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Carne processada e cancro: até onde vão as provas da ciência

29 outubro 2015

29 outubro 2015

A Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Cancro (IARC) lançou o alerta sobre o consumo de carne vermelha e processada. Mas esta divulgação não traz nada de novo às nossas recomendações para uma alimentação saudável. 

Há muito que se falava sobre a possível influência do consumo de carnes processadas nalguns cancros. Sendo a causa do cancro multifatorial não se pode descartar a influência de outros fatores, como o estilo de vida. Comer carne processada não significa que terá cancro. A quantidade e a frequência com que se consome carne vermelha e carne processada é que podem determinar o risco de vir a ter cancro.

A carne processada foi inserida, pela IARC, no Grupo 1, ou seja, no grupo de produtos carcinogénicos para o ser humano. Já a carne vermelha, como vaca, porco, ou borrego foi classificada no Grupo 2A (provavelmente carcinogénicos para os humanos).

A classificação nos diferentes grupos de risco resulta de diversos estudos epidemiológicos:
  • Grupo 1 (carcinogénico para o ser humano – existem provas suficientes): foi neste grupo, onde se inclui o tabaco, o álcool, a radiação solar e o amianto, entre outros, que foi incluída a carne processada. No entanto, não se pode dizer que a carne processada é tão cancerígena como o tabaco, mas apenas que ambas as substâncias têm uma relação comprovada com o aumento do risco de cancro. 
  • Grupo 2A (provavelmente carcinogénico para os humanos - a evidência não é conclusiva): aqui foi introduzida a carne vermelha. Neste grupo, encontram-se também os fritos, os esteroides e alguns herbicidas. 
Os estudos efetuados reconhecem a influência de outros fatores, nomeadamente o estilo de vida. Assim, antes de tudo, poderá encarar estes resultados como de uma sensibilização para tornar os seus hábitos mais saudáveis. A nossa equipa preparou 10 conselhos para ter um estilo de vida mais saudável.
  1. Procure fazer uma alimentação completa e variada. Coma fruta e legumes à vontade, cereais integrais e leguminosas secas e frescas, como feijão, grão, ervilha. 
  2. Reduza o consumo de gorduras saturadas, presentes sobretudo nas gorduras de origem animal.
  3. Reduza o consumo de açúcar e produtos açucarados no geral.
  4. Alterne entre o consumo de peixe e carne dando preferência ao peixe. Prefira as carnes brancas, como as aves, e modere o consumo de carnes vermelhas
  5. Modere o consumo de sal. O ideal é ingerir no máximo 5 g de sal por dia.
  6. Beba cerca de 1,5 a 2 l de água por dia.
  7. Modere o consumo de álcool.
  8. Faça atividade física pelo menos 3 vezes por semana, durante 20 minutos de cada vez. 
  9. Procure manter um peso adequado para a sua estatura. 
  10. Deixe de fumar. 

Quanto ao caso específico das carnes processadas, a Organização Mundial de Saúde e a IARC também deixam alguns conselhos divulgados no comunicado da Direção-Geral de Saúde.

  • Reduza o consumo de carne processada (enchidos, carne de fumeiro, salsichas, carne enlatada) para momentos ocasionais ao longo do mês. 
  • Reduza, por precaução, o consumo de carne vermelha para valores até 500 g por semana. Contudo, a dose acima da qual existe risco comprovado ainda não está totalmente definida. 
  • Não exclua a carne da sua alimentação, uma vez que é um alimento que tem um elevado valor proteico, vitamínico e mineral. 
  • Consuma diariamente alimentos protetores para reduzir o risco de cancro do cólon associado ao consumo de carne processada. Os alimentos protetores são fruta e hortícolas em quantidades de pelo menos 400 g diariamente, ou seja, 2 colheres de sopa e 3 peças de fruta diariamente, para além do consumo de cereais integrais. 
  • Rejeite carnes carbonizadas na grelha, chapa ou churrasco.
  • Substitua, ocasionalmente a carne por refeições com fontes de proteína vegetal, como o feijão, as lentilhas e o grão.