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De onde vêm as frutas e os legumes?

A pergunta é pertinente, mas nem sempre se sabe a resposta. Saber o país de origem, até para conhecer o impacto ambiental das frutas e dos legumes, é um direito. Pesquisámos 21 lojas online e, não poucas vezes, ficámos confusos.

  • Dossiê técnico
  • Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
20 dezembro 2021
  • Dossiê técnico
  • Susana Costa Nunes
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
frutas e legumes

iStock

A dúvida instala-se quando menos se espera. No supermercado. Em frente da banca das frutas e legumes. Portugal, Espanha, Bélgica ou França? Importado? De que país? De diferentes origens possíveis? O mistério adensa-se. Para o consumidor interessado em saber de onde vêm as hortifrutícolas, a opacidade da informação, ou a sua ausência, são questões que importam. A sustentabilidade, ou seja, o menor impacto ambiental da compra, impõe-se. 

Portugal é o segundo país da União Europeia que mais fruta consome, ocupando o quarto lugar nos legumes. Os portugueses estão entre os mais preocupados com o impacto ambiental das escolhas alimentares. Saber a origem é um direito para uma compra informada. E inseparável daquilo que é mais sustentável para o planeta.

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Vejamos a curgete. Quantos quilómetros percorreu até chegar a Portugal e em que meio de transporte? Sabemos, pelos dados recolhidos neste estudo, que 8% da curgete é importada. Um número que pode subir, dado que 42% das informações não indicavam a proveniência ou eram pouquíssimo claras quanto a isso. O cabaz que analisámos em 21 estabelecimentos online, em julho último, compreendia alface, couve-flor, curgete, cenouras, espinafre, laranjas, maçã, pera, pera-abacate e uva branca.

Muitas dúvidas quanto ao país de origem dos produtos

A indicação do país de origem, apesar de obrigatória nas lojas físicas e virtuais, é irregular nos grandes supermercados e nas lojas de hortifrutícolas e de produtos biológicos que estudámos. Além da proveniência, pesquisámos o preço por quilo ou por embalagem, a variedade, a categoria e o calibre, dando preferência a frutas e a legumes vendidos a granel.

Se o preço por quilo ou por embalagem é sempre apresentado, já no calibre e na categoria notámos ausências (e nem todos os frescos requerem esta informação). Mas foi na indicação do país de origem que tivemos mais dúvidas: a informação nem sempre é prestada ou se revela esclarecedora. 

Encontrámos informações vagas: “Importado”, “Portugal/Espanha/Marrocos” e “Diferentes origens possíveis a confirmar no momento da entrega: Portugal Espanha”. Se quiser ser esclarecido, o cliente terá de ligar para a linha de apoio, ou esperar para confirmar no momento da entrega. A preferência por produtos nacionais poderia ser uma opção no formulário de compras online, tal como já o é na Auchan, na Da Nossa Fazenda e no El Corte Inglés.

Apenas oito lojas, das 21 analisadas, tinham a informação correta sobre a origem: Bio Cabaz, Baú da Fruta, Celeiro, Mercearia Bio, Frutifique, Da Nossa Fazenda, Fruta da 5ª e Froiz. Já as lojas Fruprogress, Minipreço e El Corte Inglés não mencionam o país de origem nos produtos pesquisados. A Maria Pomar, a Horta da Maria, o Piquete da Fruta e o Intermarché nem sempre discriminam o país, deixando, amiúde, essa informação em branco. A Frutalverca limita-se ao “Nacional” e “Importado” (sem especificar o país). Go Natural, Continente, Auchan, E.leclerc e Mercadão (Pingo Doce) indicam, por vezes, mais de um país como origem, deixando até a dúvida se é nacional ou importado.

 

 

 

 

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