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Aditivos nos alimentos: DECO contra uso excessivo

26 abril 2012 Arquivado

26 abril 2012 Arquivado

A lei permite a utilização de agentes de revestimento na fruta fresca, aditivos que dão brilho e prolongam a conservação. Estas substâncias são desnecessárias e, algumas, mesmo duvidosas.

Estes aditivos (E905 a E905, E912, E914) conferem um aspeto brilhante à fruta e formam uma película de revestimento que atrasa a maturação e ajuda a conservar. Permitem ainda a manutenção dos aromas e dos sucos, já que tapam os poros dos frutos.

A Comissão Europeia tinha uma proposta para alargar a autorização de alguns destes agentes a um conjunto mais alargado de frutas e legumes, e permitir o uso de óleo mineral (E905a) em produtos frescos desta categoria. Antes de pronunciar-se, aquele organismo pediu o parecer a várias entidades, entre as quais as associações de consumidores.

Não aos aditivos desnecessários
Para as associações de consumidores, como a DECO, os aditivos só devem ser permitidos quando tecnicamente indispensáveis, como é o caso dos nitritos em produtos de charcutaria. Este é também um dos princípios teóricos da regulamentação europeia nesta matéria, muitas vezes ignorado na própria lei e também na proposta actualmente em discussão: não há vantagens na utilização de aditivos que prolonguem a durabilidade dos alimentos não processados, como a fruta e os legumes.

O recurso a estas técnicas pode criar hábitos errados. As ceras dão brilho aos alimentos, melhorando a sua aparência. O consumidor pode rejeitar produtos saudáveis apenas por serem apelativos ao olhar.

Alguns destes aditivos apresentam risco, por exemplo, de alergias, como pode verificar no nosso dossiê. Há ainda a possibilidade de interação entre as ceras dos frutos e algumas embalagens e, por consequência, de migração de componentes destas para os alimentos.

Na resposta à consulta do Comissão, a maioria dos Estados-membros mostram-se reticentes quanto à autorização generalizada de agentes de revestimento na fruta e nos legumes. Preferem uma autorização estudada caso a caso. A presença do aditivo deveria ser claramente indicada, mesmo nos produtos a granel.

Hambúrgueres congelados com fosfatos
Os fosfatos são permitidos em diversos produtos de carne, como o fiambre e os patês, para melhorar a textura e favorecer a entrada da salmoura.

Tal como no caso dos agentes de revestimento para o frutos e legumes, a Comissão Europeia tem em mãos uma proposta que visa alargar a autorização de fosfatos aos hambúrgueres congelados. Também aqui, o nosso parecer é negativo. Neste caso, há um risco acrescido de venda de água por carne, já que os fosfatos retêm-na.

A maioria dos Estados-membros opôs-se à proposta e a Comissão não lhe deu seguimento. Os consumidores concordam em pleno.