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Álcool: dose certa para evitar abusos

05 junho 2015

05 junho 2015

Portugal apresentou uma média de consumo de álcool a rondar os 11 litros per capita, acima da média dos países OCDE, que se situou nos 9,1 per capita. Conheça os limites e os nossos conselhos para moderar a ingestão de álcool.

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Os dados são de um estudo que a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) realizou entre 1992 e 2012 sobre o consumo de álcool e o seu impacto na saúde pública. Apesar de Portugal ter ficado em décimo lugar na lista dos 34 países da OCDE (encabeçada pela Estónia, a Áustria e França, com consumos a rondar os 12 litros per capita), o documento revela que fomos o quinto país a baixar mais o consumo desde 1992, com uma redução de 20 por cento.

No geral, o consumo está a diminuir. Mas registou-se um aumento nalguns países nórdicos, como a Noruega e a Estónia. Mais problemático é o aumento do binge drinking (consumo excessivo num curto período de tempo) entre os jovens e as mulheres.

Embora usado há vários séculos por inúmeras culturas, o álcool é uma substância psicoativa que pode causar dependência. O consumo excessivo está associado a cerca de 200 doenças, como a cirrose, alguns tipos de cancro e de doenças cardiovasculares, tuberculose, SIDA, distúrbios mentais e de comportamento. Nas grávidas, pode provocar síndrome do alcoolismo fetal, parto prematuro ou dificuldades cognitivas na criança. Outras situações nocivas são a violência física (dentro ou fora de casa) e os acidentes de carro.

Em casos extremos, o álcool pode afetar não só quem bebe em excesso, mas também a família, os amigos, os colegas de trabalho e a sociedade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), parte das doenças provocadas por acidentes de trânsito, violência e tentativas de suicídios tem origem no consumo excessivo de álcool. A OMS revela que, em 2012, 5,9% das mortes ao nível mundial estiveram relacionadas com este problema. Nas faixas etárias mais jovens, existe uma grande proporção de incapacidade a longo prazo relacionada com o álcool. Segundo a OMS, 25% das mortes entre os 20 e os 39 anos estão associadas ao consumo.

O limite para o abuso de álcool
Uma mulher adulta pode beber até 2 bebidas por dia e um homem adulto pode ingerir até 3, mas não de forma sistemática. Para adultos e idosos, beber um copo moderadamente, em dias alternados, pode proteger de doenças cardiovasculares.

Fala-se de abuso se o excesso é recorrente por mais de 1 ano e potencia situações perigosas (na condução, por exemplo), com consequências graves, como faltas ao trabalho ou à escola.

Quando há dependência, sente-se desejo obsessivo e incontrolável de ingerir maior quantidade para obter os mesmos efeitos. Sintomas de privação, como tremor, suores, náuseas e ansiedade, surgem nas 4 a 12 horas seguintes sem beber.

Fígado, a vítima principal
O álcool não é digerido e, num adulto, demora entre 15 e 30 minutos a ser absorvido pelo sangue fora das refeições. A comida atrasa o processo até ao dobro do tempo. Leite e açúcares podem retardar a absorção em 3 horas.

O álcool é absorvido por inteiro no tubo digestivo. Na eliminação do etanol, o fígado é o grande sobrecarregado. A longo prazo, um consumo excessivo está mais associado a gastrite, doenças no esófago, pâncreas e fígado, como a cirrose, lesão irreversível que pode levar à sua destruição.


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