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Intolerância à lactose: controlo pela alimentação

23 abril 2015
Intolerância à lactose

23 abril 2015

Dor de barriga, indisposição e/ou diarreia algum tempo depois de beber leite pode ser indício de intolerância à lactose. A solução passa por evitar a ingestão de alimentos que incluam este açúcar do leite. 

A lactose é o açúcar exclusivo do leite e derivados. Para ser absorvida para o sangue, a lactose tem de ser decomposta em açúcares mais simples, a glicose e a galactose. Esse trabalho está a cargo da lactase, uma enzima que algumas pessoas não produzem ou fabricam em quantidade insuficiente, comprometendo a degradação e consequente absorção da lactose. Estes indivíduos sofrem da chamada intolerância à lactose, que, apesar de não ser uma doença grave, causa sintomas desconfortáveis, como diarreia, cólicas, flatulência, indisposição, dor e distensão abdominal. As manifestações podem ser mais ou menos severas, consoante o grau de intolerância, que depende da quantidade de lactase produzida. 

A maioria dos intolerantes suporta bem até 12 gramas de lactose (dois iogurtes) a cada ingestão, segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Mas também há situações de tolerância zero, por ausência da enzima que a decompõe.

À procura da lactose

Um estudo a iogurtes sem lactose publicado na Proteste, em 2001, revelou que estes produtos apenas são úteis para quem tem um elevado grau de intolerância. A maioria pode consumir iogurtes normais, que apresentam 5,6 gramas de lactose por embalagem de 125 gramas, menos de metade da dose indicada pela EFSA.

O leite contém mais lactose do que os iogurtes e os queijos. Contudo, alguns derivados do leite, como o leite em pó e o soro de leite, presentes, por exemplo, em produtos de pastelaria e molhos, entre outros, podem conter uma quantidade de lactose idêntica ou proporcionalmente superior à do leite. Por isso, é importante procurar leite e derivados do leite da lista de ingredientes, como coalho, leite em pó, leite condensado e soro de leite. Na ausência desta lista, verifique se o rótulo inclui a indicação “contém lactose”.

A legislação aplicada às substâncias que provocam alergias/intolerâncias contempla a lactose. Esta substância, como as outras que a lei refere, deve ser indicada na lista de ingredientes e destacada dos restantes ingredientes, por exemplo, através da grafia ou da cor de fundo. Na ausência da lista de ingredientes, a indicação deve incluir o termo “contém” seguido do nome da substância, exceto nos casos em que esta surja na denominação de venda. A indicação é também obrigatória para os alimentos vendidos a granel.

Genético ou adquirido

A intolerância à lactose pode ter origem genética, manifestando-se desde o nascimento, com sintomas severos, como diarreia aquosa. Pode também ser provocada por doenças do foro intestinal que afetem a produção de lactase, como a doença de Crohn, infeções intestinais e doença celíaca.

Em Portugal, não se conhece a prevalência de intolerância à lactose, mas é sabido que 70% da população da Europa do Sul sofre deste problema, cujo tratamento consiste em não ingerir alimentos com lactose ou em não ultrapassar as doses toleradas deste açúcar.














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