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21 setembro 2016
Conheça os 5 automóveis menos poluentes por segmento

21 setembro 2016

Conheça os 5 automóveis que se revelaram menos poluentes nos nossos testes, por segmento. Junte-se a nós e exija que os testes europeus às emissões se atualizem rapidamente.

Escolher um automóvel mais eficiente reduz a fatura mensal em combustível e tem menos impacto no ambiente e na saúde. Desde o escândalo Volkswagen que as emissões poluentes dos automóveis e o consumo de combustível estão na ordem do dia. Os nossos testes mostram quais os 5 modelos menos poluentes em cada segmento. Os modelos da Volkswagen envolvidos na polémica não foram considerados. 
 
Top 5 por segmento
Marca e modelo Emissões anunciadas (g/km)  Emissões reais (g/km)
Citadinos
Fiat Panda 0.9 8V Twinair Natural Power 86 115
Toyota Aygo 1.0 95 132
Suzuki Celerio 1.0 99 136
Seat Mii 1.0 Ecomotive 96 138
Kia Picanto 1.0 105 138
Utilitários
Mazda 2 SkyActiv-D 105 89 120
Peugeot 208 Blue HDi 100 Start&Stop 79 126
Seat Ibiza SC 1.2 TDI Ecomotive 89 126
Opel Corsa 1.3 CDTI ecoFlex Start&Stop 87 129
Citroën C4 Cactus Blue HDi 100 Start&Stop 90 134
Pequenos familiares
Honda Civic 1.6 i-DTEC 98 133
Opel Astra 1.6 CDTI ecoFlex Start&Stop 93 134
VW Golf 1.0 TSI BlueMotion 99 140
Mazda 3 SkyActiv-G 120 119 141
BMW 116d 96 144
Familiares
Mercedes C 220 BlueTEC 103 138
Mazda 6 2.2 SkyActiv-D 150 i-ELOOP 104 143
Peugeot 508 BlueHDi 150 Start&Stop 101 146
Jaguar XE E-Performance 99 152
Ford Mondeo 1.5 TDCi 104 154

As emissões poluentes estão diretamente relacionadas com o consumo do automóvel: mais emissões, mais gastos em combustível. Mas nem neste top 5 as emissões que medimos em laboratório corresponderam às anunciadas pelos fabricantes. Encontrámos diferenças entre 24 e 37 por cento. Sempre para mais.

Há vários anos que a DECO demonstra nos seus testes que o consumo real é muito superior aos números oficiais anunciados pelas marcas. Um relatório recente da Agência Europeia do Ambiente revela que os modelos consomem mais 18 a 50% de combustível do que declaram.

Esta diferença tão grande deve-se à forma como as emissões são medidas pelo sistema de homologação europeu, entre outras manipulações ilegais que as marcas possam utilizar. Este teste nasceu em 1970 e foi atualizado pela última vez em 1997. Na nossa opinião, não reflete as condições reais de condução: os automóveis atuais são maiores e mais rápidos, as estradas estão mais congestionadas, e as marcas adaptaram-se ao processo de homologação. Além disso, o sistema é demasiado flexível em alguns parâmetros de teste (massa do veículo, pressão dos pneus e ajustes dos travões). Por isso, na vida real, os carros acabam por emitir muito mais do que sob as condições apresentadas em laboratório. 

Seria desejável adotar rapidamente na Europa um novo teste, o Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedur (WLTP). Mais próximo da realidade, este teste é capaz de dar uma informação mais precisa aos consumidores, para que quando estes estão a escolher um veículo, possam saber exatamente quanto é que essa opção vai pesar na carteira. Até agora, não há data para começar a ser usado. Também era importante avançar para outro teste, o Real Life Emissions, que faz a medição em circulação normal. 

Emissões prejudicam a saúde dos consumidores

Só os automóveis contribuem com 44% das emissões de gases com efeito de estufa no setor dos transportes. Os carros novos de 2015 viram baixar as suas emissões para 119,6 g CO2/km, em média. Mas em 2021 este valor deverá diminuir para 95 g CO2/km.

Não é só a carteira dos consumidores que sofre com o consumo excessivo de combustível. As emissões poluentes têm efeitos na saúde de todos e não provêm apenas dos gases resultantes da combustão. Também os travões e o desgaste dos pneus são responsáveis pela emissão de partículas nocivas. Mais uma vez, as medições reais de alguns poluentes, como é o caso do NOx (óxidos de azoto), mostram uma concentração 7 vezes mais elevada do que o permitido pela aplicação das normas antipoluição mais recentes.

Doenças dos pulmões que levam a problemas respiratórios, vertigens, doenças cardíacas, asma, ansiedade e fadiga são consequências possíveis da exposição prolongada a poluentes do ar. Dados oficiais recentes atribuem mais de 400 mil mortes prematuras, em 2012, aos poluentes presente no ar. 

Sabe-se que 30% dos europeus que vivem em cidades estão expostos a níveis de poluição que excedem os padrões estabelecidos pela União Europeia. Se nos guiássemos pelos padrões da Organização Mundial da Saúde, teríamos 98% dos europeus citadinos a conviver com poluição excessiva.  

Mas há outros efeitos na saúde em que talvez nunca tenha pensado. Os números impressionam: 20 milhões de europeus confessam-se perturbados pela poluição sonora; 8 milhões não conseguem dormir bem. O ruído pode ainda provocar o aumento da pressão arterial e doenças cardiovasculares. A consequência são 10 mil mortes prematuras e 43 mil hospitalizações, todos os anos.

Mobilidade mais limpa e inteligente

Dizer que um carro elétrico é “verde” só porque não liberta gases com efeito de estufa enquanto circula não é completamente verdade. É necessário analisar como é produzida a eletricidade que o move. Embora anuncie “zero emissões”, o Renault Zoe, por exemplo, emite 24 g CO2/km, segundo os nossos cálculos. Basta, para isso, contabilizar as chamadas emissões indiretas, ou seja, as relativas à produção da energia necessária para carregar as baterias. Mas são de facto uma opção mais ecológica, como provámos num teste a 7 veículos 100% elétricos. Na Europa, ainda só representam 1,3% das vendas de automóveis.

Para já, as únicas alternativas realmente verdes são usar a bicicleta, fazer carsharing com os colegas de trabalho ou usar os transportes públicos.