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Bacalhau: DECO diz não a aditivos desnecessários

10 julho 2013 Arquivado

10 julho 2013 Arquivado

A partir de janeiro de 2014, é possível encontrar à venda bacalhau com fosfatos, uma decisão política contrária às regras europeias sobre o uso de aditivos. A DECO exige mais explicações ao Governo sobre o seu voto favorável, já que não há vantagens para o consumidor.

A utilização de fosfatos no bacalhau foi aprovada, há cerca de uma semana, no Comité Permanente da Cadeia Alimentar e Saúde Animal da União Europeia, com os votos contra da Croácia e França. De forma surpreendente, sem explicações e contrariando a posição até agora tomada, Portugal votou a favor da proposta. Resultado: a partir de 2014, os consumidores podem encontrar à venda bacalhau onde se utilizaram fosfatos no processo de preparação.

Os consumidores exigem transparência e resposta às questões: porquê a inclusão de mais aditivos na sua alimentação? Quem fica a ganhar com esta medida? As decisões da União Europeia devem ser tomadas numa base científica e política, de forma transparente e justificada. A posição da DECO é clara: não aos aditivos desnecessários.

A DECO exige uma resposta do Governo. Caso não apresente uma justificação para o voto favorável, a DECO manterá a sua posição contra os aditivos desnecessários e tudo fará para minimizar as consequências da sua aplicação.

Em causa não está um problema de saúde pública, mas os fosfatos podem alterar o aspeto, a textura e o sabor do bacalhau salgado seco, com as características que tanto apreciamos. Os portugueses estão perfeitamente identificados com a sua tipicidade e não procuram um peixe com características organolépticas diferentes, ou seja, com uma cor mais pálida, razão avançada para a incorporação de fosfatos, com outra textura ou paladar.

Mudança de posição não se justifica
Para proteger o bacalhau português da aplicação de fosfatos, Portugal tinha levado à discussão, a 31 de janeiro último, uma proposta de salvaguarda deste produto processado no nosso país. Nesta altura, fizemos chegar a nossa posição à Comissão Europeia. À data, Portugal também estava contra esta medida. O que mudou em 6 meses? Aparentemente, nada de essencial.

No entender da DECO, as razões apresentadas de fiscalização, definição de um período transitório de adaptação, obrigação de referências à presença, ou não, de fosfatos na rotulagem, não justificam esta mudança de posicionamento. Por isso, a DECO questiona a falta de implementação de métodos para determinar os fosfatos adicionados, já que eles também estão naturalmente presentes nos alimentos. Questiona ainda se a fiscalização está preparada para inspecionar escrupulosamente estes produtos para o consumidor não ser enganado.

Fosfatos no rótulo
Não há uma única vantagem para o consumidor que justifique a sua utilização no bacalhau. Aliás, é uma medida que contraria a legislação europeia que regula o uso de aditivos e vai obrigar à sua indicação na rotulagem, para que o consumidor possa decidir se quer ou não comprar bacalhau com aqueles aditivos.

A utilização de aditivos deve trazer vantagens e benefícios para o consumidor e basear-se numa necessidade tecnológica razoável, que não possa ser satisfeita por outros meios. Mas, do ponto de vista técnico, a adição de fosfatos ao pescado é dispensável. Nalguns casos, pode mesmo ser enganosa, dado reter água de modo artificial. Isto é sobretudo evidente nos cefalópodes (lula e polvo, por exemplo), onde os fosfatos são permitidos na versão congelada. Após cozinhados, aqueles reduzem drasticamente de tamanho. Alguns consumidores evitam comprar alguns produtos da pesca congelados para não serem enganados.

Fosfatos podem interferir na absorção de cálcio
A legislação europeia autoriza a utilização de fosfatos em muitos géneros alimentícios, mas, na maioria das vezes, não existem limites legais para a humidade, ao contrário do bacalhau salgado seco. Assim, o bacalhau vendido ao consumidor não ficará com mais água. Além dos aspetos referidos, o que também poderá acontecer é o prolongamento do processo de secagem deste peixe, com as previsíveis consequências ao nível económico para o setor e para o consumidor.

Há ainda a ter em conta que, apesar de o fósforo ser essencial (também presente nos fosfatos), uma dieta rica neste nutriente e pobre em cálcio pode levar a uma diminuição da absorção deste, devido à formação de sais de cálcio pouco solúveis. Assim, a ingestão de produtos ricos em fosfatos, adicionados a muitos outros alimentos, deve ser reduzida.