Dicas

Comprar alimentos em segurança durante o surto de coronavírus

Ir ao supermercado é menos seguro do que antes, dada a possibilidade de contágio pelo coronavírus SARS-CoV-2, responsável pela covid-19. Mas é possível reduzir bastante o risco. Ao que se sabe, o vírus não se transmite via alimentar. 

  • Dossiê técnico
  • Dulce Ricardo
  • Texto
  • Fátima Ramos
23 março 2020
  • Dossiê técnico
  • Dulce Ricardo
  • Texto
  • Fátima Ramos
Cuidados a ter com os alimentos

iStock

O pacote de medidas estabelecido para o combate à pandemia covid-19 inclui o limite de acesso aos espaços comerciais, incluindo os supermercados, sendo permitida a permanência de apenas uma pessoa por cada 25 metros quadrados. O objetivo é evitar aglomerações, de modo a que se possam pôr em prática as recomendações de distanciamento social, essencial para prevenir o contágio. Assim, continua a ser possível ir ao supermercado, mas é preciso adotar medidas de precaução.

Planeie a ementa e anote os ingredientes necessários para as refeições, incluindo os condimentos. Faça a lista de compras, tendo em conta a dimensão da família, o espaço disponível na despensa e no frigorífico, os prazos de validade e a forma de conservação dos alimentos, de modo a minimizar as idas ao supermercado. Sem lista, arrisca-se a passar mais tempo nos corredores a tentar lembrar-se do que lhe faz falta. Não inclua produtos dispensáveis ou em quantidade excessiva.

Na preparação da ementa, tenha em conta os princípios da alimentação equilibrada, com base na Roda dos Alimentos. Privilegie os alimentos nutricionalmente ricos, como fruta, legumes e leguminosas, em detrimento dos que contêm açúcar, gorduras e sal em excesso, em geral, mais calóricos. Inclua produtos que se conservem durante períodos mais alargados.

Pode optar por legumes enlatados ou congelados. O peixe em conserva, como atum, cavala e sardinha, e os ovos são também boas soluções. Nos frescos, a cenoura, os brócolos, o feijão-verde, o alho-francês e abóbora “aguentam” mais tempo. A maçã, a pera e os citrinos são frutas particularmente resistentes. Os frutos secos, como amêndoas, nozes e avelãs, são boas alternativas, por exemplo, para o meio da manhã ou da tarde.

Se possível, faça as compras em alturas de menor afluência, embora estes períodos sejam difíceis de prever. Tente manter-se a, pelo menos, um metro de distância das restantes pessoas, tanto no interior do supermercado, como no exterior, se houver fila para entrar. Lembre-se de que é possível estar infetado e não apresentar sintomas.

As autoridades de saúde não recomendam a utilização de luvas, mas insistem na lavagem das mãos, durante 20 segundos, antes de sair de casa e logo que chegue. Os carrinhos e os puxadores dos refrigeradores podem ser um foco de contaminação. Se tiver de os utilizar, tente fazê-lo só com uma mão, a contrária à que normalmente usa (esquerda, no caso dos dextros). Assim, se, inadvertidamente, levar a mão (tendencialmente, a direita) à cara, olhos ou nariz, há menos risco de contaminação.

Não fique dentro do supermercado mais tempo do que o necessário e apenas toque nos alimentos que colocar no seu carrinho. Mantenha a distância recomendada dos empregados, no interior do estabelecimento e na caixa, para segurança de ambas as partes.

Pague com cartão, de preferência um que não precise de código, para evitar tocar no aparelho. Se tiver de pagar com dinheiro, evite, ao máximo, o contacto com o empregado da caixa, tendo o cuidado, por exemplo, de não lhe tocar nas mãos.

Se puder comprar à distância, encomendando online ou via telefone, é uma boa opção. Contudo, é preciso ter atenção que os prazos de entrega são muito alargados. Tal como no supermercado, convém manter a distância de quem faz a entrega. O ideal é deixarem-lhe as compras à porta, como já fazem alguns.

Cuidados em casa: água e sabão eliminam o coronavírus

Chegado a casa, troque de calçado e, se possível, tire a camada de roupa exterior que possa ter estado em contacto com alguma superfície ou gotículas contaminadas e lave as mãos. Passe um pano com água e detergente nas embalagens não porosas, como as de plástico, vidro e metal, antes de as arrumar. Se a embalagem for porosa, transfira os alimentos para uma caixa ou um saco. Arrume os produtos no frigorífico tendo em conta a temperatura de cada zona e siga as boas práticas de congelação.

Lave também, com água e detergente, as bancadas da cozinha e outras superfícies com as quais possa ter entrado em contacto, bem como os sacos das compras.

Transmissão da covid-19 via alimentar sem evidência

Não há evidência de que o vírus responsável pela covid-19 seja transmissível através dos alimentos crus ou cozinhados, mas isso não significa que se possa descurar as regras de higiene na sua preparação e confeção.

Segundo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, no apertado seguimento da doença que tem vindo a ser feito por cientistas e autoridades de todo o mundo, não há relatos de transmissão do vírus por via alimentar. O mesmo já se tinha verificado nos surtos anteriores por vírus da mesma família, nomeadamente o SARS-CoV e o MERS-CoV. Por isso, não há razões para acreditar que os alimentos são veículos de transmissão da doença.

Contudo, as regras de higiene e segurança alimentar, que já eram recomendadas antes da pandemia, devem ser cumpridas à risca, porque os produtos alimentares podem ser portadores de outros microrganismos causadores de toxi-infeções. Entre os cuidados a ter destacam-se lavar muito bem os alimentos que vai consumir crus e cozinhar devidamente os restantes. Não junte alimentos crus e cozinhados, para evitar a contaminação cruzada. Não partilhe alimentos, talheres, pratos e copos, entre outros. Se sobrar comida, coloque-a, logo que possível, no frigorífico, onde pode ser conservada até três dias. Se prevê não a consumir neste prazo, congele. A ideia é, sobretudo, não desperdiçar.

Numa altura em que se quer um sistema imunitário forte para combater qualquer ameaça, é importante seguir todas as regras e precauções para se manter saudável, até porque os serviços de saúde estão demasiado pressionados, com grande dificuldade (ainda mais do que o habitual) em dar resposta. Além disso, é sabido que as unidades de saúde podem ser fonte de contágio do SARS-CoV2, entre outras infeções. Assim, tudo o que fizer para acautelar o recurso aos serviços será um bem que faz si, aos seus e à comunidade. As regras de higiene e segurança alimentar na preparação e confeção dos alimentos são uma parte importante do rol de medidas preventivas.

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