretende trocar o seu carro a gasolina. Receia as despesas na oficina com os modelos a gasóleo e pediu a nossa ajuda para decidir.

Despesas de manutenção, consumos, preço e muitos outros fatores: tudo é tido em conta no custo por quilómetro que apresentamos para os carros testados. Quando estiver indeciso, comece por aqui.

As avarias nos filtros de partículas são a principal desvantagem que o nosso leitor Jaime Carvalho, 46 anos, aponta aos automóveis a gasóleo. E pediu-nos para esclarecer sobre os inconvenientes para quem conduz sobretudo na cidade.

Adepto dos motores a gasolina, o carro atual do nosso leitor já conta 16 anos. A maioria das viagens é dentro da cidade, com uma média diária de 10 a 15 km percorridos.

Se pondera comprar um carro a gasóleo, questione a marca sobre o funcionamento do filtro de partículas e o seu tempo de vida. Não privilegie o carro a gasóleo como o segundo carro da família, para usar no dia-a-dia na cidade. As vantagens nos consumos podem resultar em desvantagens nos custos.

Mas mesmo se, durante a semana, conduz só na cidade, os passeios mais longos ao fim de semana podem ser suficientes para provocar a regeneração passiva do filtro e para minimizar o risco de problemas.

Limpeza a altas temperaturas
O desempenho e a regeneração do filtro de partículas são muito influenciados pelo tipo de condução. O estilo mais prejudicial é a típica condução de cidade: diária, por pequenos períodos em velocidade média ou baixa. Se conduz muito em cidade, as condições de regeneração automática podem atrasar-se ao ponto de provocar um entupimento do filtro.

A regeneração passiva do filtro dá-se quando a temperatura dos gases de escape está acima de 300°C. Mas a temperatura só aumenta com trajetos mais longos, a uma maior velocidade, em autoestrada, por exemplo. Quem só usa o carro em percursos curtos, sobretudo no “para e arranca” da cidade, está mais sujeito a avarias no filtro, que não chega a atingir a temperatura ideal para a limpeza.

Nestes casos, em que a regeneração passiva não é completa, o motor colabora no processo e força o ciclo de regeneração ativa. Os meios diferem entre os fabricantes, mas o fim é o mesmo: aumentar a temperatura dos gases de escape para queimar as partículas recolhidas.

A regeneração ativa é sinalizada com uma luz amarela no painel de controlo. Deve consultar o manual de instruções, que indica as ações para atingir as condições ideais de regeneração. Por exemplo: conduzir a velocidades entre os 65 e 80 km/h, durante 20 a 30 minutos ou 40 km. Se o percurso for interrompido, será reiniciado na viagem seguinte. 

Não ignore os sinais
Se o aviso luminoso no painel de bordo não se desligar, é altura de visitar a oficina. Prolongar o problema pode interferir no desempenho e nos consumos do carro. O veículo pode mesmo entrar em “modo segurança”, ou seja, só circula a uma velocidade baixa ou nem arranca.

Na oficina, se tiver de substituir o filtro de partículas, o preço varia muito consoante a marca e o motor. Ronda os mil euros para os motores mais pequenos, mas pode chegar aos 3 mil euros.

Algumas marcas alegam que o filtro de partículas dura toda a vida útil do veículo. Outras indicam um tempo de vida entre os 80 mil quilómetros e os 120 mil quilómetros ou mesmo 250 mil quilómetros. As diferenças devem-se às diferentes tecnologias utilizadas.

Aula rápida de mecânica
Os filtros de partículas, também conhecidos pela sigla FDP ou DPF e obrigatórios nos veículos a gasóleo, são a tecnologia encontrada até agora para reduzir as emissões de partículas dos veículos a gasóleo. Com eles, os fabricantes conseguem manter os valores abaixo do limite imposto pelas regras antipoluição em vigor, a norma Euro 5 e, em breve, a Euro 6, com maiores restrições às emissões.

O filtro de partículas é um elemento acoplado no sistema de escape, que impede a saída das partículas contidas nos gases de escape dos veículos com motores a gasóleo. Quando acumula partículas, o filtro fica obstruído e é necessária a regeneração para limpar o filtro, ou seja, a queima dos depósitos. A regeneração pode ser passiva (sem a intervenção do condutor ou do veículo, apenas com condução regular em estrada e autoestrada) ou é despoletada automaticamente pelo sistema de controlo do motor. Os sensores de pressão no circuito de escape informam sobre a necessidade de regeneração ativa, que obriga o condutor a tomar as medidas recomendadas, quando a regeneração passiva não é eficaz.