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Pandemia reavivou preferência por comércio local

Após compararmos quase mil preços, verificámos que, sem contar com promoções e se não precisa de grandes compras, o tradicional pode ficar mais barato do que as grandes cadeias de supermercados e consegue bastantes produtos nacionais. 

  • Dossiê técnico
  • Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
26 novembro 2020
  • Dossiê técnico
  • Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
Rapariga numa loja, com máscara no rosto e dois sacos de papel com compras nos braços

iStock

Os cuidados para evitar a covid-19 mudaram os hábitos de compra de muitos portugueses. Quem costumava ir a um súper ou hipermercado, sempre que precisava de algo ou quando surgiam promoções interessantes, começou a ponderar antes de sair à rua. Recorrer a locais próximos, tratar de tudo com rapidez e evitar aglomerados de pessoas passaram a ser cuidados essenciais com o desenrolar da pandemia.

Em setembro, lançámos algumas questões na nossa conta do Instagram, para sabermos mais sobre os novos comportamentos de compra. Das quase mil pessoas que participaram, 75% fizeram compras no comércio local durante o confinamento.

Entretanto, quisemos saber se há diferenças significativas de preço entre os produtos vendidos no comércio local e nos hipermercados. Também procurámos conhecer a origem dos alimentos. Para tal, definimos um cabaz com carne, fruta e legumes, e fomos investigar preços e origem dos produtos. Visitámos 50 estabelecimentos: 19 lojas de seis cadeias de supermercados e 31 espaços de proximidade, como talhos, mercearias, minimercados e frutarias.

Satisfeitos com os produtos do comércio local

Após o final do confinamento, 66% dos inquiridos continuaram a fazer compras no comércio local uma a duas vezes por semana. Questionados sobre as razões que os levaram a estes estabelecimentos, a esmagadora maioria respondeu que lhes agradam os produtos à venda nestes espaços, em parte, por serem frescos e terem qualidade, razões apontadas por 71 por cento.

Os inquiridos consideram que os alimentos provêm de produtores locais, com menos intermediários e menos sujeitos a uma longa cadeia de distribuição. Na sua opinião, por se tratar de locais de venda de menor dimensão, que requerem uma reposição mais frequente, os produtos frescos são adquiridos pelas lojas diariamente. Mais: como os espaços são menos frequentados, os produtos são também menos manipulados.

Poucos apontaram o preço como um dos fatores diferenciadores. De facto, existe a perceção de que, no comércio local, os preços são mais elevados do que na grande distribuição. Aliás, 69% consideram que, no comércio tradicional, os preços são superiores aos dos hipermercados.

Análise a quase mil preços de supermercados e lojas de bairro

O cabaz que definimos incluía carne de bovino, porco, frango e peru. Foi na carne de aves que encontrámos maior diferença de preço: os talhos tradicionais cobram, em média, 38% mais do que os hipermercados. Já na carne de porco e bovino, a diferença média é pequena: na compra de 20 euros daquelas carnes no hipermercado, é possível conseguir uma poupança de 8 euros.

Para o cabaz das frutas, comparámos o custo de banana, melão, pêssego, pera rocha e uvas. Na categoria dos legumes, considerámos alface, alho-francês, alho seco, batatas, beringela, brócolos, cebola, cenoura, curgete, lombardo, pimento verde e tomate. Verificámos que, se o hipermercado tiver fruta ou legumes deste cabaz em promoção, o tradicional fica mais caro 13% na fruta e 19% nos legumes. Perante preços sem promoção, o tradicional pode ficar mais barato.

Quanto à origem dos produtos, no comércio tradicional, a maioria é nacional, sobretudo os legumes. Já as frutas dependem da época de produção e, por isso, a oferta é mais limitada.

Numa ida ao hipermercado, junte à lista carne, sobretudo de aves: os preços são mais vantajosos. Por sua vez, a fruta e os legumes só compensam se estiverem em promoção. Se não precisa de grandes compras, no comércio local, não gasta necessariamente mais. Em média, pode pagar 4% mais. Por exemplo, com um cabaz de frescos que custe 50 euros, a poupança no hipermercado seria de 2 euros. Contudo, no comércio local, ganha com a proximidade, evita gastos em deslocações e encontra produtos nacionais.

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