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Vinho: benefícios com moderação

01 janeiro 2016
beber vinho com moderação

01 janeiro 2016

O consumo moderado de vinho tem sido associado à possibilidade de diminuição da incidência de doenças cardiovasculares. No entanto, são necessárias mais investigações.

O vinho parece ter um efeito benéfico semelhante ao de outras bebidas alcoólicas, o que pode estar relacionado com o conteúdo em polifenóis, nomeadamente os flavonoides. Mas são necessários mais estudos. Também é possível obter os flavonoides através de uma dieta rica em frutos e legumes, sem os efeitos adversos do excesso de álcool, ainda um problema de saúde pública em Portugal.

A dose ideal para um consumo moderado não reúne consenso. É aceitável a ingestão de um ou dois copos de 125 mililitros de vinho por dia, dependendo da constituição física. A moderação deve ir a par da regularidade: o resultado não será o mesmo se não beber nada durante os dias de trabalho, para “compensar” ao fim de semana.

Encorajar o consumo de vinho como forma de prevenção de doenças cardiovasculares pode ser mais prejudicial do que benéfico. Siga com rigor os conselhos do seu médico, se tem de restringir ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas, devido a problemas de fígado, tratamento com determinados medicamentos ou gravidez, por exemplo. 

Proteger o coração
Atualmente está bem documentado que a ingestão moderada e regular de álcool pode diminuir o risco de contrair doenças cardiovasculares. Quando consumido com moderação, o álcool pode aumentar os níveis do chamado “bom colesterol” ou HDL e, desta forma, reduzir a formação de trombos e de placas de ateroma.

Alguns estudos defendem que a ação benéfica pode ser maior no vinho, sobretudo aos polifenóis, que não estão presentes ou se encontram em quantidades reduzidas noutras bebidas alcoólicas. A sua concentração no vinho varia em função de diversos fatores, como o processo de fabrico e de conservação, e é muito mais elevada nos tintos do que nos brancos. Os tintos fermentam em contacto com as películas das uvas, onde se encontra a maior parte dos polifenóis do fruto. Investigações realizadas em laboratório têm demonstrado que diversos compostos fenólicos têm atividade antioxidante, o que lhes permite proteger o “mau colesterol”ou LDL da oxidação e elevar a concentração de HDL no sangue.

Os polifenóis extraídos do vinho tinto também podem inibir a síntese da endotelina-1, um potente vasoconstritor, cuja produção, quando excessiva, está associada ao desenvolvimento de doenças vasculares, nomeadamente à aterosclerose. Além disso, verificou-se que os mesmos polifenóis estimulam a formação e a libertação de óxido nítrico (um vasodilatador) no endotélio, o tecido celular que reveste o interior do coração e dos vasos sanguíneos e linfáticos.

A ação dos polifenóis pode estender-se a outros campos. Por exemplo, constatou-se que alguns atuam como inibidores de certas enzimas que são, em parte, responsáveis pelo desenvolvimento de ateromas (aterosclerose) e de outras patologias, como tumores. O consumo moderado de vinho também foi associado a uma diminuição do risco de ocorrência de certas doenças relacionadas com o envelhecimento, como a degeneração macular (alterações físicas na área central da retina), a doença de Alzheimer e alguns défices cognitivos.

Aposte na fruta e nos legumes
Há ainda muitas interrogações quanto à validade dos resultados obtidos em laboratório e sobre a possibilidade de extrapolar para o corpo humano os efeitos benéficos dos polifenóis observados em experiências in vitro. Os poucos estudos realizados mostram que uma boa parte dos polifenóis não chegam a ser absorvidos, pelo que dificilmente poderiam cumprir os seus objetivos. Já a porção que é efetivamente absorvida surge depois, no plasma, conjugada com outras substâncias cujo comportamento se desconhece. Mas tal não significa que não possam exercer algum efeito no organismo.

Os polifenóis não são componentes exclusivos do vinho ou das bebidas alcoólicas em geral. Podemos encontrá-los em frutos e legumes, muitas vezes em concentrações superiores. Alguns estudos também apontam para uma relação inversa entre a mortalidade devida a doenças cardiovasculares e o consumo de vegetais ricos em polifenóis, em particular os flavonoides.

Precauções com medicamentos
O álcool potencia a sonolência provocada pelos anti-histamínicos, usados contra as alergias. Também aumenta a sonolência provocada pelos antidepressivos, antipsicóticos, ansiolíticos e medicamentos para a doença bipolar. Dependendo da dose, há risco de morte.

A combinação de bebidas alcoólicas com analgésicos como o paracetamol danifica o fígado. Já em conjunto com os anti-inflamatórios, podem causar hemorragias no estômago.

Misturado com fármacos para controlar a dor (opioides), o álcool pode provocar coma ou a morte.

Em conjunto com os broncodilatadores, para tratar problemas respiratórios, podem surgir náuseas, vómitos, dores de cabeça e irritabilidade.

Com as estatinas, para o colesterol, aumenta o risco de danos no fígado.


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